terça-feira, 10 de novembro de 2009

DESCOBRIR OS ASTROS

lEIA O MAIOR NÚMERO DE TEXTOS QUE CONSEGUIR. ESCREVA UMA DISSERTAÇÃO QUE ARGUMENTE OS BENEFÍCIOS QUE A CORRIDA AO ESPAÇO PROPORCIONOU À HUMANIDADE.
SÓ VALE UMA VISÃO POSITIVA.



Hoje, lendo notícia sobre a decisão da Nasa de prolongar o vacilante programa da ISS (Estação Espacial Internacional), lembrei-me de uma conversa que tive com Gilberto Câmara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Ao comentar o custo-benefício de viagens tripuladas ao espaço, Câmara me explicou por que não acredita que hoje elas sejam mais tão proveitosas quanto no tempo da corrida espacial que levou o homem à Lua, 40 anos atrás.

Devemos à Nasa os filtros d'água portáteis com carvão ativo, as lentes de óculos que não riscam, boa parte do avanço das telecomunicações e muitas outras coisas. Elas são herança do modelo de desenvolvimento de um país que durante uma década gastou 4% do seu PIB anual com o objetivo único de mandar uma dúzia de caras passearem na Lua. Como surpreendente retorno dessa iniciativa temerária, a economia se aqueceu, a ciência se beneficiou e o inimigo soviético se sentiu intimidado.

Mas, como nem tudo o que é bom dura para sempre, chegou a hora em que a empreitada cósmica esgotou seu repertório de demandas. O efeito colateral benéfico da exploração espacial sobre a economia, então, deixou de ser tão evidente.

"Viagens espaciais não são mais motor de inovação", resumiu Câmara, com uma argumentação convincente. Investir centenas de bilhões de dólares numa coisa como a Estação Espacial Internacional não faz mais tanto sentido. Não estamos mais em Guerra Fria, vivemos numa economia de serviços e temos demandas tecnológicas diferentes, como arranjar um meio barato de produzir energia limpa.

Não questiono a importância atual de satélites e sondas robóticas, mas a exploração espacial tripulada deve mesmo rumar a um fim melancólico se a Nasa decidir que ir para Marte não vale a pena. Os US$ 150 bilhões investidos na ISS, convenhamos, não fizeram grande coisa pela ciência.

O fim será tragicômico, aliás, se depender de notícias como a do astronauta japonês Koichi Wakata, que teve como uma das missões testar uma supercueca, que pode ser usada ininterruptamente durante um mês. Foi preciso coragem, e aparentemente deu certo. Mas algo me diz que, na Terra, o produto não terá tanto sucesso comercial quanto o filtro d'água.

Isso tudo me fez lembrar do primeiro e único astronauta brasileiro, Marcos Pontes, que depois de se aposentar começou a fazer bico como garoto-propaganda de uma marca de travesseiro. O produto é feito de uma espuma mole, inventada na época da corrida espacial.

Meu ortopedista, Dr. Godoy, uma vez me disse: "Nunca compre aquele travesseiro da Nasa. É péssimo para a coluna. Travesseiro tem que ser macio, mas firme. Aquele de astronauta não serve para nada".

Ir para a Lua foi uma coisa legal, sem dúvida, e é defensável dizer que só pelo espírito de aventura já valeu a pena. Se daqui a 50 anos o vai-e-vem de astronautas da ISS deixar alguma saudade, talvez nós saberemos se ela serviu para alguma coisa.

http://laboratorio.folha.blog.uol.com.br/arch2009-07-26_2009-08-01.html

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ESPAÇO
A nova corrida espacial
A corrida espacial entre as duas superpotências - os Estados Unidos e a antiga União Soviética - acabou com o fim da "guerra fria", mas a disputa pelo espaço sideral continua intensa. Observe o estágio de desenvolvimento tecnológico das nações que mais investem na exploração do cosmos.
NIGÉRIA Em 2007, colocou um satélite em órbita com a ajuda de chineses. O satélite permitiu que áreas rurais tivessem acesso à internet.
ARGÉLIA Desde 2001 mantém um satélite no espaço. A função do equipamento é tirar fotografias que ajudem no estudo de variações climáticas.
ISRAEL Desenvolveu um foguete que faz vôos regulares para pesquisa. Seu primeiro astronauta morreu na explosão do ônibus espacial Columbia, em 2003.
ÍNDIA Seu programa espacial, de 1972, é dos mais antigos do mundo. O país investe US$ 1 bilhão por ano para desenvolver uma nave capaz de chegar à Lua.
IRÃ Até 2010, quer colocar quatro satélites no espaço. Em janeiro de 2008, lançou no espaço seu primeiro foguete, com a ajuda de cientistas russos.
BRASIL Programa tem orçamento de US$ 125 milhões. Em 2004, lançou o foguete VSB-30, um ano após a explosão de um protótipo em Alcântara, no Maranhão.
JAPÃO O desafio dos cientistas japoneses é lançar no espaço uma aeronave tripulada. Até 2030, o país quer criar uma base na lua.
CHINA Em 1993, a China lançou seu primeiro foguete tripulado. Atualmente, várias missões são enviadas para pesquisas no espaço.
EUROPA A Agência Espacial Européia tem orçamento anual de US$ 5 bilhões. A maior parte do dinheiro é investida na análise de cometas.
RÚSSIA A Agência Espacial Européia tem orçamento anual de US$ 5 bilhões. A maior parte do dinheiro é investida na análise de cometas.
ESTADOS UNIDOS A Nasa, a agência espacial americana, investe em parcerias com empresas privadas para desenvolver foguete capaz de levar turistas ao espaço.

http:

//www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/561/imprime94175.htm


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Corrida Espacial beneficiou as telecomunicações

Briga de soviéticos e americanos teve entre seus resultados positivos inovações tecnológicas como os satélites artificiais

Arthur C. Clarke tem 88 anos e está preso a uma cadeira de rodas. Inglês, ele mora no Sri Lanka, país asiático que foi um dos palcos do terrível tsunami de dezembro de 2004. Clarke é um ser humano ímpar. Para os apreciadores de ficção-científica, por exemplo, é um nome a ser reverenciado, pois foi ele quem roteirizou 2001- Uma Odisséia no Espaço, o mais cultuado dos clássicos da cinematografia sci-fi. No universo clarkeano orbitam ao mesmo tempo ficção, ciência e história contemporânea, uma teia de causas e efeitos qu...

[mostrar tudo]

Briga de soviéticos e americanos teve entre seus resultados positivos inovações tecnológicas como os satélites artificiais

Arthur C. Clarke tem 88 anos e está preso a uma cadeira de rodas. Inglês, ele mora no Sri Lanka, país asiático que foi um dos palcos do terrível tsunami de dezembro de 2004. Clarke é um ser humano ímpar. Para os apreciadores de ficção-científica, por exemplo, é um nome a ser reverenciado, pois foi ele quem roteirizou 2001- Uma Odisséia no Espaço, o mais cultuado dos clássicos da cinematografia sci-fi. No universo clarkeano orbitam ao mesmo tempo ficção, ciência e história contemporânea, uma teia de causas e efeitos que se ligam inexoravelmente à vida de quem vive estes nossos tempos, mas que parecem dissociados. Afinal, o que tem a ver um com o outro os temas Corrida Espacial, cinema, Guerra Fria, Segunda Guerra Mundial, futebol brasileiro e satélites?

Podemos começar a puxar o fio dessa teia pelos finais da Segunda Guerra Mundial, época em que o jovem Clarke era operador de radares das forças aliadas. Em 1945, ele produziu um relatório no qual previu o uso, num futuro breve, de satélites artificiais nas telecomunicações. Foi tão preciso e meticuloso que determinou que tais artefatos deveriam se posicionar numa órbita geoestacionária a exatos 35.786 quilômetros da Terra. Por tal feito intelectual, a comunidade científica internacional homenageou o escritor dando à região espacial onde ficam os satélites geoestacionários o nome oficial de "Órbita de Clarke".

Na Órbita de Clarke, a velocidade angular de um satélite, numa órbita equatorial de 35.786 Km de altura, é a mesma de um ponto que lhe corresponde, no equador da Terra. Isso significa que os dois, planeta e satélite, ficam parados um em relação ao outro. Traduzindo, o satélite de comunicação fica como que uma antena "parada" e "muito alta" no espaço, recebendo e transmitindo informação para toda a Terra.

Contudo, as visões de Clarke iriam se materializar duas décadas depois da Segunda Guerra, e em meio a outro pesadelo, a Guerra Fria, que dividia o mundo em dois blocos antagônicos, capitalista e comunista. A mesma tecnologia usada para lançar mísseis balísticos com bombas nucleares (com as quais um lado esperava aniquilar o outro e ser aniquilado em seguida) podia ser usada para colocar artefatos pacíficos e seres humanos no espaço, um paradigma real da disputa tecnológica, política, militar e intelectual que envolvia os dois blocos mundiais. Assim, foi dada a largada para a Corrida Espacial, cujo objetivo principal era levar gente à Lua. Os russos saíram na frente, colocando o Sputnik, o primeiro satélite artificial, em órbita da Terra. Na seqüência, os soviéticos colocaram o primeiro ser vivo em órbita, uma cadela da raça laika. Depois, fizeram os norte-americanos engolir seco pela terceira vez: o primeiro homem a orbitar a Terra foi um russo, Yuri Gagárin.

Vitórias

A corrida parecia ganha, mas em 1962 os norte-americanos começaram a virada com o lançamento do (enfim) primeiro satélite de comunicações, o Telstar, iniciando uma nova era e consagrando os dons premonitórios de Clarke. Na reta final, os americanos venceram a parada definitivamente, com a chegada da Apollo 11 e dos primeiros seres humanos à Lua. Era julho de 1969 e 2001- Uma Odisséia no Espaço já era um sucesso de bilheteria. Faltava um ano para a Copa do Mundo 70, aquele inesquecível torneio em que nossa seleção fez gato-e-sapato dos adversários e se sagrou tri-campeã.

O detalhe interessante é que graças aos satélites de comunicação e avanços nas telecomunicações promovidos pelo Regime Militar, que à época conduzia o País com rédea curta, os 90 milhões de brasileiros de então pela primeira vez viram ao vivo e em tempo real, via TV, o nosso glorioso time em ação em uma Copa do Mundo realizada em terras estrangeiras.

Antes, a torcida verde-amarela tinha que se contentar com transmissões radiofônicas, filmes e vídeos que nos chegavam às vezes dias depois dos jogos. (Paulo Martinelli/Da Agência Anhangüera)


A DATA

1985

Foi o ano em que o Brasil lançou seu primeiro satélite de comunicação, o Brasilsat A-1


Brasil foi um dos pioneiros na tecnologia de fibra ótica

A fibra ótica é um dos atores de maior destaque na história das telecomunicações modernas. Imune a interferências, leve a com grande capacidade de transmissão (até 1 milhão de vezes maior do que o cabo metálico comum), a fibra pode ser explicada como um tubo de paredes espelhadas por onde trafega a luz carregando informação digitalizada. Um feixe de laser que corre pelo tubo acende e apaga como um pisca-pisca ultra veloz, gerando o código de zeros e uns de Leibniz e George Boole.

O Brasil foi um dos primeiros países a dominar a tecnologia da fibra, sobretudo graças à Unicamp. Encabeçado pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), entidade instalada em Campinas, o Projeto Giga é um exemplo de uso de recursos da fibra óptica. Trata-se de uma rede ultra-veloz que interconectando instituições de ensino e pesquisa em diferentes cidades, incluindo Unicamp, Universidade de São Paulo (USP) e o próprio CPqD. Para se ter uma idéia, essa rede é 4 mil vezes mais veloz que os serviços de banda larga da internet à disposição no mercado. (PM/AAN).
Fonte: Correio Popular - Especial Cenário XXI
11 de junho de 2006

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O céu profundo e escuro sempre fascinou o homem desde a Antigüidade. À medida que a História do homem avançava com a sua tecnologia, foi ficando cada vez mais claro que descobrir o que nos rodeava era apenas uma questão de tempo. Somam-se a isso, as antigas disputas territoriais, que, de uma maneira ou de outra, sempre contribuíram para o progresso de uma nação em relação às outras. Pensava-se antes que, quem dominasse os mares dominaria a Terra; depois, que quem dominasse os ares, conquistaria também a Terra. De modo que, inevitavelmente...

Depois que o homem pisou na superfície da Lua pela primeira vez, em 20 de Julho de 1969, o céu acabou ficando pequeno. Nunca antes o ser humano tinha ido tão longe de casa quanto nesse dia. Realmente, um grande passo para a humanidade foi dado nessa época. À partir daquele momento, a raça humana entrou para o clube - que nem sequer sabemos se existe - das raças interplanetárias. Finalmente, saímos do nosso berço para explorar o que se nos avizinha.

Mas ir para a Lua não é nada. O nosso Sistema Solar compreende nove planetas, dezenas de luas, centenas de cometas e milhares de asteróides, o que nos impõe mais um delicado problema: para onde ir agora?

Marte tornou-se o que é chamado no jargão astronáutico de "o próximo passo lógico" e não poderia deixar de sê-lo. Vênus é o planeta mais próximo da Terra, mas as condições que reinam na sua superfície são totalmente desagradáveis. Já Marte, o segundo planeta mais próximo de nós, tem uma série de condições - atmosféricas principalmente - que parecem até convidativas.

Mas, para ir a Marte, seria necessário um outro desenvolvimento tecnológico e, pela primeira vez, um desenvolvimento humano no espaço como não tinha acontecido até então.

Na época das naves Apollo que foram para a Lua, o espaço interno era muito pequeno e apertado para que os astronautas pudessem desenvolver qualquer tipo de pesquisa ou mesmo ter um certo conforto. Mesmo antes, com as naves norte-americanas Mercury e Gemini e as soviéticas Vostok e Voskhod, as dependências não eram agradáveis: eram apenas cubículos onde os astronautas ficavam durante praticamente todo o vôo. A viagem para a Lua, incluindo ir, ficar e voltar, demora, em média, uma semana, dependendo do tempo de permanência na superfície da Lua. Já uma viagem a Marte é algo muito mais complexo. A viagem de ida demora em torno de seis meses, mais um ano e meio na superfície e mais seis meses para voltar. Total: dois anos e meio!

Até o começo da década de 70 ninguém tinha ficado mais que 14 dias no espaço, façanha realizada pelos astronautas Jim Lovell - que voaria depois na famosa Apollo 13 - e Frank Borman, numa das naves da série Gemini. Depois que os soviéticos "perderam" a corrida para a Lua, algumas "línguas" disseram que eles agora queriam ir a Marte e sabiam que não seria fácil. Tal afirmação nunca chegou a ser totalmente confirmada, mas o fato é que os soviéticos, em Abril de 1971, lançaram a primeira estação espacial em órbita da Terra, a Salyut 1, tripulada por Dobrovolski, Volkov e Patsayev, e permaneceram em órbita por 22 dias.

A Salyut 1 era um cilindro com 15,8 metros de comprimento por 4,15 metros de largura e dentro havia um tocador de fitas cassete, uma "mesa" para refeições, uma pequena biblioteca com alguns livros e, pela primeira vez, os cosmonautas - como são até hoje chamados os "astronautas" russos - podiam dormir em pé! Parece estranho "dormir em pé", mas o fato era que havia um lugar reservado para as "camas" e estas eram presas às paredes da estação. Como no espaço nem é possível definir "em cima" e "em baixo", não importa o jeito que se durma!

Infelizmente, depois de 22 dias no espaço a tripulação da Salyut 1 morreu durante a descida, devido a uma falha na pressurização da nave que os traria de volta. A Salyut 1 caiu, o que estava totalmente previsto e sem ninguém a bordo, no dia 11 de outubro de 1971, permanecendo seis meses no espaço.

Existiram várias estações Salyut. Descontando as que falharam no lançamento, as Salyuts 6 e 7 eram a segunda geração de estações espaciais. As primeiras versões da Salyuts tinham apenas uma porta de docagem, ou seja, para entrar e sair da estação, só por um lado. Já com a 6 e 7 existiam duas portas, possibilitando que duas tripulações visitassem a estação ao mesmo tempo e com naves diferentes.

Para se ter uma idéia da evolução desse novo tipo de artefato espacial, a Salyut 7 subiu em abril de 1982 e foi desativada em junho de 1986. Nesses quatro anos de uso muitas experiências médicas, astronômicas, físicas e químicas foram realizadas. A Salyut 7 caiu em fevereiro de 1991 e alguns pedaços foram encontrados na Argentina.

Os norte-americanos também investiram numa estação espacial na década de 70. O Skylab, primeira e única estação espacial norte-americana até o momento, era, na verdade, o terceiro estágio do poderoso foguete Saturno V, que havia levado os homens à Lua anos antes. O Skylab subiu em maio de 1973 e contou com três tripulações diferentes em quase um ano de atividades. A última tripulação deixou o Skylab em fevereiro de 1974 e ficaram lá em cima por 84 dias. Durante esse período muitas experiências foram realizadas, como observações do Sol e do cometa Kohoutek - que passava na época -, pesquisas de recursos naturais terrestres e dezenas de experiências médicas. Caiu em julho de 1979 e sua queda foi a mais comentada e coberta pela mídia em todo o mundo. Vários pedaços foram encontrados no deserto da Austrália.

Enquanto a antiga União Soviética insistia no seu programa de estações espaciais, os Estados Unidos resolveram construir um veículo mais ambicioso. Como o preço para uma viagem ao planeta Marte era extremamente elevado - orçado hoje em 250 bilhões de dólares - seria interessante "começar devagar". Primeiro fator a ser mudado: ter uma nave que fosse capaz de ir ao espaço sem ter que se construir outra nave a cada missão. Nasceu, então, o programa Space Shuttle - conhecido como Ônibus Espacial - que consistia num veículo que podia ir ao espaço, voltar à Terra, ir ao espaço novamente, voltar para a Terra...

O primeiro vôo desse novo conceito de nave espacial ocorreu em 12 abril de 1981 com o veículo Columbia, tripulado pelo comandante John W. Young - que já tinha voado no projeto Gemini e nas Apollo 10 e 16 - e pelo piloto Robert Crippen, na época ainda novato. Pois bem, no dia 12 de abril de 2001, serão comemorados os 20 anos de um veículo que trouxe grandes mudanças nos vôos espaciais tripulados.

Mas qual é a missão principal do ônibus espacial? Para que ele foi construído? Para ir a Marte? Com certeza, não. A missão principal era construir e realizar manutenções periódicas e dar apoio logístico à estação espacial. Mas qual estação espacial? Qualquer uma. A idéia era que o ônibus seria o veículo de ligação permanente entre a Terra e o espaço.

Depois dos sucessos dos primeiros anos de operação dos ônibus espaciais, decidiu-se construir a estação espacial norte-americana Freedom, que não chegou a sair do papel devido aos custos literalmente astronômicos. Sem uma estação espacial, os quatro ônibus espaciais - Columbia, Discovery, Atlantis e Endeavour - existiam sem realizar a sua principal missão, aquela para a qual eles foram criados e desenvolvidos. Dessa maneira, os ônibus espaciais continuaram sendo apenas um veiculo com viagens espaciais rotineiras.

E por falar em missões dos ônibus espaciais, não seria justo não registrar o mais famoso acidente espacial da História da Astronáutica. Em 28 de janeiro de 1986, aos 76 segundos da decolagem, explodia nos céus da Flórida o ônibus espacial Challenger, levando sete astronautas, entre eles uma professora do equivalente norte-americano ao nosso ensino fundamental. Na verdade, o conjunto do ônibus espacial é formado por dois foguetes de combustível sólido (SRB), por um tanque de combustível externo (ET) - combustível: hidrogênio e oxigênio líquidos - e pelo próprio ônibus espacial. O intenso frio que se registrou nos dias antes do lançamento fez com que as borrachas de vedação dos foguetes de combustível sólido não resistissem às temperaturas extremas e, como conseqüência, ao se acender os SRBs uma das borrachas se rompeu justamente do lado do tanque externo. Os jatos extremamente quentes que saíam por esse "orifício" ficaram lentamente perfurando as paredes do ET até que, depois de 76 segundos de vôo...

O que realmente explodiu foi aquele enorme cilindro vermelho onde o ônibus espacial se acoplava e, quando isso aconteceu, o Challenger, devido a pressões aerodinâmicas fortíssimas, quebrou totalmente. A cápsula pressurizada onde os astronautas ficavam resistiu à força da explosão, mas o impacto com as águas do Atlântico a 3214 km/h foi decisivo. Ninguém sobreviveu.

Mas o ônibus espacial não tem somente histórias tristes. Muitas proezas foram realizadas nesses 20 anos de serviço. Dentro do desenvolvimento humano no espaço, em fevereiro de 1984 pela primeira vez um ser humano se viu livre de qualquer ligação com a nave que o trouxera ao espaço. Bruce McCandless foi o primeiro astronauta a flutuar solto no espaço, sem o "cordão umbilical" com o ônibus espacial. Para se locomover no espaço, McCandless havia levado um "mochila" conhecida como Unidade Tripulada de Manobras (MMU) e, através de jatos de gás nitrogênio, foi possível "caminhar no espaço" sem problemas. McCandless se tornou o "primeiro satélite humano"!

Os ônibus espaciais levaram os europeus para o espaço através do Spacelab, um cilindro que cabia no compartimento de carga do ônibus espacial, desenvolvido pela Agência Espacial Européia (ESA) para demonstrar a capacidade de se conduzir pesquisas num ambiente tão adverso quanto o espaço. No Spacelab foram feitas pesquisas em Astronomia, Física, observações da Terra, Biologia, Ciência dos Materiais, Física da Atmosfera e tecnologias, ampliando, assim, o desenvolvimento humano no espaço.

Os ônibus espaciais levaram e consertaram o Telescópio Espacial Hubble, lançaram várias sondas interplanetárias como a Magalhães (Vênus) e a Galileo (Júpiter), o Telescópio Chandra, lançaram e consertaram em órbita dezenas de satélites, sem contar as centenas de horas de Atividades Extra-Veiculares (EVA), quando os astronautas saem da nave para "passear no espaço". Centenas de pesquisas científicas nas diversas áreas do conhecimento humano foram realizadas, inclusive uma para o Brasil, levada a cabo em 1997. Levaram para o espaço animais - abelhas, aranhas, galinhas, entre outros, embora os soviéticos também já tinham feito isso antes dos norte-americanos, só que em naves mais modestas e com objetivos diferentes - pesquisaram a conduta do corpo humano, tanto física como psicologicamente, dormiram em pé ou alojados no teto do veículo, "brincaram" no ambiente sem gravidade e trabalharam muito. Os astronautas dizem que não existe pôr-do-sol mais maravilhoso que o visto do espaço... deve ser mesmo!

Enquanto isso, do outro lado do mundo, a então União Soviética, no mesmo ano em que o Challenger explodiu, lançou o primeiro módulo da estação espacial Mir, a primeira estação permanente. Lançada em 19 de fevereiro de 1986, foi completada pelos russos em 1996, com o lançamento do último módulo, o Priroda.

A Mir é uma estação espacial totalmente independente e auto-suficiente. A água, o ar e os sistemas de temperatura e de pressão eram providos e mantidos por ela mesma. É evidente que a comida e alguns "acessórios" eram enviados da Terra por meio de veículos não tripulados conhecidos com o nome de Progress. A diferença básica entre as estações Salyut, o Skylab e a Mir era que esta última podia se sustentar no espaço. Esta estação tem 2 motores principais que, com o passar do tempo, faziam a correção na órbita para que a Mir não caísse. Isso justifica o termo "permanente" usado acima. O tempo de vida útil previsto para a Mir era de nove anos - no máximo 10 - no espaço. No entanto, ela está lá há quase quinze anos e nesse tempo todo foram realizadas mais de vinte mil experiências científicas para vários países. Ela foi visitada diversas vezes pelo ônibus espacial norte-americano entre 1995 e 1997 num ensaio geral da construção da Estação Espacial Internacional. A Mir já abrigou, além de soviéticos e russos, um jornalista japonês, um astronauta islâmico, além de franceses, italianos e norte-americanos. Depois da queda do Império Soviético, ocorrida entre os anos de 1989 a 1991, o espaço ficou mais democrático...

Se a intenção era treinar longos períodos de permanência humana no espaço para uma viagem a Marte, a Mir detém todos os recordes até hoje. Já houve missões que ficaram 141 dias no espaço, 176, 186, 191, 366 e assim por diante...

A antiga União Soviética também tinha o seu "ônibus espacial". Não comentar sobre ele não seria justo também. O Buran (Nevasca) teve o seu projeto iniciado em 1976, numa clara resposta ao mesmo programa americano. O seu primeiro e único vôo aconteceu em 1988 e foi totalmente automático, sem tripulantes. Esse vôo durou apenas uma órbita, de, aproximadamente, uma hora e meia. Tal vôo foi curto assim devido à capacidade de memória dos computadores do Buran. Neles, tinham que ser programados o lançamento, as atividades em órbita e o pouso e, como lá não cabia muita coisa, a opção era realizar uma única volta em torno da Terra. Depois disso, o Buran nunca mais voou. Atualmente, o Buran "enfeita" shows de aviação pelo mundo.

A famosa ISS, a Estação Espacial Internacional, da qual o Brasil participa através de um consórcio que inclui outros quinze países, terá o mesmo desempenho da Mir, ou seja, será uma estação espacial permanente, auxiliada por motores de correção de órbita. Evidentemente, o espaço interno da ISS é muito superior ao da Mir. A ISS comportará com muita folga sete tripulantes. Poderia ser mais? Não. Em caso de pane ou de algum mal funcionamento que torne a presença humana ameaçada dentro da estação, existe um módulo de fuga que só é usado em casos extremos... e, como esse só comporta sete astronautas...

Pois bem, a participação brasileira nesse projeto é mínima, mas existe e é imprescindível. O Brasil, o único país do terceiro mundo no projeto, vai contribuir com 0,25% do total do preço, orçado em torno de 60 bilhões de dólares. Esses 0,25% dão certos privilégios ao Brasil como, por exemplo, ter 0,25% do tempo útil de pesquisas para o Brasil. Os equipamentos feitos aqui têm sempre um local reservado para experiências puramente brasileiras. Além disso, a presença de um astronauta brasileiro também é cogitada. Assim sendo, o major da Força Aérea Brasileira, Marcos Pontes, está sendo treinado em Houston, Texas, para poder voar para a ISS dentro de alguns anos.

Engana-se quem pensa que os astronautas-pesquisadores vão trabalhar sentados numa mesa cercados de equipamentos sofisticados, com microscópios e outras coisa. Na verdade, dos diversos módulos que compõem a ISS, alguns são laboratórios científicos por natureza. Dentro desses módulos estão armazenados em "caixotes" todos os materiais científicos necessários. Um departamento de Física inteiro cabe num desses módulos. Assim, o astronauta só tem que puxar uma caixa, colocar o experimento e esperar pelos resultados.

A ISS é o maior complexo já montado no espaço. Será, como já está sendo, facilmente visível a olho nu. Terá 110 metros de comprimento por 88 metros de largura. O seu brilho no céu deve se equiparar ao de Vênus, o astro mais brilhante depois do Sol e da Lua. A altitude da órbita é de 406 quilômetros e a sua inclinação é de 51,6 graus. O valor dessa inclinação permite que todos os países do mundo, no seu devido horário, possam ver a ISS passando e brilhando no céu. Essa inclinação é a mesma da Mir.

A construção da ISS começou em 20 de novembro de 1998 e estima-se que esteja pronta em abril de 2006. É esperar para ver. Cada tripulação da ISS deve ficar no espaço de três a seis meses e dificilmente baterão o recorde de permanência no espaço, que pertence aos russos. Mas, depois de pronta e funcionando, quem sabe...

Como foi dito, é muito provável que tais esforços estejam sendo dirigidos para se alcançar Marte daqui alguns anos. A espécie humana é uma raça exploradora por natureza e um campo tão vasto quanto o espaço, antes de trazer medo ou aversão, deixa para nós uma esperança de paz e união para todo o mundo.

Esse artigo é uma homenagem à Estação Espacial MIR.

Ronaldo Garcia é monitor voluntário do Setor de Astronomia do Centro de Divulgação Científica e Cultural da Universidade de São Paulo do campus de São Carlos desde 1989, com especial interesse na Astronáutica e na Computação Gráfica, e responsável por algumas animações multimídia para ilustrar a Astronomia e Astronáutica.

http://www.comciencia.br/reportagens/espaco/espc08.htm

Este é o blog que usa meus conteúdos sem fonte

http://www.portaldovestibular.com.br/conversando-sobre-os-indios-arlete-fonseca/

NÃO* estude por este blog que citei. Você acredita em energia? Eu acredito. Energia positiva vem das boas intenções. O resto é o breu, a obscuridade. É a mesma energia que compra Enens. Deu certo? Dá até um tempo. Depois....

Eu já gravei o site todo. Até matéria da BBC não tem link. Ela já foi comunicada.

http://www.portaldovestibular.com.br/conversando-sobre-os-indios-arlete-fonseca/
Este blog faz meses usa meus conteúdos e não coloca fonte, ele infringe regras. Se você achou no google este link fique atento. Diz-se de educação, mas é o que lhe falta, ética, transparência, decência. Não se usa material de outro, a não ser que coloque o link abaixo, é o que faço SEMPRE.

Denuncie. O problema é que o dono(s) do site não tem rosto, não se identifica. Mas estou providenciando localizá-lo. Inclusive, mandei carta para o Estadão. É preciso que ao menos na área da Educação os ''donos'' de site ajam de maneira ética.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

INventei esta bobabem, o site fantasma copiou, nem critério de escolha tem


Foto. Petruvsa Linivitz, Moscou, 1942.

Petruvsa Linivitz, no ano de 1942, foi condenada a dez anos de prisão. Causa: ousou vestir uma minissaia de bolinhas e dar uma palestra com essa avançada - para a época - vestimenta. Seu marido a entregou ao Partido, proferindo as palavras: "Lenin não apreciaria! ". No cárcere, foi humilhada pelas companheiras e, quando saiu de lá, o marido - ajudado pelo concunhado - trancou-a no porão por sete anos e meio, justificando a conduta: "Ela foi desleal com todos deste país. Usou roupa americanizada!".
Algum tempo mais tarde, Pretruvsa viajou aos EUA e lá cursou Sociologia onde escreveu o livro "Humanos e Tridentes", no qual aborda a origem da violência humana. Para a estudiosa, os homens ainda conservam plenamente sua ferocidade e , quando não a praticam, é porque foram reprimidos por seus pais.
PROPOSTA
Escreva-lhe uma carta parabenizando-a pela tese e argumente; caso discorde, escreva-lhe também.
Recorte temático com base na questão: ainda conservamos nossa ferocidade?

Leia, se tiver tempo, este texto aqui:
http://www.contaoutra.com.br/noticia.asp?id_blog=3303

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

PROPOSTA DE DISSERTAÇÃO. Novo desafio em tempo de internet: o direito autoral


Escreva uma dissertação na qual você discuta o direito autoral. Afinal, o que vale mais, a transmissão do conhecimento, ou o subjetivismo da produção autoral?
Observe os conteúdos dos dois links - iguais - e veja como são fluidas e eficazes a apropriação indevida e a transmissão de saberes.
http://www.portaldovestibular.com.br/conversando-sobre-os-indios-arlete-fonseca/


http://atimidaelegante.blogspot.com/2009/10/oiiee-rose-essas-perguntas-sao-muito.html

ATENÇÃO
Este texto fui em quem organizou e escreveu com base nas palavras de Arlete Fonseca, socióloga e amiga. No entanto, um site apropriou-se dele, sem colocar créditos para mim.
Creio que faça isso , em breve,

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E é Rose Marinho Prado ( eu kkkk) quem diz:
"Escolho os textos...os melhores autores. Invento as questões, não é justo usarem esse material e não ponham crédito para mim; em especial, quando o texto for meu". Para os autores colocam! Isso me deixa tranquila. Ai se não colocassem! Mas por que não para mim? Oh!
"

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Treino para a Redação da Unicamp. Proposta de Carta Dissertativa. Assunto, drogas; delimitação, o crack


Escreva uma carta ao autor, concordando com ou discordando das ideias dele. Mas aconselho você a buscar a ideia núcleo, antes de começar seu trabalho de redação. Caso necessite, informe-se mais sobre essa droga ( ainda há tempo para você se informar, temos alguns dias, antes dos vestibulares mais concorridos).

A venda de crack dissipou (ou deveria dissipar) o resto da aura romântica e rebelde que envolve o tráfico. VENDER CRACK é CRIME HEDIONDO e devia ser tratado assim. Porque o que está sendo vendido é – sem nenhuma controvérsia – PURO VENENO.

Dizer que as outros drogas também são veneno é, nesse caso, um jogo de palavras. Ainda que a COCAÍNA vendida seja cada vez mais misturada com anfetaminas e outros produtos que em comum têm apenas a semelhança e que a maconha receba, além da mistura com outras ervas, tratamanetos com amônia e mesmo urina para ter seu cheiro atenuado, nada se compara ao CRACK. Porque o crack é, em si mesmo, um veneno.

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http://www.cafeimpresso.com.br/?p=1735

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http://chosenfast.com/2007/06/12/the-7-stages-of-crack-cocaine-use/

sábado, 31 de outubro de 2009

Conversando sobre os índios. Arlete Fonseca.


Esta é a Arlete e seus cabelos sedosos


No início deste ano, envolvi-me nas lutas pela volta do lago da Aclimação. O lago parece que não voltou. U lá lá. Colocaram águas, mas nada apropriadas para a criação de espécies tais quais as que viviam por lá, os patos, gansos, carpas. Acho que agora o aguaceiro está bom para os mosquitos, também são gente, ora bolas.
Triste, né?
Foi nessa época conheci a Arlete. Ver perfil no link.
Socióloga. Mas adora mesmo é a natureza. Fora que compete em corridas, a pé, de bicicleta e faz trilhas em lugares até inexistentes (rs). Bastante solar, não?

Conversa com a Arlete.
Fiz perguntas, assim, de modo rápido, as quais ela, assim, de modo rápido. Perguntas meio bestas, mas as respostas é que valem muito. Conversar é bom.
Leia o texto que é muito bom.

Uma música para você, Arlete. Prepare-se que logo quero outra conversa. Há tanto a conversar não é?

http://www.youtube.com/watch?v=6uEu4hLN0Zc


Conhece casos de índios brasileiros com depressão?

Oiiee, Rose, essas perguntas são muito complexas, rsrs.
Para saber todas precisamos fazer um estudo da cultura indígena. Índio com depressão por ex. tem toda uma discussão da formação do inconsciente das sociedades ocidentais e cristã que não cabe na estrutura da cultura indígena em função do que criamos em relação as proibições como: desejos, incesto, padrões morais, etc. Nas sociedades indígenas há outra lógica para essas questões, porém, na atualidade houve casos de suicídio em algumas etnias que não me lembro qual foi, porém isso acredito que se deva a inserção da cultura e padrões da ocidental e ocorreu e ocorre problemas e conflitos com a identidade desses povos e como lidar com a tradição em tempos modernos.


Fale sobre o canibalismo entre os índios.


Então, as diversas etnias assim como nós tb. lutavam pela posse do território para preservar sua cultura e tradição. Construir sua história nesse espaço social. Qdo outra etnia queria invadir para ocupar, conquistar, surgia a guerra, o conflito para impedir, como ocorre como nós. Comiam pq. muitos eram canibais e fazia parte da cultura, sem esse conceito de temos avesso a comer carne humana. Canibalismo entre os índios tem suas especificidades. Acredito que haja a questão para reverendar, homenagear alguem ou algo ou no caso de inimigos para tomar posse no sentido amplo. Devorar ele para assumir minha vitória. Não sei direito. Cada povo indígena tem características diferentes.
E preciso frisar que povo indígena não é um só e todos são iguais. Há muitos, muitos povos indígenas e cada um é diferente em tudo. Estórias, contos, lendas, atuação, cultura, enfim.


Há muitas diferenças culturais entre as diversas tribos indígenas?

Cada povo, linhagem indígena possui muitas diferenças em tudo. São as particularidades de cada povo indígena que mostra sua cultura própria. Existe toda uma estrutura social que diferencia um povo do outro. Isso é de forma ampla. Os povos indígenas como incas, maias, astecas, os americanos e os nossos povos tb. aqui no Brasil que tem acredito que mais de 1 centena de povos: dialetos, formas, costumes, hábitos, enfim, tudo


Fale mais sobre o canibalismo.


Então, as diversas etnias assim como nós tb. lutavam pela posse do território para preservar sua cultura e tradição. Construir sua história nesse espaço social. Qdo outra etnia queria invadir para ocupar, conquistar, surgia a guerra, o conflito para impedir, como ocorre como nós. Comiam pq. muitos eram canibais e fazia parte da cultura, sem esse conceito de temos avesso a comer carne humana. Canibalismo entre os índios tem suas especificidades. Acredito que haja a questão para reverendar, homenagear alguem ou algo ou no caso de inimigos para tomar posse no sentido amplo. Devorar ele para assumir minha vitória. Não sei direito. Cada povo indígena tem características diferentes.
E preciso frisar que povo indígena não é um só e todos são iguais. Há muitos, muitos povos indígenas e cada um é diferente em tudo. Estórias, contos, lendas, atuação, cultura, enfim.


Entre eles, os índios são violentos, Arlete?No livro Iracema, lutavam muito.

Em relação a violência gratuita nunca soube disso, mas muitas etnias são mais agressivas que outras no sentido de comando, de poder e território. Há várias etnias indígenas e umas são mais guerreiras por ex. que algumas. Sei que os cinta larga, os guaranis e muitas outras são mais bravas. Vejo isso como natural, parte da identidade e linhagem. Agora violência como a que praticamos por vaidade, egoísmo, ganância, etc. , não, pois a estrutura social deles tem outros princípios. Com certeza deve existir conflitos mas são outros ou até existir a vaidade para demosntrar liderança, etc. mas não tem a proporção como ocorre com o vemos em outras sociedades como a nossa.


Há índios poetas?

Poetas, acho que todos são porque os cantos, contos, lendas, são lindos e tem uma lógica em relação a ancestralidade da sua etnia.
As manifestações culturais e artísticas deles são para contar sua história, seja no artesanato, (nos desenhos na palha), na música, nas estórias... tudo isso é muito bonito e poético.


Há índios homossexuais?

Qto a homossexualidade acredito que exista sim, mas não saberia te informar com precisão. Pode postar minhas respostas sim, mas não sou nenhuma conhecedora de cultura indígena. Deixa claro pq. senão vai cair em cima de mim, kkkkkkkk


Os índios cultuam a fama? Há índios famosos, assim, uns para os outros?

Então, esse caso de fama eu desconheço pq. acredito que a fama para eles está ligada em outro contexto, como domínio, poder, ritual de passagem, liderança, guerreiro, fama com fim nela mesma acho que não. Acho que esse conceito nem tem muito fundamento para as etnias indígenas. Com relação a guerra tem fundamento no domínio de território e isso em todas as culturas existe. É só lembrar por ex. das lutas travadas pelos países da europa por domínio e expansão de território. Até hj. temos demonstração disso. Os índios tb. tem para preservar seu território e cultura, descendência. Os índios americanos tb. guerrearam muito e são "bravos" tb. Eles lutam até hj pelo direito e retorno de seu território. Um homem sem terra não constrói um lar, sua vida. A ocupação de terra é fator importante para construção de uma sociedade


http://www.google.com/profiles/100795239893503505305

Blog sobre o problemaço do Lago da Aclimação ( meu e da Arlete)

http://lagoaclimacao.blogspot.com/


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Arlete, morreu Lévi-Straus


http://noticias.uol.com.br/album/091103_jogosindigenas_album.jhtm

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Proposta de Redação, carta, com base no Manifesto contra o PL da dislexia

Proposta


Manifesto contra o PL da dislexia

Está em andamento na Câmara Municipal de São Paulo um Projeto de Lei (PL) que propõe serviços especializados em dislexia voltados a alunos da rede municipal de ensino.

Tende a atribuir a um suposto distúrbio neurológico genético dos alunos a explicação para suas dificuldades em aprender a ler e a escrever produzidas, essencialmente, por problemas no ensino, estigmatizando-os.

Duplica ações de competência da Saúde, do SUS, dentro de uma concepção retrógrada de assistência à Saúde e de relações entre Saúde e Educação.

É um dos diversos Projetos de Lei que estão em trâmites no Brasil centrados na dislexia, sem questioná-la. É parte do processo de patologização de questões sociais e de dificuldades escolares em especial.

É preciso que a sociedade seja informada sobre o quanto o conceito de dislexia é polêmico, que defenda suas crianças e adolescentes, a Educação e as conquistas do SUS.

O texto do referido PL está no site da Câmara Municipal de São Paulo.



http://www.crpsp.org.br/crp/midia/noticias/dislexia.aspx

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Proposta de redação. Comportamento.

Analise a nova tendência social: viver sozinho.


No lugar das tradicionais e efusivas discussões familiares, o jantar é marcado pelo tilintar de apenas um par de talheres. Em vez de crianças eufóricas correndo pela casa, os corredores estão vazios e silenciosos. Antes de dormir, não há companhia para ver tevê. A tendência é mundial. Cada vez mais homens e mulheres moram sozinhos. Na Inglaterra, o índice de domicílios habitados por uma única pessoa é de 30%. Nos Estados Unidos, alcança os 25% - em Nova York, a meca dos solteiros, mais da metade da população (50,6%) vive só. No Brasil, o número de indivíduos que moram sem companhia também aumenta a cada ano. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2008, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 11,6% dos brasileiros não dividem o teto com ninguém. Há dez anos, esse índice era de 8,4%.

Até recentemente, o "morar só" era inevitavelmente relacionado a "ser só". E essas pessoas, geralmente com problemas de relacionamento ou idosos, carregavam o estigma de isoladas e abandonadas. Hoje, essa condição virou um estilo de vida, graças a um boom de jovens que têm deixado a casa dos pais em busca das tão almejadas liberdade e autonomia. Segundo uma corrente de cientistas sociais com voz cada vez mais ativa, quem mora sozinho é menos solitário do que se supunha e desfruta da vida em comunidade. "Muitos são jovens independentes, que consideram isso uma conquista", diz o sociólogo e cientista político Antonio Flávio Testa, professor da Universidade de Brasília (UnB). "Eles batalharam para ter seu canto e não se sentem sozinhos porque têm o apoio de familiares e amigos."

Rotina A vida agitada das grandes cidades contribui para o desejo das pessoas de se isolar

A tendência começou a ser moldada há duas décadas na Europa. Naquela época, os países desenvolvidos registravam um aumento significativo na expectativa de vida de seus cidadãos. Com isso, os idosos passaram a ter uma vida autônoma. Na maioria das vezes, eram senhores (as) viúvos (as). O perfil desse morador está se transformando, especialmente nos grandes centros urbanos, onde é comum ver jovens independentes partindo para uma vida solo. Não é, necessariamente, uma condição definitiva.

Ao encontrar um parceiro, eles deixam para trás os dias de egoísmo, as vantagens de não ter de dar satisfação a ninguém e o conforto de ter uma casa só deles para dividir o espaço das escovas de dente e constituir família. No Brasil, a maioria dos moradores solitários continua sendo a população mais velha - 40% têm mais de 60 anos. Mas as faixas etárias mais jovens estão ganhando espaço: 11,4% deles têm entre 20 e 29 anos e 13,2%, entre 30 e 39 anos. "O ato de morar sozinho, que outrora evocava debates sobre solidão, começa a ser associado a melhores condições de vida", analisa a socióloga Ana Lúcia Sabóia, do IBGE.

Precisa continuar lendo

http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2085/artigo154639-1.htm

sábado, 24 de outubro de 2009

Por Mike Collett-White

LONDRES (Reuters) - A ascensão vertiginosa de Susan Boyle de desempregada escocesa que trabalhava como voluntária na igreja à superestrela global teve um preço e está sendo vista como história que encerra lições para a era das celebridades.

A performance da cantora de 48 anos cantando "I Dreamed a Dream" no programa de calouros "Britain's Got Talent" em abril foi baixada quase 200 milhões de vezes na Internet, e em questão de dias Boyle estava fazendo manchetes em todo o mundo.

Equipes de TV acamparam diante da casa onde ela vivia sozinha com seu gato, os apresentadores Larry King e Oprah Winfrey a convidaram para seus programas de TV nos EUA, e os tablóides passaram a seguir cada passo que ela dava.

Mas, à medida que a pressão sobre ela aumentava antes da final do programa, no sábado, na qual Boyle era vista como favorita absoluta para vencer, a cantora teve um acesso de raiva e ameaçou desistir de concorrer.

No domingo, depois de sua derrota inesperada pela trupe de dança Diversity, a cantora foi internada numa clínica de Londres que trata pessoas com problemas de saúde mental, sofrendo de exaustão. O tablóide The Sun informou que ela teria tido "um colapso emocional".

David Moxon, psicólogo especializado em estresse, comentou: "Ser famoso não é tudo o que dizem, e a ideia de que você possa ter uma vida pessoal e também uma vida na mídia muitas vezes é conflitante".

"Deve ser difícil ser perseguida pelas pessoas quando se caminha pela rua."

"Não acho que Boyle tenha procurado propositalmente virar celebridade. Ela foi motivada pelo amor pelo canto, e essa é a parte triste dessa história, que mostra que a fama cobra seu preço."

Moxon e outros disseram que é impossível prever a reação que as pessoas terão diante da pressão. O fato de Boyle ter sofrido falta de oxigênio ao nascer, levando a dificuldades de aprendizado, como revelou o jurado do programa Piers Morgan, pode ter afetado sua capacidade de lidar bem com a pressão.

REAÇÃO CONTRÁRIA

Especialistas indagam se programas como "Britain's Got Talent" e "American Idol" não seriam desnecessariamente crueis.

O jurado Simon Cowell, em particular, é conhecido pela aspereza com que critica alguns artistas menos talentosos, às vezes sob os olhares de dezenas de milhões de pessoas.

Uma das finalistas ao lado de Boyle, Hollie Steel, de 10 anos, chorou enquanto se apresentava na semifinal e suplicou para que lhe deixassem tentar novamente. Para muitos, era jovem demais para participar do programa.

E uma candidata potencial ao "American Idol" ridicularizada por Cowell após sua audição teria cometido suicídio em novembro diante da casa da jurada Paula Abdul.

O jurado Piers Morgan comentou: "Não há nada que os britânicos --e eu sou tão culpado quanto todos-- gostem mais do que criar um grande hype em torno de pessoas e depois derrubá-las ao chão".

A aparência desarrumada de Boyle e seu jeito idiossincrático desafiaram a ideia que as pessoas fazem de como deve ser uma celebridade, levando comentaristas a indagar por que as pessoas ficaram tão surpresas pelo fato de uma mulher descrita como "desleixada" e "anjo peludo" pudesse ser tão talentosa.

Embora ela não tenha saído vencedora do "Britain's Got Talent", e apesar das dúvidas quanto a sua capacidade de lidar bem com pressões, os especialistas prevêem um futuro brilhante para a cantora.

Em meio a relatos de que a gravadora de Simon Cowell estaria prestes a fechar um contrato com Susan Boyle, o jurado Piers Morgan disse: "Prevejo que dentro de alguns meses ela terá um álbum saindo e tendo vendas enormes, e que outros virão depois".

Os corretores de apostas britânicos já estão aceitando apostas de que Boyle gravará uma canção que será No.1 nas paradas britânicas e americanas e que ela aparecerá num musical no West End londrino até o final do ano.

NOVA FAMILIA

Quem é a mulher do pai?

A trágica morte da menina Isabella Nardoni, em que o próprio pai e a madrasta são os principais suspeitos do assassinato, trouxe à tona o debate sobre o papel das mulheres que assumem a função de mãe nos fins de semana. O triste episódio serviu para alimentar a desconfiança de ex-mulheres (mães de crianças que passam o fim de semana com o pai e com a nova mulher do pai) em relação às novas “madrastas” (que passam os finais de semana e férias com os filhos do marido). Os medos de ambas as partes, reais ou imaginários, encontram terreno fértil em situações como essa, predispondo a reações em massa de natureza violenta defensiva.

Os inevitáveis conflitos nessa delicada relação aumentam na medida em que crescem o número de novas famílias que se formam depois da separação. A mulher do pai, sempre identificada como a “madrasta bruxa”, sofre com o preconceito e, principalmente, com estranha posição em que ela se encontra na família.

No livro A mulher do pai, lançado pela Summus Editorial, a filósofa Fernanda Carlos Borges ajuda a compreender essa estranha posição nas famílias pós-divórcio. Posição tão estranha que nem sequer é adequada ao lugar da madrasta, já que a concepção servia à mulher que casava com pai viúvo e que herdava da mãe, direitos e deveres, assim como seu mérito social. Embora também fosse tida como imperfeita, havia certa compreensão sobre seu papel.

“A atual mulher do pai, ao contrário, não tem mérito social e ninguém sabe sobre seus deveres e direitos. Simbolicamente, a mulher do pai “não é ninguém”: ela está na família, mas não pertence à idéia de família nuclear (mãe, pai e filhos e a madrasta, como substituta, quando a mãe falta), que ainda norteia o imaginário sobre o que é família”, afirma Fernanda.

Os conflitos desta nova situação familiar são diferentes e ainda pouco compreendidos. O objetivo de Fernanda com o livro, que é mãe, ex-mulher e mulher do pai, é amparar a mulher que vive essa situação, ajudá-la a compreender a natureza dos muitos momentos conflitantes com os quais depara e trazer algum conforto para quem se vê nessa posição tão difícil e ignorada. “A lacuna existente sobre o assunto nas publicações sobre a família revela o abandono e o desamparo que cercam a mulher do pai”, diz a filósofa.

Escrito em linguagem fácil, a obra é recomendada para toda a família. É também útil para profissionais, como psicólogos e professores. A despeito da simplicidade da forma, a autora não deixa de se apoiar em um amplo referencial teórico, permitindo assim a leitura em diversos níveis de aprofundamento.
Tendo a autora vivido a experiência de ser mulher do pai e convivido com outras mulheres que passaram pela mesma situação, não faltam no livro exemplos de situações cotidianas delicadas e seus correspondentes dilemas, que normalmente requerem mais do que apenas boa vontade para serem resolvidos a contento.
“A obra favorece reflexões para a elaboração simbólica da mulher do pai, investigando os rumos dos novos arranjos familiares formados a reboque da desagregação da família nuclear tradicional, composta pela tríade pai–mãe–filhos”, afirma Fernanda. Embora a família tenha mudado, explica a autora, idealmente ainda pensamos nela como a família nuclear. “E a mulher do pai perturba esse ideal: está na família sem pertencer à idéia de família e vive o conflito de uma posição marginal”, diz.
Se os novos tempos favoreceram a liberdade na busca da felicidade fora dos padrões da família nuclear, trouxeram também novas relações ainda não suficientemente definidas e com as quais não é fácil lidar. “Esse é o caso das relações da mulher do pai, instáveis e carentes de referências simbólicas capazes de orientar a construção de laços afetivos e efetivos que a envolvam dentro do novo contexto familiar”, conclui Fernanda.

O JEITINHO BRASILEIRO

PROPOSTA

O QUE É O JEITINHO BRASILEIRO? EM QUE SITUAÇÃO ELE PODE SER VISTO COMO UMA QUALIDADE? NÃO PODE? JAMAIS?
POSICIONE-SE E ESCREVA.

Quando se fala em “jeitinho brasileiro”, logo vem à mente a figura de alguém que deseja levar vantagem em tudo, certo? Errado. Essa visão negativa da expressão, por anos difundida pelos meios de comunicação, não reflete o verdadeiro valor desse comportamento tipicamente brasileiro. O nosso jeito é uma contribuição inestimável à civilização. Quem afirma é a filósofa Fernanda Carlos Borges, autora do livro Filosofia do jeito – Um modo brasileiro de pensar com o corpo, lançado pela Summus Editorial. Partindo de abordagens filosóficas, socioculturais e cognitivas, ela procura compreender o “jeitinho brasileiro”. Nesse percurso, analisa a relação entre o corpo e os mecanismos da consciência e da comunicação, fazendo uma ponte com pensadores como Wilhelm Reich e Oswald de Andrade.

“As instituições modernas européias supervalorizam a instância ideal. Nelas, a regra nunca pode ser questionada. Por isso somos tão criticados. O jeito brasileiro afronta a norma, pois na cultura popular a necessidade humana tem mais valor”, afirma Fernanda. Para muitos, entretanto, o jeito brasileiro impede a modernização e o crescimento. “É como se esse comportamento fosse um ranço primitivo tolhendo o nosso avanço. Mas, na verdade, criamos um novo modo de vida, mais afetiva”, diz.

O jeito e o modo como o corpo existe, pensa e se comunica implicam a inteligência comprometida com a imprevisibilidade e a novidade. O jeitinho brasileiro, portanto, é a afirmação cultural da condição existencial do jeito. A capacidade de transformação do corpo é muito maior do que a das instituições e resulta em uma condição radicalmente participativa. “Sem forma pronta, o corpo é um fazedor contínuo de cultura”, explica Fernanda.

A característica dessa transformação do corpo é muito familiar à da filosofia da devoração de Oswald de Andrade: a capacidade de transformação do valor oposto (tabu) em valor favorável (totem). O jeito do corpo é o totem do momento. Mobilizado pelo jeito, o jeitinho é contrário à reprodução em série.

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Por definição: o “jeitinho” brasileiro representa, em uma expressão de fácil entendimento, a malandragem histórica do nosso povo. Malandragem com a qual temos contato desde pequenos e ouvimos constantemente nos meios de comunicação e, indiretamente, presenciamos nos atos das pessoas. Há quem tenha orgulho do “jeitinho”, que por ser tão comum, até prefiro omitir as aspas. No entanto, a idéia do malandro está associada à esperteza, como se houvesse algo de esperto em dizer “odeio político ladrão, mas se estivesse no poder, também roubaria”. O cidadão heroicamente afirma que tem orgulho de ser brasileiro e por isso naturalmente faz uso do jeitinho, mas não percebe que esta “marca nacional” é uma das impulsoras do nosso regresso.
Esses dois últimos anos foram marcados pela corrupção explícita. A dúvida que fica é se vamos assistir a mais momentos corruptos ou se veremos esse câncer se extinguir. De fato, a corrupção não vai acabar, ela é inerente a todos os povos. E não é difícil de imaginar que não são apenas nós que somos ‘espertinhos’. No mundo, há muitos outros povos que também seguem a mesma linha de conduta individualista que seguimos, todavia há lugares onde isso é minimizado. Por quais motivos? Talvez uma melhor eficiência da Justiça ou uma boa consciência coletiva. É difícil definir porque o jeitinho é um fantasma abstrato que nos rodeia, mas traz problemas bem concretos.
Na prática, o jeitinho é uma maneira da pessoa se colocar entre o certo e o errado. Ela sabe que o que está fazendo não é moralmente correto, mas perdoa a si mesmo porque também sabe que estará saindo na vantagem. Assim, qualquer transgressão é justificada, e a pessoa vai vivendo seguindo a Lei de Gérson: “O importante é obter vantagem em tudo”.
Aquele velho papo de que os valores estão invertidos – ou subvertidos – fica ainda mais presente. Qualquer ato que deveria servir como exemplo de moralidade torna-se inútil, pois a sociedade chega a ponto de ser tão materialista que ignora a ética, a moral e outros valores que não são palpáveis. A partir daí, o convívio social vira algo desregrado, e não estou falando de leis, estou falando de sensibilidade coletiva. Muitas leis não seriam necessárias se as pessoas tivessem a noção dos seus limites, obedecendo a liberdade dos outros.
A diferença entre o jeitinho brasileiro e o “jeitinho internacional” é que agregamos essa malandragem como característica cultural do Brasil, assumindo uma postura diferente e orgulhosa de detonar os outros, que somos nós mesmos. E a política? Nesse caso a situação piora quanto notamos que os governos – ou detentores do poder, de uma forma geral – são tão desregrados quanto nós. Aí, o mau exemplo da política torna a sociedade um caos, onde as pessoas sacaneiam por uma questão, digamos, de sobrevivência moral.
Considerar que só porque diversos políticos roubam ser uma explicação razoável para exercer o jeitinho, mesmo em coisas menores do que superfaturar uma ambulância, é mergulhar de cabeça em um círculo vicioso do qual ninguém quer intervir, todos querem participar e muitos sofrem com isso.
Ter orgulho do jeitinho é, sem mais, aceitar toda a situação presente que adoramos criticar. Sei que roubar uns milhões é diferente de subornar um policial, mas ambas as situações estão no mesmo patamar ético, partiram de uma mesma iniciativa extremamente egoísta. Viver na surdina, burlar as regras, fazer vista grossa às normas e muito mais podem até dar um gosto de aventura, entretanto deve-se perceber que exaltar o individual em detrimento do coletivo é uma forma ignorante de suicídio. Sem notar, a sociedade vai cortando seus pulsos de pouquinho em pouquinho. Numa morte lenta e deliciosamente terrível.
editora=SUMMUS%20EDITORIAL
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O texto seguinte é longo. Leia o que puder.



O pensamento do antropólogo Roberto Da Matta
No caso de Da Matta, o fio condutor mesmo de sua reflexão já apontava para o desejo de surpreender a realidade brasileira por detrás de suas auto-imagens consagradas. Assim, em Carnavais, malandros e heróis (Da Matta, 1981), seu livro mais importante, essa tentativa é empreendida a partir do estudo do cotidiano brasileiro, no estudo dos seus rituais e modelos de ação portanto, que é onde podemos reencontrar nossos malandros e nossos heróis.
Desde o início, o esforço comparativo já tem o seu "outro" privilegiado: os Estados Unidos. Interessa a Da Matta demonstrar, numa oposição que irá assumir inúmeras variações, por que nunca dizemos "iguais mas separados" como lá, mas, ao contrário, dizemos sempre "diferentes mas juntos" (Da Matta, 1981, p. 16). A comparação, nesse sentido, privilegia sempre o contraste, a contradição, e não o familiar, o semelhante, o co-extensivo.
O método é o estrutural, enfatizando as possibilidades de combinação alternativas e as ênfases distintas de elementos dominantes e subordinados de cada sistema social analisado. Assim, as categorias mais gerais do raciocínio do autor, as de indivíduo e pessoa, articulam-se de forma peculiar em cada sociedade. O indivíduo, no Brasil, não seria uma categoria universal e englobadora como nos Estados Unidos, nem apenas o renunciante, como na Índia. O indivíduo entre nós seria o joão-ninguém das massas, que não participa de nenhum poderoso sistema de relações pessoais.
O indivíduo, entre nós, se definiria pela oposição com o seu contrário: a pessoa. Esta, por sua vez, se definiria como um ser basicamente relacional, uma noção apenas compreensível, portanto, por referência a um sistema social onde as relações de compadrio, de família, de amizade e de troca de interesses e favores constituem um elemento fundamental. No indivíduo teríamos, ao contrário, uma contigüidade estrutural com o mundo das leis impessoais que submetem e subordinam. Desse modo, teríamos no Brasil, ao contrário tanto dos Estados Unidos quanto da Índia, um sistema "dual" e não um sistema unitário. A questão essencial para Da Matta, portanto, já está posta: trata-se, no caso brasileiro, de perceber a "dominância relativa de ideologias e idiomas através dos quais certas sociedades representam a si próprias" (Da Matta, 1981, p. 23). Nesse sentido, nossa especificidade seria nossa dualidade constitutiva.
Na verdade, Da Matta (1991, pp. 24-29) procura relacionar o que ele considera como sendo duas leituras da realidade brasileira que seriam vistas comumente como antagônicas: uma "institucionalista", a qual destacaria os macroprocessos políticos e econômicos, segundo a lógica da economia política clássica e implicando, por isso mesmo, alguma forma de diagnóstico pessimista do Brasil; e outra vertente, a qual se poderia chamar de "culturalista", cuja ênfase seria concedida ao elemento cotidiano dos usos e costumes, da nossa tradição familística ou "da casa", na linguagem de Da Matta. Sua própria perspectiva seria, portanto, superadora e sintetizadora dessas perspectivas parciais, unindo-as e relacionando-as como duas faces de uma mesma moeda, transformando essas visões unilaterais num "dualismo" articulado.
Um olhar atento descobre que a cada uma dessas perspectivas correspondem, respectivamente, uma "sociologia do indivíduo" — a vertente institucionalista — e uma "sociologia da pessoa" — a vertente culturalista. Ao unir e relacionar as duas perspectivas dentro de um mesmo quadro de referência teórico, Da Matta acredita ter percebido a "gramática profunda" do universo social brasileiro. Veremos mais adiante que o acesso a essa gramática exigiria a superação do próprio dualismo. Permaneçamos, no entanto, ainda um instante, dentro do próprio horizonte aberto pelo dualismo damattiano. Em que consiste esse dualismo e como Da Matta o constrói?
Vimos que seus termos mais abrangentes são as noções de indivíduo e pessoa. Esse é o dado fundamental e primário, na medida em que todos os outros são decorrência desse antagonismo fundamental. Assim, outras dualidades importantes para Da Matta, como aquela entre a casa e a rua, por exemplo, que deu o título a um dos seus livros, são decorrentes da oposição entre indivíduo e pessoa na medida em que indicam "espaços" privilegiados onde cada uma dessas modalidades de relações sociais se realizariam.
À oposição entre a casa e a rua corresponderiam, por sua vez, "papéis sociais, ideologias e valores, ações e objetos específicos, alguns inventados especialmente para aquela região no mundo social" (Da Matta, 1981, pp. 74-75). Nesse sentido, os nossos rituais são analisados e compreendidos a partir dessa oposição casa/rua e se distinguem entre si na forma e modo específico de lidar com esse antagonismo. Assim, a procissão religiosa teria sua peculiaridade no fato de permitir, durante um breve instante, a supressão da dicotomia casa/rua. O santo, para o qual a procissão é realizada, "eleva-se" acima da dicotomia, suspendendo suas lealdades e sentimentos respectivos, criando, por alguns instantes, uma lealdade específica, sintetizadora, em relação a um novo campo de ação: o do sagrado.
Na parada militar, por oposição, o mundo das casas não é irmanando na devoção ao santo comum, mas é de certa forma "invadido" pelo Estado, que "recruta" e hierarquiza seus membros sob a forma de participantes humildes (os soldados), diferenciados (as autoridades) ou meros espectadores (o povo indiferenciado e tornado massa). A singularidade do Carnaval, por sua vez, residiria no fato de a rua tornar-se casa por alguns dias. Uma casa que celebra em praça pública o mundo da "cintura para baixo", o qual em dias normais é escondido dentro de casa, uma casa que torna seguro (sic) o ambiente desumano de competição hostil que caracterizaria a rua. Ao mesmo tempo, a rua transformada em casa subverte tanto o código (hierárquico) da rua quanto o da própria casa. Daí o Carnaval ser uma perfeita inversão da realidade brasileira: é uma festa sem dono num país que tudo hierarquiza (Da Matta, 1981, p. 116).
No entanto, é apenas no ensaio "Você sabe com quem está falando?" que encontramos uma condensação de todos os aspectos desenvolvidos na interpretação "damattiana" da realidade brasileira. O ritual autoritário do "você sabe...", ao contrário dos anteriores, é um ritual cotidiano, do cotidiano hostil da rua, bem entendido, e no qual qualquer brasileiro, mesmo aquele que não brinca Carnaval, não assiste a paradas militares ou acompanha procissões religiosas, se reconhece facilmente.
Para Da Matta, o "você sabe..." põe a nu, revela à luz do dia um traço que o brasileiro não gosta e prefere esconder. Afinal, o que viria à tona aqui não seria mais a nossa celebrada e carnavalizada cordialidade, mas, ao contrário, o verdadeiro e profundo "esqueleto hierarquizante de nossa sociedade" (Da Matta, 1981, p. 142). Esse ponto é absolutamente fundamental tanto para o argumento do autor quanto para a crítica que iremos fazer mais adiante. É que, ao contrário da análise dos outros rituais extracotidianos, os quais permitem um tratamento que enseja uma assepsia classificatória (entre casa, rua e outro mundo ou Estado, povo e Igreja) que parece algo arbitrária no seu esforço de fazer corresponder práticas a espaços sociais delimitados, o "você sabe..." condensa e unifica todos esses aspectos e lança a questão central da articulação e hierarquização específica de todos esses elementos. Afinal, como se combinam indivíduo e pessoa ou casa e rua? Qual é o elemento dominante e qual o subordinado?
Da Matta não responde a essa questão de forma clara. Ele muitas vezes prefere enfatizar o componente aberto dessa competição entre princípios de organização social, o que de resto, na sua visão, permitiria caracterizá-la como o âmago mesmo do "dilema brasileiro".1 No entanto, uma análise atenta de sua obra permite coletar uma série de indícios interessantes para nossos propósitos. As palavras "esqueleto" e "núcleo" que Da Matta usa constantemente para se referir ao componente hierárquico da formação brasileira são sintomáticas. Afinal "esqueleto" ou "núcleo" referem-se a alguma coisa escondida, a qual não seria imediatamente visível como a pele ou a superfície que os recobre, mas que nem por isso deixa de ser mais importante e mais substancial que o componente envolvente.
E é precisamente a mesma lógica que uma análise sistemática do ritual do "você sabe..." nos mostra. Senão, vejamos. O ritual envolve sempre uma oposição entre um dado individualizante ao mesmo tempo mais visível e mais superficial, posto que o elemento universalizante e igualitário seria o único discurso oficial e legítimo, e um componente pessoal e hierárquico mais profundo e menos visível (posto que não precisaria ser falado), mas que é o componente mais decisivo e eficaz do drama social em questão na medida em que resolve o conflito e restaura a paz hierárquica ameaçada.
É este último elemento, portanto, que Da Matta chama de "esqueleto" ou "núcleo" hierárquico, o elemento que atualizaria a gramática social mais profunda de uma sociedade como a brasileira. É a sua desagradável aparição no cotidiano que restaura a paz hierárquica perturbada por quem levou a sério o princípio igualitário e teve de ser lembrado "do seu lugar". O ritual é "desagradável" precisamente porque verbaliza o que não deveria ser dito para ser eficaz, quebrando assim o pacto silencioso e cordial de uma sociedade em que cada um efetivamente deve conhecer o "seu lugar".
[...] no drama do "você sabe com quem está falando?" somos punidos pela tentativa de fazer cumprir a lei ou pela nossa idéia de que vivemos num universo realmente igualitário. Pois a identidade que surge do conflito é que vai permitir hierarquizar.[...] A moral da história aqui é a seguinte: confie sempre em pessoas e em relações (como nos contos de fadas), nunca em regras gerais ou em leis universais. Sendo assim, tememos (e com justa razão) esbarrar a todo momento com o filho do rei, senão com o próprio rei. (Da Matta, 1981, p. 167)
Assim, e esse ponto é absolutamente fundamental tanto para a compreensão do argumento do autor quanto para a crítica que será feita adiante, é o elemento pessoal que é visto como dominante em relação ao elemento abstrato, legal, que se refere ao mundo dos indivíduos indiferenciados. Mas como eles se articulam? Até onde a validade parcial do elemento impessoal tem alguma eficácia? Como se dá a combinação específica entre os dois princípios?
É como se tivéssemos duas bases através das quais pensássemos o nosso sistema. No caso das leis gerais e da repressão, seguimos sempre o código burocrático ou a vertente impessoal e universalizante, igualitária, do sistema. Mas no caso das situações concretas, daquelas que a "vida" nos apresenta, seguimos sempre o código das relações e da moralidade pessoal, tomando a vertente do "jeitinho", da "malandragem" e da solidariedade como eixo de ação. Na primeira escolha, nossa unidade é o indivíduo; na segunda, a pessoa. A pessoa merece solidariedade e um tratamento diferencial. O indivíduo, ao contrário, é o sujeito da lei, foco abstrato para quem as regras e a repressão foram feitos. (Da Matta, 1981, p. 169)
De acordo com essa ótica, a lei geral e abstrata teria uma validade de primeira instância. Afinal, ela pressupõe uma igualdade de "partida" que bem pode ser confirmada como verdadeira no ponto de "chegada", ou seja, nos casos concretos do dia-a-dia e do cotidiano de todos nós. No entanto, em caso de conflito, o caso concreto obedeceria a outros imperativos que não àquele da lei geral. Precisamente aqui entraria o componente das relações pessoais, do "capital" que se acumula em termos de contato e influência. Seria como se as relações pessoais entre nós desempenhassem o papel do Judiciário nos países individualistas e igualitários. Como cabe ao Poder Judiciário dirimir conflitos a partir dos casos concretos, teríamos, no nosso caso específico, uma resolução "informal", sem burocracia e rápida: através da "carteirada", do jeitinho, da ameaça velada e do "você sabe...". No caso concreto, não aplicamos a lei geral ao caso específico, mas a força relativa de nossas relações pessoais. Em outras palavras, ou melhor, nas palavras do próprio autor: "`o você sabe...' permite estabelecer a pessoa onde antes só havia o indivíduo" (Da Matta, 1981, p. 170).
Esse tipo de solução é extremamente problemático sob o ponto de vista da fundamentação teórica do dualismo proposto por Da Matta. Afinal, levada às suas últimas conseqüências, essa solução implica afirmar que os brasileiros se comportam de um modo inverso aos estímulos das instituições sociais fundamentais, como Estado e mercado. Esse nó conceitual não é de fácil solução já que Da Matta vincula habilmente a auto-imagem folclórica do brasileiro com análises concretas de rituais facilmente observáveis na realidade cotidiana. A evidência e eficácia desse tipo de discurso é enorme. Nesse sentido, peço a paciência do leitor para que possamos nos concentrar nos meandros de uma análise dos pressupostos desse tipo de discurso teórico.

Gramática profunda ou dualismo superficial?
O dualismo engendrado pelas noções de indivíduo e pessoa como a base do que Da Matta chama de "dilema brasileiro"2 foi desenvolvido ao longo das décadas de 80 e 90 seja em trabalhos de divulgação (Da Matta, 1999a), seja em livros como A casa e a rua, onde a dimensão espacial da dualidade ganha proeminência e é analisada em maior detalhe. Eu gostaria agora de continuar a discussão em dois passos: primeiro, desenvolvendo uma apreciação crítica da perspectiva do autor e, em seguida, procurando reconstruir uma resposta alternativa às questões deixadas em aberto pelo esquema damattiano.
Inicialmente vou me deter nas próprias idéias de sociedade e teoria social, as quais, segundo
Da Matta, são subjacentes à sua análise. No livro A casa e a rua encontramos a seguinte definição:
A idéia de sociedade que norteia esse livro, portanto, não é aquela da sociedade como um conjunto de indivíduos, com tudo o mais sendo mero epifenômeno ou decorrência secundária de seus interesses, ações e motivações. Ao contrário, sociedade aqui é uma entidade entendida de modo globalizado. Uma realidade que forma um sistema. Um sistema que tem suas próprias leis e normas. Normas que, se obviamente precisam dos indivíduos para poderem se concretizar, ditam a esses indivíduos como devem ser atualizadas e materializadas. (Da Matta, 1991, p. 15)
O texto acima nos interessa de perto porque nele Da Matta assume uma posição clara contra uma ciência social subjetivista que pretende reduzir a complexidade social à referência às intenções individuais dos agentes. É uma crítica correta e bem-feita. Segundo sua concepção de sociedade, temos de buscar no próprio sistema social as leis e normas que explicam o comportamento dos indivíduos que o compõem. Deve-se procurar descobrir, portanto, a "gramática social profunda" da sociedade em questão, a qual é sempre, em grande parte, insconsciente ou inarticulada na consciência dos indivíduos que a compõem, para que possamos interpretar o comportamento destes e a lógica da própria dinâmica social.
Vimos que, segundo Da Matta, essa gramática social profunda, no caso brasileiro, apresenta uma peculiaridade: ela é dual (ao contrário da dos Estados Unidos, por exemplo, que seria unitária) e composta por dois princípios antagônicos, o individuo das relações impessoais e a pessoa das relações de compadrio e de amizade. Vejamos com cuidado os pressupostos desses dois tipos de relações sociais. Sabemos que em sociedades modernas os dois poderes impessoais mais importantes são o Estado e o mercado capitalistas. Essas são também as instituições que Da Matta tem em mente quando se refere ao mundo competitivo, hostil, das regras gerais e impessoais associadas à competição capitalista e ao aparelho repressivo do Estado. Em oposição a este mundo teríamos o mundo da casa, onde as relações se regem pela afetividade e todos são supercidadãos. Esse seria o lugar onde os brasileiros se sentiriam bem e onde poderiam desenvolver sua decantada cordialidade.
Existe, no entanto, um problema básico nesse quadro à primeira vista bem arrumado que precisaria ser explicado: qual é o conjunto de regras ou normas que explica e constitui a articulação entre esses dois mundos? Se Da Matta pretende explicar as normas e regras sociais últimas que esclarecem nossa singularidade, então a forma de articulação entre esses dois princípios tem de ser explicada. A dualidade enquanto tal é uma simples aporia. Sem estar determinada nas suas regras, ela pode ser usada ad hoc para o esclarecimento de um sem-número de questões, ressaltando-se a importância ora de um, ora de outro princípio. Mas a questão parece-me ser: o que faz com que precisamente nesses casos tal ou qual princípio seja mais ou menos eficiente? Essa questão nunca é respondida por Da Matta. O último horizonte explicativo é sempre uma dualidade indeterminada que varia ao sabor das situações concretas examinadas.
A idéia de uma gramática social profunda só tem sentido se for possível determinar a hierarquia valorativa que preside a institucionalização de estímulos seletivos para a conduta dos indivíduos que a compõem. Essa seletividade, por sua vez, exige a consideração da variável do poder relativo de grupos e classes envolvidos na luta social por hegemonia ideológica e material. Desse modo, para clássicos da Sociologia que lidaram com a questão da institucionalização diferencial de valores e concepções de mundo como Max Weber e Norbert Elias, a questão de se determinar a hierarquia de valores que logra comandar uma sociedade específica exige a articulação da relação entre valores e estratificação social. Afinal, é a imbricação entre domínio ideológico e acesso diferencial a bens ideais ou materiais escassos que cumpre esclarecer.
Nesse sentido, para os dois autores citados acima, a vinculação entre concepções de mundo (no sentido de conjuntos articulados de normas e valores) e estratos sociais que servem de suportes a essas concepções de mundo é fundamental. Aqui não se trata da causalidade materialista marxista, a qual reintroduz por outros meios a noção de subjetividade individual transformada agora em sujeito coletivo,3 com conseqüências deletérias para a análise social. A noção de suporte social de valores e normas refere-se, ao contrário, a processos inintencionais sem sujeito através dos quais grupos e classes identificam-se com valores e são ao mesmo tempo perpassados e dirigidos por eles na dinâmica social.4
Nós não encontramos classes e grupos sociais na obra de Roberto Da Matta. O tema da estratificação social e a relação desta com valores desempenha um papel, na melhor das hipóteses, marginal no seu esquema explicativo. Na reflexão de Da Matta encontramos apenas indivíduos e "espaços" sociais. Minha hipótese neste texto é que isso impede que ele tenha acesso à gramática social da sociedade brasileira como definida por ele próprio acima. É que, desvinculada de uma teoria da estratificação social que explique como e por que esses valores e não outros lograram institucionalizar-se, toda a temática da relação com valores torna-se externa e indeterminada. Valores passam a ser concebidos como alguma coisa que existe independente de sua institucionalização, agindo de forma misteriosa sobre indivíduos e espaços sociais. Vejamos alguns exemplos.
Quando, então, digo que "casa" e "rua" são categorias sociológicas para os brasileiros, estou afirmando que, entre nós, estas palavras não designam simplesmente espaços geográficos ou coisas físicas mensuráveis, mas acima de tudo entidades morais, esferas de ação social, províncias éticas dotadas de positividade, domínios culturais institucionalizados e, por causa disso, capazes de despertar emoções, reações, leis, orações, músicas, e imagens esteticamente emolduradas e inspiradas. (Da Matta, 1991, p. 17)
Para o autor, portanto, casa e rua não são apenas "espaços" antagônicos e relacionados, mas também "esferas de ação social" específicas. Em cada uma dessas esferas existem valores e idéias específicas que guiam ou influenciam o comportamento dos agentes em determinada direção em cada caso. Sabemos também que, para Da Matta, esses valores, no mundo do indivíduo, apontam para uma concepção de mundo impessoal que enfatiza a igualdade e a competição entre iguais, ao passo que no mundo da pessoa teríamos o reino dos sentimentos, do particular, portanto, e de uma hierarquia baseada na afeição (que é sempre gradativa e particularizante).
O que passa então a ser imediatamente problemático é explicar a própria possibilidade de existência desses espaços tão antagônicos. Todas as vezes que enfrenta essa questão, Da Matta faz referência à obra de Max Weber e às discussões desse autor acerca do tema das éticas sociais dúplices ou múltiplas típicas de sociedades tradicionais ou semitradicionais (Da Matta, 1991, pp. 50, 52, 69 e 98; ou ainda 1981, p. 178). Isso é sem dúvida correto. Faz parte da interpretação weberiana do desenvolvimento ocidental demonstrar como havia a necessidade de se explicar o aparecimento de uma ética unitária dentro do contexto da própria concepção de mundo tradicional e religiosamente motivada. A rápida expansão, no alvorecer da modernidade, da ética ascética protestante, com sua concentração em objetivos intramundanos e singularizados e não mais dúplices ou contraditórios, ajuda, sem dúvida, a explicar o enorme impulso que essa idéia representou para o progresso material da cultura ocidental.
No entanto, como a bela metáfora do manto do santo que se transforma em gaiola de ferro, apresentada ao final de A ética protestante e o espírito do capitalismo, nos lembra, nós, habitantes do mundo impessoal moderno, podemos abdicar desse incentivo subjetivo. Os homens religiosos do alvorecer da modernidade tinham a possibilidade de escolher se seguiriam uma ética múltipla tradicional ou se optariam pela ética única da nova religião. O fato de nós, modernos, não termos mais essa opção significa, para Weber, que as instituições impessoais do capitalismo moderno, principalmente o mercado competitivo e o Estado burocrático, criam estímulos para a conduta individual que não estão mais à disposição da volição dos agentes. Nós somos, em grande parte, até em nossas emoções mais íntimas, produto das necessidades da reprodução institucional do Estado e do mercado. É para esse fato fundamental que Weber quer apontar com o uso de suas metáforas mais conhecidas como "gaiola de ferro" ou "destino".
Aqui não se trata apenas de uma visão weberiana. Todos os grandes clássicos da Sociologia estão de acordo nesse ponto. Para um pensador como Georg Simmel, por exemplo, o domínio do mercado como instituição fundamental do mundo moderno, ou, nas suas palavras, o advento da economia monetária, significa uma redefinição da consciência subjetiva individual de enormes proporções. As noções básicas de tempo e espaço se modificam, e com elas se modificam também toda a economia emocional, a vida afetiva individual e recôndita de cada um de nós, como a forma da atração sexual entre os dois sexos, a necessidade de distanciamento interno e externo que os contatos impessoais da vida nas metrópoles exigem, a entronização do princípio da calculabilidade como alfa e ômega da personalidade individual, a indiferença e o sentimento blasé como emoções típicas da indiferenciação qualitativa operada pelo dinheiro transformado em meio universal de troca etc.5
Não só a economia, mas também o Estado é um poderoso elemento transformador da vida individual. Talvez ninguém melhor do que Norbert Elias tenha tido tanta consciência desse fato. Para Elias, o Estado moderno, com o seu monopólio da violência física na sociedade, é apenas a ponta mais visível de um desenvolvimento milenar nas formas de exercício da dominação política, cujo pressuposto é uma completa modificação da psique individual. Ao invés do controle externo, a partir da ameaça do mais forte, o Estado moderno pressupõe controle interno e competição pelos bens escassos por meios mais ou menos pacíficos.
Elias (1989, especialmente vol. II) demonstra, com farto material empírico, como o processo de centralização do Estado moderno, com seu aparato jurídico baseado em leis gerais e no monopólio da violência, é concomitante à transformação do aparelho psíquico individual no sentido da formação de uma economia emocional específica, com um id tornado inconsciente, onde as emoções e desejos agora impossíveis de serem vividos se concentram e são reprimidos, e um superego encarregado agora, como uma instância interna ao próprio mecanismo psíquico individual, pela repressão, sublimação e reorientação de manifestações percebidas como anti-sociais. Para Elias, toda a estrutura da psique individual como vista por Freud seria o resultado (e pressuposto) histórico das modificações introduzidas pelo Estado moderno e por seu aparato de regulação social.
Desse modo, os poderes impessoais que criam o "indivíduo" não limitam sua extraordinária eficácia ao mundo da rua. Eles entram dentro da casa de cada um de nós e nos dizem, em grande medida, como devemos agir, o que devemos desejar e como devemos sentir. Ao contrário do que supõe a dualidade damattiana, os poderes impessoais (que criam o "indivíduo") do mercado e do Estado não são instituições que exercem seus efeitos em áreas circunscritas e depois se ausentam nos contatos face a face da vida cotidiana. Eles jamais se ausentam e na verdade penetram até nos mais recônditos esconderijos da consciência de cada um de nós. A dualidade damattiana pressupõe a perda da eficácia específica das instituições que criam o mundo moderno. O vínculo fundamental entre eficácia institucional e predisposição valorativa individual não é levado em conta no raciocínio do autor. Os valores são percebidos como tendo existência independente da vida institucional.
Desligando a dinâmica valorativa social tanto de uma relação com a estratificação social quanto da referência à eficácia institucional, pode então Da Matta referir-se a indivíduos que se contrapõem em "espaços" sociais distintos, os quais carecem de qualquer determinação estrutural. Vejamos as conseqüências disso para o seu conceito de cidadania:
Se no universo da casa sou um supercidadão, pois ali só tenho direitos e nenhum dever, no mundo da rua sou um subcidadão, já que as regras universais da cidadania sempre me definem por minhas determinações negativas: pelos meus deveres e obrigações, pela lógica do "não pode" e "não deve". (Da Matta, 1991, p. 100)
Aqui observamos que as duas lógicas antagônicas conduzem a um curto-circuito sociológico ao equalizar esferas de ação a "espaços" específicos.6 Desse modo, supercidadania e subcidadania tornam-se uma variável dependente do "espaço" social onde me encontro. Seria razoável supor que uma operária negra e pobre da periferia de São Paulo que, depois de trabalhar o dia inteiro e ter efetivamente fartas experiências de subcidadania na "rua", apanha do marido em "casa" sente-se uma supercidadã?7
Todos sabemos que não apenas as mulheres negras e pobres, mas todos os grupos sociais oprimidos enfrentam situações de subcidadania independentemente do lugar ou do "espaço social" onde se encontram. A não referência à estratificação social de acordo com classes e grupos específicos cria uma ilusão de "espaços" com positividade própria. Da Matta (1991, p. 100) é inclusive obrigado a apelar para explicações subjetivistas que ele próprio havia condenado como má sociologia:
Se minha visão do Brasil a partir da casa é que "a nossa sociedade é uma grande família", com um lugar para todos, na esfera da rua minha visão de Brasil é muito diferente. Aqui eu estou em "plena luta" e a vida é um combate entre estranhos. Estou também sujeito às leis impessoais do mecado e da cidadania que freqüentemente dizem que eu "não sou ninguém". Fico, então, à mercê de quem quer que esteja manipulando a ordem social naquele momento.
O fato de a dominação em última instância ser feita em favor de um "alguém" que esteja "manipulando a ordem social" é sintomático da dificuldade apontada acima. Afinal, era o próprio Da Matta quem pretendia superar o subjetivismo sociológico que atribui a explicação última da lógica social à intencionalidade individual. É sem dúvida mais fácil explicar o funcionamento de regras sociais a partir da intencionalidade dos agentes. Afinal, é assim que nós nos percebemos no senso comum, e é da força do senso comum, como nos ensina Charles Taylor (1997, especialmente cap. I), que o ponto de partida subjetivista ou "naturalista" retira sua força peculiar e evidência. O caminho de quem pretende descobrir a gramática social profunda de uma formação social, no entanto, é mais espinhoso. São as normas e regras sociais implícitas que hierarquizam uma sociedade. Indivíduos ou classes dominantes são, no máximo, suportes desses valores e normas, mas de modo algum, sujeitos intencionais desse processo.
Da Matta é forçado a buscar uma solução intencionalista para a questão do poder precisamente, vale a pena repetir, porque apenas as regras sociais anteriores e por trás da dualidade indivíduo/pessoa e casa/rua é que poderiam explicar a relação entre os dois princípios. É porque Da Matta interrompe sua busca da gramática profunda brasileira na afirmação da própria dualidade que a relação entre os dois termos e, por conseqüência, a própria noção de "relação" é sempre indeterminada. Um outro exemplo pode talvez ajudar a esclarecer esse ponto:
Mas se a categoria profissional — os trabalhadores como cidadãos e não mais como empregados — tem uma ligação forte com o Estado, ou governo, então eles podem ser diferenciados e tratados com privilégios. É a relação que explica a perversão e a variação da cidadania, deixando perceber o que ocorre no caso das diversas categorias ocupacionais no Brasil, onde elas formam uma nítida hierarquia em termos de sua proximidade do poder, ou melhor, daquilo que representa o centro do poder. (Da Matta, 1991, p. 85)
O que significa, nesse contexto, uma "forte ligação" com o Estado? Poder-se-ia perceber essa relação a partir do esforço de um Estado modernizador de premiar e constituir vínculos de lealdade com setores das classes trabalhadoras que contribuíam no esforço nacional de modernização. Mas aí já estaríamos falando de valores, dos quais o Estado nacional seria, ainda que parcialmente, suporte. E esses valores é que definiriam quais setores seriam ou não privilegiados e por quê. Estaríamos falando de valores inscritos e institucionalizados na realidade social cotidiana, portanto, que ajudam a determinar o conceito de poder nessa situação, esclarecendo seu uso e sua lógica. Esse, no entanto, não é o caminho de Da Matta.
Quando o autor se refere a uma hierarquia definida a partir da "proximidade com o poder", não temos a menor idéia de quais valores, regras ou normas explicam essa hierarquia. Poder torna-se aqui um conceito amorfo e indeterminado, já que não compreendemos o que a proximidade ou a distância em relação a ele significam. As palavras aqui, mais uma vez, nutrem sua eficácia do discurso comum, na medida em que é imediatamente compreensível para qualquer pessoa que "quem se relaciona" ou "está próximo" do poder tem privilégios.
De resto, a sociologia "relacional" de Da Matta parece retirar sua evidência menos da conscientização dos pressupostos valorativos subjacentes à nossa cultura e que não haviam sido percebidos até então, como ele próprio supõe, do que, precisamente, do fato contrário: do fato de permitir a sistematização da imagem do senso comum, da "ideologia" do brasileiro médio acerca de si próprio. Acredito que a própria oposição entre indivíduo e pessoa e entre casa e rua só mantém sua evidência quando não nos perguntamos acerca dos seus pressupostos.
Afinal, a separação entre as esferas do "indivíduo" e da "pessoa" e entre os "espaços" da casa e da rua é típica de toda sociedade moderna e complexa e não atributo de uma sociedade tradicional ou semitradicional como Da Matta percebe o Brasil. A confusão entre as esferas públicas e privadas (casa e rua, na linguagem damattiana) é que é uma característica típica de sociedades tradicionais e patrimoniais pouco diferenciadas. A noção de indivíduo como usada por Da Matta, para especificar a cultura ocidental moderna e desenvolvida, na verdade não existe desse modo em nenhuma sociedade concreta, muito menos nos EUA, como acredita o autor. Creio que por trás da evidência dessas noções se esconde uma noção indiferenciada do indivíduo ocidental moderno.8 Senão, vejamos.
Uma genealogia do indivíduo moderno como a elaborada por Charles Taylor (1997) no seu As fontes do self mostra que essa noção é bem mais rica, contraditória e matizada. O elemento universalizante ao qual Da Matta faz referência seria sem dúvida um de seus componentes fundantes, mas não o único. Esse componente normalizante e generalizante seria o que Taylor chama de "self pontual", para enfatizar o elemento disciplinável que será a matéria-prima das burocracias da economia e da política modernas. No entanto, essa noção está longe de contar toda a história do individualismo ocidental.
Se o "self pontual" permite as construções generalizantes da política (cidadania) e da economia (o sujeito contratual), conferindo sentido à noção de "dignidade" moderna, é apenas com uma outra fonte do individualismo moderno, o que Taylor chama de "autenticidade", que alcançamos um quadro mais completo do indivíduo moderno ocidental. Na busca por autenticidade temos a procura por características específicas e particulares a cada um de nós, referindo-se à nossa diferença específica e a relações e objetos que são particulares e não generalizáveis, na medida em que são hierarquizados em sua importância por nossos afetos e sentimentos.
Na idéia de autenticidade, é a noção de profundidade do self que muda. A revolução nos costumes da década de 60 é vista por Taylor como um momento especialmente importante para a eficácia social dessa noção, na medida em que seus princípios saem da vanguarda artística e logram influenciar decisivamente o senso comum de toda uma geração com efeitos permanentes. O que há de revolucionário na noção de autenticidade é a idéia de uma individuação mais completa e original.
Nesse sentido, as profundezas do self deixam de ser sinônimo de erro e engano, num caminho que havia sido originalmente traçado por Montaigne e Rousseau. Essa mudança é expressa na passagem das paixões aos sentimentos. Estes são renomeados e reabilitados, tornando-se normativos — o que as paixões não eram. Agora, descobrimos o que é certo, nós indivíduos modernos do limiar do século XXI, ao menos em parte, experenciando nossos sentimentos.
Para Taylor, esse renascimento e nobilitação do sentimento é um traço marcante da cultura moderna. A vida social moderna contém, portanto, as duas vertentes da configuração moral ocidental, baseada numa noção dúplice de indivíduo: a noção de dignidade generalizável, cujo lugar privilegiado é a economia e o mundo do trabalho, e a noção de autenticidade, que tem no casamento baseado em sentimentos e na constituição de um espaço de intimidade e cumplicidade compartilhada talvez sua objetificação mais importante. A casa e a rua, portanto, dimensões que Da Matta supõe tão brasileiras, são construções sociais que se tornam possíveis apenas no mundo moderno e diferenciado de sociedades complexas e dinâmicas.
Não é apenas Charles Taylor que desenvolve essa dualidade do indivíduo ocidental, embora ele certamente seja dos que mais contribuíram para a percepção de um conceito diferenciado e complexo do indivíduo ocidental. Com outras denominações, essa dualidade é amplamente aceita na Sociologia moderna.9 O ponto essencial aqui é que o elemento expressivo e afetivo da personalidade individual é levado em conta como componente constitutivo da noção de indivíduo moderno. A alternativa damattiana entre indivíduo e pessoa refere-se, na realidade, a dimensões distintas do mesmo conceito de indivíduo, o qual só encontra condições de desenvolvimento em sociedades modernas e complexas.10
Sem dúvida as noções de autenticidade e individualização expressiva não cobrem todo o horizonte da noção de pessoa em Da Matta. Além do aspecto do mundo emocional e do particularismo que ela implica, Da Matta chama a atenção para um dado que seria peculiarmente brasileiro na noção de pessoa: a troca de favores, o jeitinho, a "carteirada" — em uma palavra, a tendência à corrupção e à refração da lei geral. O mundo da política seria a esfera privilegiada dessa inclinação nacional, a qual não passaria despercebida aos "indivíduos", aos homens comuns sem meios de troca nesse comércio generalizado de favores.
O resultado não passa, porém, despercebido à massa brasileira que vê na atividade política um jogo fundamentalmente sujo, onde existe de tudo, menos ética. Daí a expressão "fulano é muito político" para exprimir alguém que sabe cuidar de seus interesses pessoais. (Da Matta, 1991, p. 94)
Seria, efetivamente, uma idiossincrasia brasileira a visão da política como um jogo desonesto entre pessoas que trocam favores e proteção? Não creio. Em famosa pesquisa empírica realizada por Bellah e sua equipe nos EUA, também a política enquanto tal, especialmente a grande política do Estado e da negociação partidária, é vista como "suja" pela grande maioria dos americanos.
Nas nossas entrevistas, ficou claro que para a maioria das pessoas com quem falamos, os marcos da verdade e da virtude são percebidos como encontráveis nas relações de intimidade e nas experiências mais pessoais. Tanto a situação social das classes médias, quanto o vocabulário da vida cotidiana já predispõem para a orientação no sentido das fontes privadas e pessoais de sentido. Nós também percebemos uma forte identificação com relação aos Estados Unidos como comunidade nacional. No entanto, apesar de a nação ser vista como boa, tanto "governo" quanto "política" possuem freqüentemente conotações negativas. Os americanos, ao que parece, são genuinamente ambivalentes com relação à vida pública, e essa ambivalência implica dificuldades de perceber os problemas que confrontam a todos. (Bellah et al., 1986, p. 250; tradução minha)
Volto ao fio condutor dessa argumentação. É a imagem (no caso, desvalorizada) do brasileiro acerca de si mesmo que é dramatizada na teoria damattiana. Afinal, por que supor uma tendência inata dos brasileiros à corrupção e ao estabelecimento de relações de favores? Seria essa "predisposição" maior aqui do que em qualquer outro país? Recentemente, foi descoberto na Alemanha Federal um esquema de corrupção e favorecimento político com 25 anos de estabilidade e incrível eficiência, que faria qualquer Fernando Collor brasileiro morder os lábios de inveja.11 Admitamos, por hipótese, que, desgraçadamente, o grau de corrupção no Brasil seja maior do que em outros países. Não seria a causa desse fato uma ausência de mecanismos mais eficazes de controle, antes que uma misteriosa eficácia atávica de padrões culturais personalistas tradicionais da vida colonial brasileira?
Não seria, ao contrário, um dado estrutural da política em todos os países modernos a existência de um déficit de legitimidade, em oposição à economia, por exemplo? Essa é a opinião de Bellah na mesma pesquisa realizada nos EUA. Ao analisar a desconfiança dos americanos em relação à política, afirma o autor:
A política sofre pela comparação com o mercado. A legitimidade deste último baseia-se, em grande medida, na crença de que ele premia indivíduos imparcialmente com base numa competição justa. Por contraste, a política da negociação local, estadual e federal, apesar de compartilhar as mesmas atitudes utilitárias do mercado, freqüentemente expõe a competição entre grupos desiguais quanto aos recursos de poder, influência, e probidade moral, os quais influem decisivamente no resultado final. (Bellah et al., 1986, p. 200; tradução minha)
Não reconhecemos nas citações acima, nos insuspeitos EUA, precisamente a contraprova preferida de Da Matta em relação ao caso brasileiro, a mesma oposição entre mundo público hostil e mundo privado prenhe de sentido, e, mais importante, a mesma percepção do mundo da grande política, visto com desconfiança e distância? Onde estaria, nesse sentido, a especificidade brasileira?
Também esse aspecto não parece ser atributo de países tradicionais e com ética dual. A explicação de Bellah ao fato é bem distinta. A "grande política" é percebida como amoral pela grande maioria das pessoas porque em sociedades modernas e complexas a barganha política é realizada de forma intransparente para a grande maioria (Bellah et al., 1986, pp. 207-208). Essa é uma conseqüência inevitável da institucionalização de esferas sociais segundo padrões racional-instrumentais no mundo moderno. Ao contrário do mercado, no entanto, a política precisa legitimar-se a partir da noção de uma atividade dirigida ao bem comum. O impulso utilitário que a aproxima do mercado — afinal, todo político tem sua família para sustentar e sua carreira para cuidar — precisa ser temperado e pelo menos parcialmente encoberto pelo atendimento de necessidades que devem ser percebidas como de interesse de todos. A tensão entre esses dois componentes torna a corrupção um dado estrutural da esfera política moderna. Todo político tem de lidar com a contradição de perseguir seus fins egoísticos como qualquer outra pessoa em qualquer outra atividade, e conciliar essa posição com a expectativa de que ele seja um pouco "um monge extramundano". Essa contradição me parece estar no cerne da ambigüidade entre figura privada e imagem pública que é tão determinante para o resultado de eleições.
Nesse sentido, a corrupção é um fenômeno estrutural à política e sua presença é sempre latente, o que não significa, obviamente, que não deva ser combatida e controlada. O nosso ponto aqui é mostrar que ela não tem nada a ver com o personalismo e o tradicionalismo que Da Matta identifica na sociedade brasileira. O que parece ser peculiarmente brasileiro é a manipulação populista da corrupção como tema central do debate político, num país tão carente de discussões públicas de fundo sobre escolhas coletivas fundamentais.
A razão última dessa "brasilianização" de características tão marcantes do mundo contemporâneo tem a ver, acredito, com a forma idealista pela qual Da Matta percebe a relação entre valores e sua institucionalização, assim como com a concepção indiferenciada de modernidade ocidental subjacente à sua teoria. A tentativa mais recente de Da Matta (1994, especialmente pp. 125-151) de relevar a posição do elemento intermediário e de "pensar o Brasil com base no número três" e não mais em uma "razão dualista" não resolve a questão essencial, mas apenas a desloca. A questão essencial seria a explicação da lógica social subjacente que permitiria tornar os fenômenos observáveis "determinados", ou seja, compreensíveis a partir de regras e normas sociais globais. É isso que Da Matta diz pretender e essa pretensão em si já é elogiável. Mas ele substitui, sempre que lhe convém, a busca por essas regras últimas por evidências empíricas. Isso fica claro na "institucionalização do intermediário e do número três".
Afinal, de interesse para o conhecimento seria perceber de que maneira individualismo e holismo se combinam, se institucionalizam e se estratificam de modo a produzir um terceiro elemento híbrido. Mas, se como vimos acima, Da Matta não determina a forma como individualismo e holismo se articulam, menos ainda pode ele determinar a forma como o elemento terciário derivado desses ganha vida. O que temos na análise damattiana desse ponto é, portanto, como não poderia deixar de ser, a não mediada descrição concreta de nossa paixão pelo hibridismo, indo até a caracterização algo caricatural da nossa feijoada como híbrida de sólido e líquido! O curto-circuito concretista chega às raias de um misticismo do três! Nele cabem mulatas, feijoadas e o que mais nossa imaginação possa criar.

Uma tentativa de interpretação alternativa do dilema brasileiro
Mas, poder-se-ia perguntar, como esclarecer então as inúmeras situações flagrantes de desigualdade que abundam no nosso país, como nos mostra a análise do ritual do "você sabe com quem está falando"? Como explicar a desigualdade e a injustiça social abismal no Brasil sem buscar uma duvidosa continuidade atávica de relações pessoais todo-poderosas do passado? Como levar em conta as efetivas e profundas transformações sofridas pelo país no nosso já secular processo de modernização e, ao mesmo tempo, explicar a permanência de desigualdades tão iníquas? Afinal, era essa questão fundamental que Da Matta havia procurado responder a partir da permanência secular do personalismo e de relações sociais associadas a este. Como construir uma explicação alternativa a esse problema tão importante?
O desafio passa a ser, portanto, explicar o atraso social e político brasileiro sem apelar para explicações que enfatizem a permanência do personalismo como o núcleo da formação social brasileira. Em outro trabalho (Souza, 2000), com maior detalhe e vagar, procurei demonstrar a íntima relação de noções como herança ibérica, personalismo e patrimonialismo, formando a interpretação dominante dos brasileiros sobre si mesmos, seja na esfera da reflexão metódica, seja na esfera político-institucional. Essa concepção, que tem representantes do calibre de um Sérgio Buarque ou Raymundo Faoro, além do próprio Da Matta, logrou transformar-se, de há muito, tanto em senso comum na realidade cotidiana, quanto em projeto político explícito, influenciando decisivamente nossa realidade institucional e as práticas sociais associadas a ela. De acordo com essa concepção, que poderíamos chamar de nossa "sociologia da inautenticidade", o Brasil é o "outro" ou um desvio da modernidade, tendo sido modernizado para "inglês ver", uma modernização epidérmica e de fachada.
Nos limites deste artigo procurarei me concentrar apenas em demonstrar de que modo uma adequada consideração da relação entre valores e sua institucionalização, por um lado, vinculando-a com a questão da estratificação social, por outro lado, pode ajudar a vislumbrarmos uma outra concepção do processo de modernização brasileiro. Essa visão alternativa tem, a meu ver, a vantagem de permitir perceber a sociedade brasileira no seu dinamismo e complexidade inegáveis, ou seja, permite perceber a efetiva modernização do país, ao mesmo tempo que nossa miséria e nosso atraso relativo como resultado da seletividade desse mesmo processo de modernização.
Gostaria de desenvolver a tese acima, ainda que de forma tentativa e incompleta, a partir de uma reinterpretação do trabalho de um outro clássico do pensamento social brasileiro: Gilberto Freyre. A relação entre Roberto Da Matta e Gilberto Freyre é interessante e intrigante. Por um lado, os dois são comumente percebidos como pensadores de uma vertente peculiar de pensamento social brasileiro, aquela que concentra sua atenção em aspectos normalmente não considerados pela tradição científica dominante, como rituais, costumes e hábitos cotidianos. O próprio Da Matta levanta um outro ponto em comum: os dois fariam uma sociologia de quem "gosta do Brasil", ou seja, que seria crítica da tendência pessimista de só ver defeitos no país (Da Matta, 1999b). De um ponto de vista mais analítico, noções fundamentais para Da Matta, como a oposição casa/rua, seriam influências freyrianas (Da Matta, 1991, p. 60).
No entanto, uma leitura atenta permite perceber que os dois autores partem de pressupostos distintos e chegam a conclusões que não poderiam ser mais díspares. Senão, vejamos. Já na visão da singularidade histórica brasileira, um ponto básico para a empresa teórica de ambos, a perspectiva desses autores não poderia ser mais antagônica. Enquanto Da Matta segue, no fundamental, a visão faoriana (Da Matta, 1991, p. 83) da transmissão da herança patrimonial portuguesa ao Brasil, de um Estado patrimonial centralizado e todo-poderoso que inibiria o localismo e o associativismo, Freyre parte do princípio oposto. Para Gilberto Freyre, o Brasil colonial seria um caso extremo de descentralismo político, criando as condições para um patriarcalismo que se cristaliza em mandonismo local ilimitado, pela ausência seja de instituições intermediárias acima da família, seja de efetiva ação e controle do Estado.
A essa oposição inicial correspondem diagnósticos conflitantes acerca do que caracterizaria a modernidade do Brasil. Enquanto Da Matta parece acreditar na continuidade de um esquema rígido de poder que constitui a base empírica do seu quadro de uma sociedade hierárquica que, mesmo no contexto de uma sociedade complexa e diferenciada como a do Brasil da segunda metade do século XX, seria misteriosamente comandada por relações pessoais de família e compadrio, Freyre desenvolve um raciocínio diametralmente oposto.
Minha hipótese é que encontramos em Gilberto Freyre as bases para uma interpretação da formação social brasileira em que o dado da nossa singularidade é posto em primeiro plano. De acordo com essa interpretação, o Brasil seria uma sociedade sui generis e não uma mera continuação de Portugal. Esse ponto é fundamental, já que Freyre também enfatizou, especialmente nos seus escritos luso-tropicalistas, essa continuidade. Sem querer negar que ele tenha estimulado decisivamente também essa tradição — por exemplo, ao forjar o conceito de "plasticidade" do português, conceito esse que seria mais tarde adotado por Sérgio Buarque e que implica uma visão idealista da relação entre valores e sua institucionalização —, creio ser possível, porém, perceber uma visão alternativa na sua obra. Essa visão alternativa talvez tenha sido pouco consciente para o próprio Freyre. De qualquer modo, penso que é a partir dela que mais podemos aprender com este autor e é dela que poderemos retirar o cerne da atualidade da multifacetada obra freyriana.
Essa visão alternativa baseia-se em duas idéias principais. A primeira, que forma o núcleo do argumento de Casa-grande e senzala (Freyre, 1957 [1933]), é a idéia da sociedade colonial brasileira como uma sociedade sadomasoquista. A segunda, núcleo do argumento desenvolvido em Sobrados e mucambos (Freyre, 1990 [1936]), é a idéia da constituição da modernidade brasileira sob a forma peculiar de uma "europeização" que transforma o país de alto a baixo a partir da primeira metade do século XIX.
A tese da sociedade sadomasoquista não é isenta de ambigüidades. Ela se refere ao estatuto peculiar da instituição da escravidão no Brasil. Já aqui temos uma descontinuidade fundamental em relação a Portugal. A escravidão, fenômeno marginal em Portugal, é uma instituição total no Brasil colonial. Em Freyre, a visão sobre a especificidade da escravidão brasileira alterna-se entre uma ênfase no sadomasoquismo e uma concentração no tema da mestiçagem. Essa ambigüidade é constitutiva da forma como Freyre percebe a singularidade da escravidão brasileira. Esta seria uma forma muito peculiar de escravidão, uma "escravidão muçulmana" (Freyre, 1969, pp. 179-180). Malgrado todas as características comuns a todas as formas de escravidão na América, essa forma de escravidão teria particularidades importantes.
Para Freyre, a escravidão muçulmana é aquela que repete a estratégia muçulmana nas suas guerras de conquista e escravização, que permitia ao escravo nascido de muçulmano ser equiparado a este em status caso assumisse a religião e os "valores" do pai (Freyre, 1969, p. 181). Essa astuciosa estratégia propicia uma expansão e durabilidade da conquista inigualáveis na medida em que associa o acesso a bens materiais e ideais muito concretos à identificação do dominado com os valores do opressor. A conquista pode assim abdicar da vigilância e do emprego sistemático da violência para a garantia do domínio e passar a contar crescentemente com um elemento volitivo internalizado e desejado pelo próprio oprimido. O Brasil Colônia estava cheio de exemplos desse tipo de política. Isso permitia que fossem usados aqui capitães-de-mato e feitores negros ou mulatos, fato impensável nos EUA, por exemplo, onde toda a atividade de vigilância e controle dos escravos era realizada exclusivamente por brancos (Degler, 1971, p. 84). Permitia também a povoação de enormes massas territoriais sem que a dominância do elemento conquistador fosse posta seriamente em perigo.
Essa astuciosa estratégia de domínio, se no pólo negativo implica subordinação e sistemática reprodução social da baixa auto-estima nos grupos dominados, no pólo positivo abre uma possibilidade efetiva e real de diferenciação social e mobilidade social. É a partir desse pólo positivo que Freyre constrói sua tese da mestiçagem como peculiaridade social brasileira. Essa construção, por secundarizar o elemento de opressão e subordinação sistemática, é ideológica e conservadora no mau sentido desse termo. Ela efetivamente levou Freyre, provavelmente influenciado pela tradição germânica do "Volksgeist" (espírito do povo),12 estimulado talvez pelo seu mestre Boas, a pleitear uma espécie de "contribuição singularmente brasileira à civilização". Apenas a partir dessa idéia é que podemos compreender a contraposição que perpassa a sua obra entre a democracia racial — ou "social", como ele preferia — brasileira e a democracia "apenas política" dos norte-americanos. Esse relativismo politicamente perigoso o levaria, especialmente nas suas obras luso-tropicalistas, a toda espécie de delírio culturalista acerca de supostas especificidades culturais do moreno e mestiço, e toda sorte de elogio do autoritarismo político para a proteção dessa pretensa originalidade luso-tropical. É também o tema da mestiçagem que faz Freyre enfatizar a continuidade entre Portugal e Brasil. Este seria, afinal, um "gen cultural" herdado dos portugueses.
Não é esse Gilberto Freyre que pretendo reaproveitar aqui. Bem mais interessante, no entanto, é sua idéia da construção de uma sociedade singular no Brasil colonial — uma clara descontinuidade em relação a Portugal, portanto — dada a proeminência da escravidão e de uma forma muito peculiar desta. O tema do sadomasoquismo em Freyre ainda não foi, até onde sei, para além de citações tópicas dos casos mais escabrosos que abundam especialmente em Casa-grande e senzala, tratado sistematicamente.
Na construção do seu argumento, Gilberto Freyre retira todas as conseqüências do fato de que a família é a unidade básica, dada a distância do Estado português e de suas instituições da formação social brasileira, o que o permite interpretar o drama social da época sob a égide de um conceito psicoanalítico e da psicologia social. Na construção desse conceito, Freyre concentra-se em condicionamentos estritamente macrossociológicos, semelhantes àqueles que guiariam a reflexão de Norbert Elias (apenas seis anos mais tarde) acerca do caso europeu na passagem da Baixa à Alta Idade Média.
Antes de tudo, o caráter autárquico do domínio senhorial condicionado pela ausência de instituições acima do senhor territorial imediato era o fundamento dessa especificidade compartilhada por essas duas sociedades. Uma tal organização societária, especialmente quando o domínio da classe dominante é exercido pela via direta da violência armada (como era o caso nos dois tipos de sociedade), não propicia a constituição de freios sociais ou individuais aos desejos primários de sexo, agressividade, concupiscência ou avidez. As emoções são vividas em sua reações extremas, são expressas diretamente, e a convivência de emoções contrárias em curto intervalo de tempo é um fato natural.
A explicação sociológica para a origem desse "pecado original" da formação social brasileira, para Gilberto Freyre, exige a consideração da necessidade objetiva de um pequeno país como Portugal de solucionar o problema de como colonizar terras gigantescas pela delegação da tarefa a particulares, antes estimulando do que coibindo o privatismo e a ânsia de posse. Como resultado, não existia justiça superior à dos senhores de açúcar e gente, como em Portugal era o caso da justiça da Igreja, que decidia em última instância querelas seculares; não existia também poder policial independente que lhes pudesse exigir cumprimentos de contrato, como no caso das dívidas impagáveis de que fala Freyre; não existia ainda poder moral independente, posto que a capela era uma mera extensão da casa-grande.
É nesse contexto de total dependência dos escravos em relação ao senhor, sem a proteção que o costume e a tradição garantiam ao servo da gleba europeu e que lhe possibilitava a constituição de auto-estima e reconhecimento social independentes da vontade do senhor, que podemos compreender a especificidade do tipo de sociedade que aqui se constituiu. A proteção era discrição do senhor e estava relacionada a outra característica árabe da sociedade colonial brasiliera: a família poligâmica. Os filhos dos senhores e escravos, desde que assumissem os valores do "pai", ou seja, se eles se identificassem com ele, tinham a possibilidade de ocupar os postos intermediários em sociedade tão marcadamente bipolar. Devia haver inclusive grande concorrência seja entre os filhos ilegítimos seja entre as candidatas a concubinas pelos favores e pela proteção do senhor e de sua família. Existiam prêmios materiais e ideiais muito concretos em jogo de modo a recompensar quem melhor interpretasse e internalizasse como se fosse sua a vontade e os desejos do dominador. E é precisamente essa assimilação da vontade externa como se fosse própria, assimilação essa socialmente condicionada e que mata no nascedouro a própria auto-representação do dominado como um ser independente e autônomo, que o conceito de sadomasoquismo quer significar.
A importância desse tema para uma compreensão da sigularidade social e cultural brasileira não deve ser subestimada. No tipo de sociedade descrito em Casa-grande e senzala o sadomasoquismo tem os seus efeitos restritos à família poligâmica e sua complexa trama de favores e proteção, de afetos e invejas, de ódio e amor. No entanto, na sociedade brasileira analisada em Sobrados e mucambos, um Brasil que se moderniza sob impacto de uma Europa agora não mais "mourisca" como o Portugal que nos colonizou, mas já individualista e burguesa conforme os exemplos da Inglaterra, França e Alemanha, o sadomasoquismo pode ser visto como condicionando de forma muito interessante o Brasil moderno.
Em Sobrados e mucambos encontramos, ainda que em estado bruto e não desenvolvido explicitamente, uma visão absolutamente singular do processo de modernização brasileiro, a partir da consideração da relação entre valores e sua institucionalização, acrescida da preocupação com a questão do acesso diferencial por grupos e classes aos frutos da mesma. Justamente os pontos que havíamos percebido como ausentes na sociologia damattiana.
É que o processo que Freyre irá descrever neste livro sob a palavra-chave de "reeuropeização" procura perceber modificações tanto estruturais quanto culturais no processo singular de modernização brasileiro. A Europa que nos chega de navio a partir de 1808, com a vinda da familia real e a abertura dos portos, contrapõe-se à espécie de "China tropical" que era o Brasil colonial. Uma sociedade patriarcal sadomasoquista, onde mulheres, crianças e escravos eram extensão da vontade do senhor. Uma sociedade que mal conhecia a tração animal, onde os brancos não se davam ao trabalho de andar na rua pelas próprias pernas, sendo carregados em palanquins pelos negros. Era uma sociedade movida a tração humana e primitivamente antiigualitária e antiindividualista.
É tendo esse contexto em mente que podemos compreender o que significou a reeuropeização para os brasileiros. A interpretação dominante desse processo enfatiza o caráter superficial, epidérmico, imitativo dessa transformação. É isso que permite a manutenção do paradigma do personalismo como interpretação dominante dos brasileiros sobre si mesmos até hoje. De Sérgio Buarque até Raymundo Faoro ou Roberto Da Matta, o personalismo é percebido como formando o núcleo duro da sociedade brasileira e como a única forma de exercitarmos a crítica social de nossas mazelas. Somos atrasados porque somos personalistas nessa versão largamente dominante na Sociologia entre nós. Até Gilberto Freyre, especialmente em Sobrados e mucambos, pode ser, e na maior parte das vezes foi efetivamente, interpretado nesse mesmo sentido. O brasileiro teria se europeizado para "inglês ver", passado a beber cerveja e comer pão como um inglês, passado a se vestir como um francês, mas não só as suas idéias estariam fora de lugar, como todo o seu ser seria inautêntico, uma grande farsa imitativa.
Uma leitura alternativa de Sobrados e mucambos pode nos dar uma outra visão desse processo. É que para Freyre o personalismo, antes todo dominante, é ferido de morte com a reeuropeização. E ele é ferido de morte porque o que nos chega de navio a partir de 1808 não são apenas idéias e mercadorias exóticas. Na verdade, e esse é o ponto fundamental aqui, nos chegam as duas instituições mais importantes da sociedade moderna: Estado racional e mercado capitalista. Afinal, não é apenas a família real que nos visita, mas todo um aparato de vinte mil funcionários e o equivalente a dois terços do meio circulante português. Esse Estado, que merece o nome de racional no sentido moderno do termo, irá pela primeira vez no nosso país se concentrar no atendimento de demandas da população local, sob a forma dos inúmeros melhoramentos que são introduzidos nessa época, assim como na criação da infra-estrutura para o funcionamento de comércio e indústria, como a criação de instituições de crédito e fomento à produção.
Também a abertura dos portos não significa apenas simples expansão da troca de mercadorias. A troca de mercadorias, o comércio, irá reproduzir aqui o mesmo processo que operou alhures: funcionará como principal elemento dissolvente de relações tradicionais. Mais ainda, o comércio será acompanhado da introdução de manufaturas e até da maquinofatura. Mercadorias e máquinas não são produtos materiais quaisquer. Eles são sintoma de relações sociais de outro tipo. Eles pressupõem uma disciplina própria para seus operários e aprendizes, eles pressupõem uma nova visão da condução da vida cotidiana e até uma nova economia emocional adequada às suas necessidades. Não se precisa de uma revolução protestante ascética para se construir uma sociedade moderna: Estado e mercado fazem esse trabalho e produzem o tipo de indivíduo que precisam a partir de estímulos empíricos bastante concretos.
Estado e mercado não são o mundo da rua que pára na porta das nossas casas. Eles entram na nossa casa; mais ainda, eles entram na nossa alma e dizem o que devemos querer e como devemos sentir. É enganoso separar casa e rua (sendo a rua percebida como o mundo impessoal do Estado e do mercado, como vimos), como é enganoso supor a permanência atávica de relações personalistas numa sociedade estruturada por Estado e mercado. Já discutimos acima a importância do poder constitutivo de relações sociais de novo tipo a partir da eficácia do Estado e do mercado. Gilberto Freyre nos mostra com maestria como o personalismo, ou patriarcalismo como ele preferia, desde o início do processo de reeuropeização, é ferido de morte já na própria casa do patriarca. Seu controle sobre sua própria mulher decresce e ele é superado e vencido pelo filho formado em escolas européias que passam a atender melhor as novas necessidades do aparelho estatal e do incipiente mercado que se cria.13
Que esse processo de modernização seja paulatino, que tenha começado a partir de uma base incipiente e que tenha sido repleto de reveses e frustrações, não nos deve cegar com relação à compreensão do processo como um todo. Pode-se reconstruir a análise empírica e descritiva freyriana de modo a percebermos que a implantação incipiente do Estado e do mercado constitui, paralelamente ao escravismo ainda todo dominante no meio rural, uma sociedade de tipo novo nas cidades brasileiras mais importantes do século XIX. Nossa modernização não começa com o Estado interventor dos anos 30 que cai dos céus criando demiurgicamente o Brasil urbano e capitalista: esse novo Brasil moderno é gestado paulatinamente durante todo o decorrer do século anterior.
Esse ponto é importante posto que vai de encontro à interpretação, dominante entre nós, de que esse processo fundamental seria um mal-entendido, uma revolução para "inglês ver", epidérmica e inautêntica. Essa é uma visão idealista da relação entre valores e sua institucionalização. Freyre capta, como Max Weber na sua sociologia da religião, os dois momentos dessa complexa relação recíproca. Sem idéias e valores novos não há mudança social possível. Sem estruturas que institucionalizem esses novos valores e idéias na vida cotidiana, por outro lado, não há como eles se reproduzirem no mundo concreto. É essa relação que Freyre percebe melhor que qualquer outro intérprete que conheço desse período.
Mas reeuropeização não é apenas diferenciação social das esferas política e econômica. Reeuropeização não se confunde, portanto, com simples modernização. Ela é também índice de um padrão específico de assimilação cultural. A forma pela qual assimilamos a modernidade tem semelhança com a forma pela qual, na análise de Elias, as classes inferiores adotam o padrão cultural e o gosto das classes superiores. Elas o fazem sob o preço de uma "Verkitschung der Seele" (Elias, 1989, vol. I, p. 426), algo como, numa tradução livre, uma "ausência de originalidade da alma". O "kitch", ou seja, a assimilação irrefletida, é produzida pelo prestígio de valor absoluto de tudo que tinha ou tem ainda hoje a ver com Europa. Se o valor é absoluto, isso significa que não existe distância crítica possível em relação a ele. Aqui não se trata da inautenticidade da nossa modernidade, lembrada por vários críticos, mas precisamente do fenômeno contrário. Afinal, não é a superficialidade da assimilação que está em jogo, mas, ao contrário, sua absorção tão completa que não existe espaços de desenvolvimento de um projeto culturalmente original a partir dela.
Foi a absorção da modernidade de fora para dentro como um valor absoluto que impediu e impede tanto a existência de distância crítica em relação a esse projeto, como também a naturalidade que encontramos nos europeus ocidentais. Os europeus, e os norte-americanos é claro — afinal, não estamos falando de geografia mas de racionalismos culturais —, podem se dar ao luxo de desenvolver um padrão próprio e peculiar de serem modernos. A ansiedade de ser moderno, a grande vontade galvanizadora nacional desde o começo da reeuropeização até hoje, nos impede que sejamos modernos ao nosso modo e até, no limite, que nos reconheçamos como tais. Toda uma gama de questões importantes se descortina a partir desse fato.
Freyre também percebe, outra óbvia correspondência com Max Weber, que toda inovação valorativa e institucional exige a identificação das classes e grupos que lhe servem de suporte. O esclarecimento dessa relação permite visualizar, ainda, em benefício de quem se deu a transformação. É nesse ponto que podemos unir as duas pontas do raciocínio que estamos desenvolvendo neste texto. É que a classe intermediária entre senhores e escravos criada pelo tipo singular de escravidão muçulmana que se desenvolveu entre nós encontra no contexto da reeuropeização, pela primeira vez, um lugar próprio e não apenas os interstícios de um sistema tão marcadamente bipolar como o escravista.
O mulato, pensado aqui mais como tipo social do que como cor de pele, filho da íntima comunicação tipicamente muçulmana entre desiguais, é o elemento que irá de certa forma equivaler ao nosso elemento mais tipicamente burguês naquela sociedade em transformação. É ele que será o aprendiz do estrangeiro nas manufaturas ou o ajudante do comerciante, estimulado pela ausência relativa daquele preconceito congênito ao elemento superior de toda sociedade escravocrata contra o trabalho manual.14 É ele também que ascenderá, pelo estudo e mérito pessoal, competindo com o elemento aristocrático branco, a funções nobres do aparelho de Estado, na vida literária, na esfera da ciência etc. Ele é o primeiro suporte do componente burguês e individualista na nossa sociedade, por incorporar o elemento de valorização pelo saber e pelo mérito pessoal. Nada mais burguês e individualista, pela oposição a toda determinação adscritiva de valores e posições herdadas familisticamente, que forma a base da estratificação social de sociedades tradicionais.
Interessante é que o padrão de ascensão social, ou de cidadania, como diríamos hoje em dia, continua, no século XIX, o mesmo da época colonial: o princípio do escravismo muçulmano. Ele se dá individualmente e para aqueles que se identificam com os valores do dominador, no caso, agora, já os valores impessoais do individualismo europeu. É apenas o mulato talentoso, estudioso e apto que ascende. Apenas aquele que se "europeíza". Mais interessante ainda é notar que no século XX, quando os valores da modernidade já têm como suporte o Estado interventor, os setores e grupos que ascendem à cidadania, à cidadania regulada, no caso (ver Santos, 1998, pp. 103-109), são também aqueles que se identificam com o projeto modernizador estatal. A sociedade se impessoaliza mas a regra da inclusão e da exclusão se mantém.
Esse ponto é importante posto que descobre uma especificidade fundamental de nossa sociedade. Aqui a ascensão social não se deu, como na Europa, coletivamente. Na esteira de Weber, Charles Taylor (1997, especialmente pp. 273-300) percebe que a auto-estima protestante, baseada na noção de trabalho sagrado, inverte a ordem do mundo tradicional em todas as suas dimensões, especialmente na esfera política. A noção de trabalho intramundano como o caminho especificamente protestante de salvação é revolucionária em dois sentidos fundamentais. Primeiro, ela reverte o ideário, que vingava desde a Antiguidade, da preponderância da contemplação sobre a ação, ou do trabalho contemplativo sobre o trabalho manual e prático, acarretando aquilo que Taylor chama de "afirmação da vida cotidiana". Ocorre uma espécie de inversão valorativa de 180 graus: as atividades práticas e manuais são valorizadas à custa do desprestígio de qualquer esforço contemplativo "inútil". O simples marceneiro vale mais do que o filósofo na sua torre de marfim.15 Essa idéia é intrinsecamente democrática, já que implica a deslegitimização da hierarquia social, estamental e tradicional, associada à desqualificação do trabalho manual e pragmático.
Em segundo lugar, ela é revolucionária no sentido de que a dignidade individual, ou, em termos políticos, o direito à cidadania passa a ser vinculado ao trabalho. A ascensão da burguesia se dá quando a crítica à aristocracia como classe ociosa, que não "trabalha", ganha legitimidade em amplas camadas da sociedade. Também a ascensão do proletariado se deve ao prestígio do valor-trabalho. Nesse sentido, uma concepção como a do valor-trabalho marxista só se torna compreensível num contexto em que a revolução protestante tenha fincado raízes sólidas e influenciado, inclusive, países católicos, como é o caso paradigmático da França. A enorme eficácia social das teorias políticas seculares do valor social do trabalho, que permitem a ascensão política do proletariado no decorrer do século XIX, apóia-se, vicariamente, na revalorização protestante do trabalho útil.
Também foi o trabalho que permitiu a uniformização de uma economia emocional para todos os estratos na sociedade moderna. A burguesia, como primeira camada dirigente da história que trabalha (Elias, 1989, vol. II, pp. 434-455), possibilitou a produção de um tipo uniforme de ser humano, a partir do compartilhamento da relação típica entre emoções e razão exigida pela produção capitalista, como calculabilidade, previsibilidade, maior importância da satisfação adiada de necessidades etc. Nos mais variados sentidos, portanto, o trabalho revalorizado é o pressuposto do mundo moderno como o conhecemos, sendo, inclusive, um pressuposto da idéia de cidadania moderna baseada na noção da igualdade do valor de cada um, na medida em que todos trabalham e contribuem igualmente para o desenvolvimento da coletividade.
Nesse sentido, divergindo em parte do que pensa Wanderley Guilherme dos Santos, o arguto propositor desse conceito, não creio que o problemático na noção de cidadania regulada seja o fato de a cidadania não se originar "da expansão dos valores inerentes ao conceito de membro da comunidade", na medida em que esses "valores inerentes ao conceito de membro da comunidade" até bem pouco tempo16 eram corolário do princípio de que os homens são iguais porque trabalham e seu trabalho possui um valor tendencialmente intercambiável. O interesse da noção de cidadania regulada reside, a meu ver, em outro lugar. Antes de tudo no fato de sua seletividade estar ligada ao esforço de modernização tendo o Estado como suporte, ou seja, no fato de que algumas funções ou profissões são tidas como mais importantes do que outras para o esforço societário de modernização, invertendo a tendência equalizante que predominou nos países centrais do Ocidente, pondo a nu, dessa forma, uma sobrevivência histórica de longa duração.17 Nesse último aspecto, ela mostra uma surpreendente continuidade histórica, evidentemente sob outras formas, agora impessoais, da regra de inclusão e exclusão vigente desde o Brasil Colônia. Esta implica, desde a "escravidão muçulmana", a cooptação sistemática dos membros mais capazes das classes populares, explicando a convivência de miséria intermitente com real possibilidade de ascensão social para os setores desprivilegiados que sempre caracterizou nosso país. Ajuda também a que se perceba a miséria, ao menos parcialmente, como fracasso individual.
Desse modo, fato que ajuda a relativizar e matizar o argumento que venho desenvolvendo ao longo deste artigo acerca da necessidade de considerarmos a eficácia institucional do Estado e do mercado, essas duas instituições estruturais não foram suficientes para possibilitar, por si mesmas, a homogeneização das condições e oportunidades sociais. É que o mesmo conjunto de circunstâncias que constituíram o Brasil moderno é apenas a contraface de um processo maior que cria a nossa miséria e desigualdade. A paulatina decadência da economia e da sociedade escravocratas, o setor menos dinâmico da dualidade transicional que se constitui na época da reeuropeização, vai expulsar para a margem do sistema toda uma legião de inadaptados ao novo sistema vencedor. São eles que vão constituir nossos párias urbanos e rurais desde então.
O fato de a Europa moderna não ter tido sua gênese em sociedades escravocratas, como lembra Elias ao ressaltar sua ruptura em relação a essa herança do mundo antigo, facilitou esse processo de equilíbrio entre as diversas classes e a universalização da categoria de cidadão. O cidadão é precisamente o resultado do longo processo de substituição da regulação externa pela regulação interna da conduta. Ele não só tem os mesmos direitos, mas também a mesma economia emocional. O reconhecimento da interdependência entre as diversas classes que trabalham, acordo só possível quando a primeira classe dirigente da história que trabalha, a burguesia, assume o poder, propiciou uma equalização efetiva internamente a cada espaço nacional. Foi criado um tipo humano uniforme, seja na sua organização afetiva, seja na sua organização racional e valorativa, uniformidade essa percebida por Elias como o pressuposto estrutural do cidadão moderno. É justamente essa consciência da interdependência social que é obstaculizada em sociedades tão influenciadas pelo escravismo como a nossa (ver Elias, 1989, vol. II, p. 70).
No caso brasileiro, o processo de modernização que torna a sociedade escravocrata caduca a partir da primeira metade do século XIX abandona à própria sorte toda uma classe, a dos escravos, que jamais irá recuperar qualquer função produtiva na nova ordem. É aí que se cria uma classe de párias urbanos e rurais que valem, não só para uma elite má mas, objetivamente, para toda a sociedade, inclusive para as próprias vítimas, menos do que outros. Nesse contexto não existe, objetivamente, cidadania, mas apenas sub e supercidadãos. Mas não é, como afirma Da Matta, o não acesso a relações personalistas privilegiadas que acarreta a subcidadania. São valores objetivamente inscritos na nossa lógica institucional e no âmago do nosso senso comum, sendo resultado da forma singular pela qual fomos efetivamente, e não epidermicamente como pensa Da Matta, modernizados.18
A tematização do nosso atraso, miséria e desigualdade não precisa do paradigma personalista para ser criticado. Essa idéia, primeiro gestada por pensadores em universidades e depois transformada em projeto político e prática social e institucional, reveste o brasileiro de hoje como uma segunda pele, com conseqüências e efeitos deletérios. O projeto político do personalismo, especialmente na sua versão patrimonialista, é o programa político hegemônico tanto dos ocupantes do poder quanto da oposição. Para o projeto político no poder, o programa é racionalizar o Estado de modo a estimular a competição e eficiência do mercado. Na oposição, o mote é a crítica populista à corrupção, esse dado estrutural da política moderna, que no patrimonialismo transformado em senso comum adquire contornos de especificidade brasileira. Os aparentes contendores lutam num mesmo campo comum de idéias.
Essa concepção pressupõe que a política é uma atividade intra-estatal e esquece uma terceira instituição, além de Estado e mercado, que veio modificar fundamentalmente a vida pública e privada modernas: a esfera pública. Habermas, e nisso reside sua importância seminal para a Sociologia contemporânea, foi o teórico da lógica específica a essa instituição. Uma discussão pública da função dessa esfera social fundamental jamais foi realizada entre nós, embora seja indispensável e talvez o passo mais importante para o resgate material e simbólico dos nossos miseráveis. São questões que ficam no limbo na interpretação personalista e patrimonialista de nossa reflexão teórica e das práticas sociais e institucionais que se formam a partir dela.
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FILMES


http://www.youtube.com/watch?v=ELKZmdM7QEA

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A violência contra os professores

Escreva uma dissertação na qual você busque explorar as causas da violência dos adolescentes contra os professores. Não necessário usar somente os textos que forneci. Use os seus argumentos, inclusive. Afinal, você acaba de terminar o colegial. Dê um título.

Florianópolis - Agressão física e ofensas verbais de um aluno de 12 anos da 5ª série do Ensino Fundamental contra sua professora de português viraram caso de polícia. O fato ocorreu ontem, em Florianópolis, na sala de aula do Instituto Estadual de Educação (IEE), maior colégio público de Santa Catarina, atualmente com cerca de cinco mil alunos matriculados.

A repreensão da professora ao adolescente que brincava com o celular enquanto a aula era dada deu origem à briga. Segundo versão da professora, que preferiu não se identificar, o aluno se recusou a guardar o celular ao seu primeiro pedido. Quando pediu para que o aparelho lhe fosse entregue, o aluno levantou-se da carteira e partiu em sua direção com agressões verbais e físicas.

"Me deu um tapa no braço e veio para me dar um soco. Eu disse que se ele tivesse este tipo de atitude teria que encaminhá-lo para a polícia", relatou a professora.

Com o adolescente descontrolado e chutando carteiras de outros alunos, a professora pediu o auxilio de um coordenador, sendo os dois encaminhados para a direção da escola. Em seguida, a professora procurou a polícia para fazer um boletim de ocorrência. Conforme a professora, esta foi sua primeira agressão física feita por um aluno em 21 anos de magistério.

Com histórico de agressões verbais a outros professores, o adolescente foi afastado da escola, preliminarmente, por um período de sete dias, podendo ser afastado definitivamente. A professora recebeu folga por tempo indeterminado. A diretora geral do IEE, Gilda Mara Marcondes, defendeu a professora. "Ela ficou ferida no braço mas também no coração. Isso abala", comentou.

Este não foi o primeiro caso de agressão no ambiente interno do IEE neste ano. Na primeira quinzena de agosto deste ano, uma mãe de aluno entrou no colégio e agrediu violentamente, com tapas e pontapés, uma professora. A mãe justificou o ato à denúncia da filha de oito anos que sua professora lhe batia.

Por conta da repercussão do caso as aulas chegaram a ser suspensas. Cerca de 100 professores da instituição repudiaram a atitude violenta em passeada pelas principais ruas da cidade. Pelo menos outras três agressões graves contra professores foram registradas em 2008 e 2009 em Florianópolis.

http://noticias.uol.com.br/ultnot/agencia/2009/10/23/ult4469u47834.jhtm

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A indisciplina nas salas de aula, a falta de respeito e a violência (verbal e física) são preocupações constantes em algumas escolas públicas. Não só entre os estudantes, mas também entre eles e os professores. De um lado, adolescentes que não respeitam a hierarquia da escola; de outro, mestres que abusam da sua posição para mostrarem-se superiores. Esse conflito desgasta o convívio escolar, torna a aprendizagem complicada e faz cair a qualidade que ainda resta em algumas instituições públicas.

O maior caso de reclamações de desrespeito em salas de aula nas instituições públicas está ligado à relação professor/aluno. Helena Cordeiro dos Santos, professora de geografia do Colégio Municipal Papa João XXIII, conta que alguns alunos procuram medir forças com o professor por uma questão de afirmação ou aceitação no grupo. Para ela, esses problemas de relacionamento não são culpa somente da família. “Acho que é uma mistura de tudo: família, amigos, ambiente escolar.” A professora afirma que a profissão se torna sofrida com as constantes agressões. “Todo mundo tem vontade de se aposentar, é muito desgastante. Se na primeira aula você já escuta um desaforo, desanima para o resto do dia”.

Para o psicólogo e mestre em educação Josafá Moreira da Cunha, o ambiente escolar é fator fundamental para formar o caráter do aluno. O especialista afirma que muitas escolas tentam isentar-se dessa culpa e negam que seja problema delas a falta de disciplina do aluno em classe. “Não adianta culpar só a família, pois as relações fora de casa influenciam nas atitudes do adolescente”.

Já a coordenadora pedagógica do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, Eliane Ovelar, acredita que a escola tem que intervir para tentar superar a agressividade dos alunos ou futuras complicações com professores. “A violência varia de escola para escola, mas não podemos esperar o delito para tomarmos alguma atitude”. Contudo, a coordenadora afirma que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) dá uma proteção exacerbada ao aluno, o que pode deixar os professores e diretores sem saídas para algumas situações de violência interpessoal em sala de aula.

A Secretaria de Educação do Paraná tem programas de enfrentamento à violência nas escolas, mas os projetos não incluem pesquisas sobre violência verbal e psicológica. As estatísticas baseiam-se no número de ocorrências registradas pela Patrulha Escolar, grupo especial da Polícia Militar que cuida de casos de infrações em ambientes escolares. Para Eliane, não se deve esperar ajuda quanto a projetos de acompanhamento psicológico – tanto para alunos quanto para professores – por parte do Estado. “Deve-se agir por conta. Algumas orientações até são válidas, mas na prática é diferente.”

Quando a agressão parte dos mestres

Josafá aponta que, em alguns casos, a agressão pode partir do próprio professor – e estimular a violência em crianças e adolescentes. “O simples fato de ser irônico com algum aluno pode ser caracterizado como desrespeito”. A professora Helena admite que alguns professores desrespeitam os alunos, o que torna preocupante a formação dos estudantes na escola. “Isso pode parecer, para o aluno, que o contrário também seja possível”.

João Gustavo Hass é estudante do terceiro ano do ensino médio. Ele conta que um dos maiores problemas de sua classe é o desrespeito por parte de quem deveria ensinar. “Os professores agem de uma forma muito agressiva ao responder aos alunos. Tem acontecido muita briga por causa de discussão entre alunos e professores”. O estudante conta que as humilhações são freqüentes e que os mestres, ao invés de instruir, preferem apontar os erros do aluno perante a classe. Contudo, o estudante tem uma visão crítica do fato e também admite a parcela de culpa dos alunos nas agressões. “Alunos e professores ficam de ‘saco cheio’ com essa falta de respeito. Sobra pra quem precisa estudar”.

Perseguição entre alunos

Problemas de relacionamento e falta de respeito não giram, contudo, só no âmbito professor/aluno. As relações entre os próprios estudantes são conflituosas e violentas. Em alguns aspectos, as agressões verbais são chamadas de Bulling – nome característico referente às perseguições a alguns alunos por aparência, raça, etnia, entre outros aspectos. O psicólogo Josafá alerta para as peculiaridades dos alunos que perseguem seus colegas. “Geralmente são pessoas inseguras, que se filiam a um bando e perseguem alguém para se auto-afirmarem”.

Em uma pesquisa feita pelo especialista, constatou-se que os transtornos psicológicos estão relacionados aos estudantes mais agressivos. Dentre os 850 alunos entrevistados em quatro estados brasileiros (PR, MG, GO e PI), o maior índice de depressão encontrava-se naqueles que cometiam a agressão (11%), e não nos que sofriam humilhações (6,6%). Josafá explica que este comportamento se deve a um histórico psicológico e de comportamento já deturpado do agressor, como problemas de família ou de autoconfiança. “É uma situação que desencadeia mais facilmente síndromes como a depressão e outros problemas comportamentais”.

Mundos nem tão diferentes

Quando se fala em violência nas escolas, o pensamento logo encontra apoio em escolas públicas. Não são raros os registros que confirmam os altos índices de violência em instituições de ensino público – o que não elimina do quadro escolas particulares.

Carolina Comel, estudante do primeiro ano do ensino médio confirma o fato. A falta de respeito entre alunos e professores existe também em colégios particulares, mesmo que não seja evidente. “Acontecem bastantes brincadeiras entre os professores e alunos, mas às vezes algumas ficam chatas”. Carolina afirma que a questão é mais nítida na relação entre os alunos. “Nos colégios particulares têm muito disso, de ficar tirando um com a cara do outro. Eu acho que deveria ter mais respeito, ninguém é perfeito e quem faz isso (perseguições a colegas) não pensa o quanto pode prejudicar”.
http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/node/5568

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O avanço da indisciplina e do desrespeito em sala de aula não resulta apenas em dores de cabeça, traumas e contusões em professores e alunos. Também se reflete no desempenho escolar sofrível dos estudantes brasileiros.

Segundo especialistas, o mau comportamento é um agravante do cenário caótico da educação no país, que nas últimas três provas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), aplicados a cada três anos pela OCDE, amargou as últimas posições.

– O problema é que a maioria dos professores leva as más atitudes dos alunos para o lado pessoal e acaba confrontando e brigando com eles na aula. Isso gera um clima de estresse muito grande e, sem dúvida, contribui para piorar o desempenho de todos – afirma a professora de Psicologia da Educação da UFRGS Tania Beatriz Iwaszko Marques.

Além de resultar em notas ruins, a indisciplina causa traumas às vezes definitivos nos educadores, muitos dos quais vítimas de agressões graves, físicas e verbais – como aconteceu com a professora Glaucia Teresinha Souza da Silva, 25 anos, que sofreu um traumatismo craniano depois de ser empurrada por uma aluna, em Porto Alegre, em março deste ano.

A situação no Rio Grande do Sul se tornou tão problemática que o Sindicato dos Professores das Escolas Particulares (Sinpro) chegou a criar o Núcleo de Apoio ao Professor contra a Violência (Nap).

– Notamos que, com o passar do tempo, tem aumentado muito o nível de agressão dentro de sala de aula. O problema se agrava quando se aproxima o final do ano, por causa da pressão por notas e pelo cansaço. Os professores se sentem muito sozinhos para lidar com essa situação. Eles adoecem por causa da estafa a que são submetidos – diz a diretora do Sinpro e coordenadora do Nap, Cecília Farias.

As feridas do desrespeito
- Um estudo da Associação dos Supervisores de Educação do Estado aponta o desrespeito por parte dos alunos como a segunda principal razão para não se seguir a carreira de professor
- Pesquisa do Sinpro revelou que 83,2% dos professores haviam sofrido desrespeito da autoridade e 12,8%, agressões físicas
- Segundo o Cpers/Sindicato, 40% das licenças de saúde são por problemas psicológicos

As soluções

Apesar do rastro de consequências negativas, o avanço da desobediência diante do quadro negro tem solução. Especialistas apostam em uma mudança de comportamento tanto na família quanto na escola.

O primeiro passo para recuperar o respeito da gurizada em sala de aula e garantir o bom comportamento, segundo a professora da Faculdade de Educação da UFRGS Roséli Maria Olabarriaga Cabistani, é a reaproximação dos pais. Nos últimos anos, a pesquisadora lembra que eles relegaram à escola a tarefa de transmitir a civilidade – imprescindível quando o assunto é disciplina. Essa passividade, porém, precisa ficar para trás.

– É difícil culpar os pais, porque eles também estão numa posição complicada, já que precisam trabalhar para dar o melhor aos filhos. Mas é muito importante que estejam presentes pelo menos nos momentos mais importantes. Às vezes, uma palavra já faz a diferença – acredita Roséli.

Por outro lado, conforme a professora Tania Beatriz Iwaszko Marques, também é necessária uma nova postura por parte dos educadores para reverter o problema da indisciplina. A especialista afirma que de nada adianta o professor dominar o conteúdo de sua matéria, se não sabe transmiti-lo. Na mesma linha, o pesquisador Fernando Becker ressalta ainda que a formação docente precisa melhorar.

– Um professor sem preparo adequado quase que inevitavelmente vira alvo do aluno mal-intencionado. Além de saber tudo do assunto que ensina, ele deve entender que não pode entrar no jogo e bater boca com os jovens – afirma Becker.

É consenso entre os estudiosos que as aulas têm de ser mais atraentes e conectadas à realidade da garotada. O grande desafio da escola, nesse sentido, é ser desafiadora. E, mais do que isso: surpreender.

O papel de cada um
O QUE OS PAIS PODEM FAZER
- Não tenha receio de dizer não quando necessário
- Ensine a criança ou o adolescente a se colocar no lugar do outro
- Procure frequentar a escola de seu filho

O QUE OS PROFESSORES PODEM FAZER
- Procure estabelecer uma relação de respeito mútuo
- Esteja atento aos sinais que os alunos estão dando. Conversas paralelas podem ser um indício de que as suas aulas são ruins

“A família precisa fornecer noções básicas de civilidade”
Professor Joe Garcia, doutor em Educação e especialista em indisciplina da Universidade Tuiuti do ParanáA falta de limites na sala de aula é o foco das pesquisas do doutor em Educação e especialista em indisciplina Joe Garcia há mais de uma década. O professor do Mestrado em Educação da Universidade Tuiuti do Paraná adiantou ontem pontos da palestra que deve apresentar amanhã, no 10º Congresso da Escola Particular Gaúcha:

ZH – Quais são as causas da indisciplina?

Joe Garcia – Há causas externas e internas à escola. Entre as externas, três se destacam. A primeira é a violência social. Num mundo cada vez mais violento, as pessoas vão ficando menos solidárias. Isso está sendo observado nas escolas e tem muito a ver com a indisciplina. Outra causa externa é a influência da mídia, que está mexendo na visão de mundo e no estilo de vida dos jovens. Para os professores, é difícil lidar com toda essa variedade de expressões culturais. A terceira causa é o ambiente familiar. Estudos mostram que a participação da família no processo educacional é fundamental. Ela não precisa fazer o trabalho da escola, mas tem de assumir o papel de torcida organizada e dar noções básicas de civilidade.

ZH – E quais são as causas internas da indisciplina nas escolas?

Garcia – A primeira delas é a qualidade do currículo. Se a escola tem um currículo desatualizado, fica difícil para professores e alunos. Muitos jovens usam a indisciplina para comunicar aos professores que as práticas pedagógicas são ruins. Um dos grandes desafios da escola moderna é conseguir ser desafiadora. Às vezes, as aulas são menos desafiadoras do que um jogo de videogame.

ZH – O que os pais podem fazer para frear a indisciplina?

Garcia – Até certo ponto, a culpabilização da família é verdadeira. O que vemos hoje são adultos com a agenda lotada e com o dia basicamente caótico. Nós, pais, precisamos desenvolver maior interesse pela vida escolar dos nossos filhos. Precisamos estar mais presentes. É importante de vez em quando folhear os livros deles para valorizar os estudos e ir com eles a livrarias para mostrar que o conhecimento é algo interessante. São coisas simples e que não custam tão caro.
http://www.mp.rs.gov.br/imprensa/clipping/id85560.htm?impressao=1&

Sobre neologismos. Proposta para quem quer ler mais.

Linguagem Educacional: Cristovam Buarque e seus Neologismos
PERISSÉ, Gabriel
Professor da Pós-Graduação do Programa de
Pós-Graduação em Educação da Universidade Nove de Julho (SP)
http://www.perisse.com.br A neologia Ao criarmos palavras novas para significados novos, ou significados novos para palavras já existentes, demonstramos ter compreendido a ductibilidade da linguagem e a nossa capacidade de expressar idéias e percepções originais. A criação neológica exige certa dose de coragem lingüística e independência intelectual; ou de rebeldia, no caso da linguagem adolescente; ou de ―inconsciência‖, como no caso da linguagem infantil, que os parentes e professores se encarregam de corrigir, ou adulterar... Os neologismos produzidos são submetidos ao julgamento de ouvintes e leitores. São examinados, testados, acolhidos ou descartados. Qualquer um de nós está capacitado a contribuir para o enriquecimento léxico. Todos os falantes são neologistas em potencial, dado que o idioma, sempre, em algum momento, depende do neologismo para renovar-se e sobreviver. A neologia não é tarefa exclusiva de intelectuais e ficcionistas, embora sejam eles especialmente capacitados e ―autorizados‖ a fecundar o idioma. Tradicionalmente, distingue-se a neologia formal da neologia de sentido. Aquela consiste em produzir palavras ainda não dicionarizadas, novas unidades lingüísticas que vêm ao encontro de uma necessidade expressiva até então inexistente. Um exemplo brasileiro recente é o ―mensalão‖, variante de ―mensalidade‖, num contexto de ilegalidade: pagamento mensal a deputados com a intenção de corrompê-los. O neologismo começou a circular na mídia em junho de 2005 e integrou-se rapidamente ao vocabulário político e popular. Já um neologismo rejeitado foi ―correletro‖, que alguns poucos tentaram usar como substituto do termo e-mail (eletronic mail, surgido na década de 1980), e simplesmente não vingou. Sua vida curtíssima, se é que a teve, é explicada por um único e decisivo motivo: não soou bem, não recebeu o abono dos falantes, o nosso abono. Por outro lado, na neologia de sentido, empregam-se palavras correntes, conhecidas e até ―surradas‖, já dicionarizadas e aceitas, mas com novo significado, também para dar conta de novas realidades e, por conseguinte, satisfazer novas necessidades de expressão e comunicação. A palavra ―tribo‖, por exemplo, sofreu pelo menos duas mutações semânticas em sua longa existência.
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Utilizada entre os antigos romanos como classe de pessoas dentro do povo — grammaticas tribus eram as classes dos homens dedicados às letras; uma pessoa podia ser tribu moveri, expulsa de seu grupo social —, no século XVI ganhou sentido suplementar, designando as diferentes comunidades indígenas do Novo Mundo. A partir daí, foi se impondo a associação entre ―tribo‖ e ―primitivismo‖, entre ―tribo‖ e ―arcaísmo‖. Pode a antropologia esclarecer que uma tribo é tão-somente aquele grupo social autônomo com certa homogeneidade física, lingüística e cultural, mas colou-se ao termo a idéia de atraso, ou de uma realidade fechada em si mesma, como quando se compara a economia ―tribal‖ (de simples subsistência) à economia de mercado, à economia global (e, portanto, mais desenvolvidas). Recuperamos, porém, de certo modo, o sentido mais antigo da palavra, em referência a células sociais definidas por determinadas características e comportamentos. Pessoas com ocupações, objetivos e interesses comuns; com os mesmos gostos musicais, valores, modos de pensar; com certos modos de falar, vestir-se, pentear-se, formam tribos específicas, tribos afetivas, novos clãs, novas comunidades. A palavra ―tribo‖ ajuda a entender essa estrutura antropológica ―que consiste em se reconhecer a partir do outro, a existir pelo e no olhar do outro‖ (Maffesoli, 1992, p. 217) — a tribo dos surfistas, dos psicanalistas, dos ufólogos, dos metaleiros, etc. Existirá a tribo dos neologistas? A ela já pertencemos por direito de nascimento, ou é necessário adquirir algum hábito mental, desenvolver algum tipo de habilidade? E em que medida o neologismo é conduta verbal necessária para pensarmos com mais pertinência realidades complexas como a educação brasileira? Ser ou não ser neologista Somos todos neologistas. Ou, para seguir Oswald de Andrade no Manifesto Pau-Brasil (publicado pelo Correio da Manhã em 18 de março de 1924), sendo a língua ―natural e neológica‖, é natural ou seria natural que o que somos se transformasse no que falamos. O homo loquens neologiza. Também o homo scribens. Mas podemos fazê-lo mais consciente e lucidamente, de modo sistemático, para polemizar e convencer. Como uma forma de reivindicar atenção para certos aspectos da realidade. Como uma forma contundente de argumentar. Os que trabalham com a reflexão educacional precisam ativar essa capacidade neologizante, se quiserem ir para além dos lugares-comuns e das idéias pasteurizadas. Esta capacidade de criar novas palavras alimenta-se de (e reflete) uma outra capacidade — pensar e repensar com renovado interesse, e renovada ênfase. O neologismo pode tornar-se ponto de apoio para interpretações novas, que por sua vez podem gerar críticas novas e novas propostas de mudança. Paulo Freire revela sua prática neológica intencional — ―dialogação‖ e ―dodiscência‖ são duas de suas invenções mais sugestivas —, com o intuito de criar um ―discurso-alerta‖ (Simões, 2006, p. 98).
Os neologismos jamais são gratuitos. Podem ser termos que pressuponham um projeto de esclarecimento, e seria desejável que sempre fosse essa a história de uma nova palavra. Contudo, podem também ocultar (e revelar, enfim, se bem analisados) forças, lógicas e interesses manipuladores. Pensemos num caso relacionado à educação. Um neologismo de gosto duvidoso, ―treineiro‖ — candidato inscrito em exames vestibulares que ainda não concluiu o ensino médio e participa do(...)


http://www.hottopos.com/notand_lib_11/gabriel.pdf

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A escolha da profissão

Fiz este trabalho há uns quatro anos. Mas ainda vale.

Leia a conversa , aproveite uma parte dela para desenvolver um texto cujo recorte temático seja a escolha da profissão.



http://profared.wordpress.com/2008/07/10/785/

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Proposta sobre a solidão

Escreva uma dissertação sobre a solidão. Afinal, ela é sempre um sentimento ruim?


TEXTO 1

Solidão
Alceu Valença

A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.

A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.

A solidão é fera,
É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.

A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.

A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.

A solidão é fera,
É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.

A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.

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TEXTO 2 ( é um texto que provém dum site religioso, mas o texto não contém elementos de religião, então, posso colocá-lo aqui. Você sabe que não é permitido usar argumentos religiosos numa redação de vestibular. E a proposta, inclusive, não pode fazer deles utilidade.)


Por muito tempo a solidão foi tratada como algo ruim ao ser humano, definida como “vazio interior”, associada ao isolamento de pessoas e até diagnosticada como doenças.

Toda definição da solidão como algo plenamente negativo está equivocada. O ser humano que por natureza tende a ser para os outros, a se relacionar e viver em sociedade, também tem necessidade de estar consigo mesmo, de viver uma solidão necessária.

Não me refiro aqui à solidão patológica, aquela que surge mais como sintoma de uma doença e que não pode ser definida apenas como um sentimento, como é o caso de uma depressão por exemplo - esta deve ter o acompanhamento profissional e tratamento médico

Muitas pessoas fogem de uma solidão que lhes permitem estar consigo mesmas, fogem então da possibilidade do encontro, da cura, do autoconhecimento. Talvez o grande problema do homem moderno seja a fuga de si mesmo, a incapacidade de estar a sós, o homem foge de uma solidão que quer lhe fazer bem, o homem moderno é um fugitivo.

Geralmente fugimos de algo que nos assusta, de algo que não queremos enfrentar e que nos causa dor e tristeza. Ainda quando crianças tínhamos medo do escuro ou dos “monstros” que poderiam surgir dos lugares mais bizarros de nossa casa, enfim, tínhamos o medo do desconhecido e das fantasias criadas por nossos pais. O homem moderno continua com o medo do desconhecido, no entanto o desconhecido não está nem tanto no exterior ou nas fantasias criadas por outrem, o homem, ainda que inconsciente, tem medo do seu “desconhecido” interior, de mergulhar nas profundezas do seu ser, e como a solidão é a porta para adentrar no desconhecido do seu “eu”, o homem cria mecanismos de defesa, ele entra no “agito”, no trabalho frenético, nas “baladas” sem fim, na busca desenfreada por dinheiro, sexo, diversão, tudo isso como medo de si mesmo.
Existe uma solidão necessária para o homem como alternativa da busca de si mesmo, mas não para encerrar-se em si, mas para transcender, pois o homem por si só também é um poço de limites, entregue a si mesmo o homem também não se satisfaz, mas a finitude no homem o impulsiona para o infinito, e aqui entra a maravilhosa descoberta filosófica – e por que não teológica - de Santo Agostinho: Noli foras ire, in teipsum redi: in interiore homine habitat veritas. “não vá fora, entra em ti mesmo: no homem interior habita a verdade”(...)

Portanto, nem toda solidão deve ser curada e reprimida, há a solidão como condição necessária para o encontro; esta deve ser vivida.

http://blog.cancaonova.com/asas/2009/07/09/a-solidao-necessaria/

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TEXTO 3

A solidão selvagem

Pingos de chuva estalam esparsos no parapeito da janela: são os passos do animal noturno que às vezes ronda, me ameaçando o sono. Solidão é o nome desse animal terrível.

Não é a solidão do artista, a solidão do homem que lê, que escreve e que pensa. Não é a solidão do homem que medita ou que reza. Não é, enfim, solidão humana e nobre. É solidão mais ancestral e bruta, aquela que ameaça devorar os pés das crianças quando nas noites frias eles escapam das cobertas - e que só a mão dada das mães é capaz de afugentar.

Solidão selvagem, tão antiga quanto o mundo, que se alimenta do silêncio empedrado dos insones, dos que carregam pela vida o medo do escuro, do passado e do futuro.

Meio ave, meio réptil (posso ouvir o som metálico de seus passos no parapeito da janela, do outro lado da persiana fechada) ela se nutre do medo e faz seu ninho embaixo das camas dos adultos e das crianças.

Por isso, não é de estranhar que essa solidão medonha tenha vida mais confortável nas casas de família do que entre aqueles que vivem sozinhos.
Há mais camas nas casas de família. E há mais medo, quase sempre.

Mas, sim, também acontece entre os mais solitários, dessa solidão tão apavorante ser muitas vezes recebida como amiga, uma velha amiga de infância. E se já não lhe podem mais alimentar de medo genuíno, lhe oferecem o pão duro do ressentimento embebido em ironia. E assim a apascentam e engordam, lhe aparam as garras e lhe deixam as penas negras mais macias e reluzentes.
http://www.cafeimpresso.com.br/Cronicas/2007/070122.htm




quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Critério de avaliação do futuro de um povo

Escreva uma carta dissertativa ao autor do texto.
Você sabe o que é carta dissertativa?
Fácil. É uma dissertação na qual você conversa com o autor, expondo a ideia central do texto que agradou ( ou não) a você. Vá argumentando, dando sequência ao que ele defende ( apoie com mais argumentos e exemplos) ou refutando-o ( dê o contra).
Use linguagem culta.


O texto nos reme, mencionado no texto. Ver ao pé da página.

Critério de avaliação do futuro de um povo

Acho um bom critério para se avaliar o futuro de um povo a “tradução” das teclas de atalho.

Se o povo “traduz” Ctrl+A (select all) para Ctrl+T (selecionar tudo) a chance de nao dar certo é muito, muito grande porque revela xenofobia – que é o entrave mais profundo ao comércio – e todo mundo sabe ou devia saber que é o comércio a chave da riqueza e da civilização.

E digo “povo” ou “país” pq é no coletivo mesmo. Ninguém reclama! Ninguém vê nisso uma expressão de burrice. Talvez haja até quem exalte ( o Aldo Rabelo certamente).

Continue lendo Antonio Caetano

http://www.cafeimpresso.com.br/?p=1659


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Proposta de Fuvest


FUVEST 2000
Recentemente, o Deputado Federal Aldo Rebelo (PC do B – SP), visando proteger a identidade cultural da língua portuguesa, apresentou
um projeto de lei que prevê sanções contra o emprego abusivo de estrangeirismos. Mais que isso, declarou o Deputado, interessa-lhe
incentivar a criação de um “Movimento Nacional de Defesa da Língua Portuguesa”.
Leia argumentos que ele apresenta para justificar o projeto, bem como os textos subseqüentes, relacionados ao mesmo tema.
”A História nos ensina que uma das formas de dominação de um povo sobre outro se dá pela imposição da língua. (...)”
”...estamos a assistir a uma verdadeira descaracterização da Língua Portuguesa, tal a invasão indiscriminada e desnecessária
de estrangeirismos – como ‘holding’, ‘recall’, ‘franchise’, ‘coffee-break’, ‘self-service’ – (...). E isso vem ocorrendo com voracidade
e rapidez tão espantosas que não é exagero supor que estamos na iminência de comprometer, quem sabe até truncar, a
comunicação oral e escrita com o nosso homem simples do campo, não afeito às palavras e expressões importadas, em geral do
inglês norte-americano, que dominam o nosso cotidiano (...)”
”Como explicar esse fenômeno indesejável, ameaçador de um dos elementos mais vitais do nosso patrimônio cultural – a língua
materna –, que vem ocorrendo com intensidade crescente ao longo dos últimos 10 a 20 anos? (...)”
”Parece-me que é chegado o momento de romper com tamanha complacência cultural, e, assim, conscientizar a nação de que
é preciso agir em prol da língua pátria, mas sem xenofobismo ou intolerância de nenhuma espécie. (...)”
(Dep. Fed. Aldo Rebelo, 1999)
”Na realidade, o problema do empréstimo lingüístico não se resolve com atitudes reacionárias, com estabelecer barreiras ou
cordões de isolamento à entrada de palavras e expressões de outros idiomas. Resolve-se com o dinamismo cultural, com o gênio
inventivo do povo. Povo que não forja cultura dispensa-se de criar palavras com energia irradiadora e tem de conformar-se,
queiram ou não queiram os seus gramáticos, à condição de mero usuário de criações alheias.” (Celso Cunha, 1968)
”Um país como a Alemanha, menos vulnerável à influência da colonização da língua inglesa, discute hoje uma reforma
ortográfica para ‘germanizar’ expressões estrangeiras, o que já é regra na França. O risco de se cair no nacionalismo tosco e
na xenofobia é evidente. Não é preciso, porém, agir como Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, que queria
transformar o tupi em língua oficial do Brasil para recuperar o instinto de nacionalidade.
No Brasil de hoje já seria um avanço se as pessoas passassem a usar, entre outros exemplos, a palavra ‘entrega’ em vez de
‘delivery’.” (Folha de S. Paulo)
Levando em conta as idéias presentes nos três textos, redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, expondo o que você pensa sobre essa
iniciativa do Deputado e as questões que ela envolve. Apresente argumentos que dêem sustentação ao ponto de vista que você adotou.

O povo do Brasil não lê. Proposta de redação.

Escreva uma dissertação buscando enumarar os porquês de o brasileiro NÃO LER.


http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/?hashId=leitura-brasil-tem-um-dos-piores-indices-do-mundo-0402396

PROPOSTA DE REDAÇÃO SOBRE IDOLATRIA

LEIA TODOS OS TEXTO, VAI LHE FAZER BEM.


ESCREVA UMA DISSERTAÇÃO EM PROSA NA QUAL O RECORTE TEMÁTICO SEJA A IDOLATRIA. BUSQUE LEVANTAR PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DESSE COMPORTAMENTO.

A ligeira passagem de Madonna pelo Brasil no ano passado demonstrou novamente o poder que um ídolo com larga notoriedade na mídia exerce sobre as pessoas de modo geral e mais ainda sobre os fãs e adeptos enlouquecidos. A cantora, eleita popularmente como ícone da música e do estilo pop, arrastou uma multidão no Rio e em São Paulo, uma verdadeira legião de apaixonados e ensandecidos que não se importaram nem um pouco em passar dias em situação precária e desconfortável esperando os portões se abrirem. Para um fã incondicional, talvez ainda seja pouco diante da chance gloriosa de estar cara-a-cara com o "deus terreno" da sua vida. Tanto Madonna, diva de uma multidão fiel, quanto outros ídolos nacionais ou internacionais, sejam eles ligados à música, ou ao cinema e a qualquer veículo comunicacional de larga repercussão, possuem a capacidade de atrair admiradores e até seguidores fanáticos. Muito dessa atração se deve à projeção copiosa da imagem do indivíduo a ponto dele ser potencializado de maneira exaustiva e aparecer como alguém quase sobre-humano para o grande público.



Essa habilidade que chamarei de criação fabulatória, ou seja, a invenção de um astro pelo fomento da sua imagem pública via narrativa, está intrinsecamente vinculado ao surgimento avassalador das tecnologias de comunicação, mais precisamente aos aparelhos audiovisuais que hoje são presenças correntes na sociedade. Também a mídia impressa não fica atrás. Nos primórdios do mundo moderno, a produção escrita foi a responsável em disseminar informações, até então restritas a perímetros concentrados, para outros lugares e outros leitores. Com o tempo, o letramento foi-se tornando uma realidade, e muitas pessoas puderam acessar os jornais, os folhetins, os livros e, com a evolução dos meios de comunicação de massa, passaram a se informar pelo rádio, os filmes e a televisão. Na atualidade, a internet é o ápice da acessibilidade a mundos inóspitos e a contingentes de dados e elementos nunca antes imagináveis.



Tais vias informativas, especialmente as de caráter documental, não permaneceram como canais livres de intervenção. Ao contrário, foram tomadas como meios legítimos de expressar conteúdos arbitrários e fatos avaliados subjetivamente, quando não deturpados por desconhecimento de causas e historicidade ou pela má índole propositada. Assim, jornais e revistas, programas de televisão e demais segmentos da imprensa - não todos, felizmente - incrementam as notícias com pitadas ficção capciosa, afim de promover, não apenas a troca de informações, mas a persuasão do receptor pelo tratamento adulterador, seja este do ponto de vista ético lícito ou ilícito. Assim, a criação fabulatória, em grande parte, se sustenta numa informação inflada e faustosa, desproporcional ao estatuto da verdade, cheia de intrujices e malabarismos insinuantes que conduzem agradavelmente os receptores a uma inópia intelectual, chamando ao primeiro plano a ingenuidade emocional e a imaturidade crítica. Há praticamente uma dependência viciosa aos ídolos midiáticos, como se eles realmente fossem (e não representassem) o retrato daquilo que a humanidade sempre almejou durante o curso da história.



Os Estados Unidos produziram vários destes astros. Podem ser citados, além de Madonna, Michael Jackson, Marilyn Monroe, Elvis Presley, Britney Spears (?!) e a lista segue. Alguns mais "eternos", outros passageiros, em diferentes campos de atuação e épocas, cada qual com sua majestosa carreira (em muitos casos equivocada) postou no cenário mundial como parâmetro de sucesso e exemplo de indivíduos bem sucedidos - sinônimo, para sonhadores, de felicidade. Cada um desses artistas das telas evoca no senso comum um desejo de autotransfiguração obsessiva, pois converge toda a atitude individual numa peregrinação quase doentia (ou doentia) pelas sendas do mestre. Porém, sem sombra de dúvidas, a grande "revelação numinosa" do século XXI, fomentada durante boa parte do último século, é, indiscutivelmente, o presidente Barack Hussein Obama, ícone pop em evidência e franca ascensão. Obama, o maior popstar da América (e América inclui, com surpreendente adesão, a Latina), vangloria-se na certeza de estar, hoje, com a popularidade estendida ao mundo a fora, e mesmo durante a eleição de 2008 deixou a mostra sua flexibilidade em utilizar de situações adversas como material de autodivulgação e angariação da simpatia de eleitores e não eleitores, até não americanos. De uma hora para outra, o ódio aos Estados Unidos nutrido por nações espalhadas pelo globo (e em número alto concebida por grupos interessados em se beneficiar disso) parece ter se dizimado ante a "queda" do império bushiano e a coroação do primeiro presidente negro, a marca registrada do sucessor na Casa Branca. Obama transcendeu as barreiras entre os povos e ganhou a confiança de pessoas tão distintas, exatamente como um ídolo midiático daqueles mencionados no início deste parágrafo.



Obama e os segmentos da imprensa mais influentes foram felizes na empreitada realizada. Assim como um popstar tem sua notoriedade, a mesma acarreta o surgimento de polêmicas e suspeitas quanto à idoneidade da figura pública em destaque. O passado militante do presidente americano, recheado de pormenores interessantes, como o envolvimento com indivíduos que recebem o título de terroristas, bem como a sua relação com organizações não governamentais pouco amistosas, sem falar na acusação do advogado Philipe Berg sobre a inautêntica certidão de nascimento do elegido, passaram imunes a um esclarecimento público, graças à falta de atenção (proposital?) dos fiéis escudeiros sempre prontos a defender aquele que pode lhes agregar algum bem. Pelo menos uma defesa transparente seria de bom tom para incentivar, até mesmo, a clareza da atividade política e fortalecer, dessa forma, o regime democrático que não se consolida se os cidadãos não dispõem de consciência sobre a veracidade dos fatos. O que esteve em jogo, porém, não foi a democracia, mas a pseudodemocracia, a simulação de um estado de direito para conseguir levar ao poder o intocável Obama e sua trupe de servidores. Com o lema "Sim, nós podemos!", nada tão novo em termos de oratória falaciosa, Obama foi sinal de esperança da resolução da crise econômica mundial e solução da paz, aquele que irá romper definitivamente com a tirania norte-americana, redimir os erros passados e instaurar um reino de justiça e fraternidade universal.



Toda essa canastrice retórica demonstra, na prática, que Barack Obama tornou-se, no translado à presidência, mais do que um popstar com fama irrestrita, e sim um mito formidável, de eficácia simbólica poucas vezes vista. Fruto de manobras de marketing e de boa perícia no uso das ferramentas comunicacionais, a mitologização de Obama foi sendo gerada passo-a-passo, a partir de etapas sucessivas que submetiam a realidade ao plano de caracterização modal do "texto" de candidatura e, agora, colhe as beneméritas congratulações.



O semiólogo francês Roland Barthes escreveu diversos artigos para jornais na década de 50, sendo estes reunidos e publicados na sua obra Mitologias, em que desvenda as artimanhas modernas de criação de mitos nos mais variados ambientes e discursos, proferindo a partir destas análises uma teoria do mito na era da comunicação de massas. Segundo Barthes, o mito é uma fala, ou seja, constitui-se como sistema de comunicação em que uma mensagem é transmitida, gerando efeitos de convencimento baseado na sua ilusória naturalidade. Entendendo fala como "toda a unidade ou toda a síntese significativa, quer seja verbal ou visual", o mito não é pura informação oferecida mas é a forma pela qual uma informação é tratada. Assim, tendo a forma como uma espécie de depredação do sentido - atinge e esvazia a historicidade de determinado elemento real - produz uma significação (o próprio mito) que se presentifica como fato explícito e constatável, ainda que não imponha necessidade de explicações e descrição analítica.



Dentre as características destacadas por Barthes, pode-se expor a evacuação do real de sua historicidade, a falta de veracidade objetiva ante a sobreposição valorativa, a intenção significativa e o caráter imperativo de seu discurso. Mas talvez as duas marcas observadas com maior importância para este artigo seja a de que o mito é uma fala despolitizada a inocente. É despolitizado por depauperar o reflexo da conjuntura social - os caracteres das relações humanas em sociedade - em vista da sua mensagem apática politicamente. Ou seja, não pode haver no interior do mito uma propulsão dialética de forma alguma. E quanto à inocência, convence a recepção da perenidade de sua existência em detrimento da sua ligação circunstancial. Vale a pena ler as palavras de Barthes sobre o último aspecto: "Passando da história à natureza, o mito faz uma economia: abole a complexidade dos atos humanos, confere-lhes a simplicidade das essências, suprime toda e qualquer dialética, qualquer elevação para lá do visível imediato, organiza um mundo sem contradições, porque sem profundeza, um mundo plano que se ostenta em sua evidência, cria uma clareza feliz: as coisas parecem significar sozinhas, por elas próprias".



Obama virou um mito. Ou melhor, foi feito mito. Sua história pessoal e política sucumbiu ante a muralha da significação mítica que o envolveu e cingiu sua candidatura. Ele não disputou uma eleição como outra qualquer, esteve acima desta. Obama eclodiu como o grande salvador do mundo a quem todos deveriam venerar e, sem medo de exagerar, prestar culto. Evidentemente não se trata de religião no sentido estrito do conceito, mas de um furor semelhante a de uma religiosidade inepta. A suposta naturalidade da liderança de Obama, o homem acima do bem e do mal, de toda a intolerância e impostura, fez dele o presidente dos Estados Unidos. Sua prosa amistosa e "humanitária" induz um encantamento aliciador sem, contudo, incitar apuração das intenções ocultas sob as palavras; são palavras de agrado imediato por serem demasiado genéricas, mas de fundo fortemente ideológico. E o povo, crente de ter obtido uma vitória democrática, foi ludibriado de maneira magistral pela sagacidade de estratagemas ideológicos, criadores de um farsante disfarçado de divindade protetora. A parafernália da última eleição ensinou que os homens têm caminhado lentamente para o amadurecimento político.



A frase pragmática de Obama - "A mudança chegou à América" - revela não apenas uma postura de governabilidade, mas a transição de um modelo menos agressivo e dissimulado para outro, de base manipulatória e ficcional. Acabou a ingenuidade de se pensar no candidato idôneo e moralmente admirável. Estabeleceu-se de vez a substituição, conforme salientou Guy Debord, do ser para o parecer, um caminho provavelmente sem volta enquanto não houver uma reavaliação crítica de todos os valores políticos reais e do conhecimento essencial acerca da ação democrática. Sem isso, tudo permanecerá como está, e os ídolos continuarão a se intrometer e se fortalecer no meio da sociedade, modificando-a e enfraquecendo o seu potencial transformador. Crer nisso é colocar-se alerta e fomentar um otimismo vindouro. Afinal, até quando as pessoas estarão dispostas a ceder sua consciência atuante e seu protagonismo social para permanecerem dopadas e iludidas pelo show de astros fajutos?



* Bacharel e Licenciado em Filosofia. Mestrando em Artes pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Professor da Rede Pública Estadual (prof.michel@ig.com.br / daimonfilosofico.blogspot.com).

http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESCV/edicoes/0/Artigo129893-1.asp


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Dos deuses gregos aos artistas pop

Por Bárbara Semerene
Não é de hoje essa história de idolatria. A palavra tem origem religiosa. Isso porque os primeiros ídolos eram os deuses. Mais tarde, os ídolos viraram líderes políticos, revolucionários como Che Guevara, ou intelectuais como Karl Marx.Com o triunfo do capitalismo, da sociedade de consumo e o furor da indústria de massa, os ídolos viraram os símbolos da cultura pop. Em geral, cantores ou artistas famosos que, de alguma forma, espelham os desejos comuns a uma geração ou tribo.
Ouvindo os próprios fãs de carteirinha explicarem o motivo do amor que sentem por seus ídolos, dá a impressão que um dos motivos de seu envolvimento é sentir-se atuantes, engajados em algo maior do que a si próprios. "A minha paixão pelo U2 começou quando eu tinha 14 anos e estava começando a gostar de música, deixando de ser criança. Me identifiquei porque vejo muita sinceridade e amor naquilo que eles fazem. Além disso, a postura político-social deles sempre me chamou atenção", explica Levi. Karina Justo, 24 anos, estudante de Jornalismo na IMES (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), há 10 anos fã do Rappa e freqüentadora assídua de todos os shows deles no estado de São Paulo, explica que a paixão vai muito além da música. "Eles têm projetos que ajudam pessoas carentes. As letras das músicas têm cunho social", justifica.
A paixão de Nathalie Colas pela Dave Matthews Band começou já mais velha, depois dos 25 anos, mas teve motivação parecida às demais. "Entre os 25 e os 30 anos você vai ficando menos idealista, e a música da DMB fala de visão de mundo, não só sobre amor ou revolta", explica ela. Já Jéssica Santos de Faria diz gostar do grupo RBD porque, ao contrário da maioria das bandas pops para adolescentes, a RBD fala da realidade do adolescente sem estereotipar.
Seleção natural
Muitos cientistas que estudam a devoção a celebridades dizem acreditar que a tietagem tem mais a ver com a natureza humana do que com fenômenos culturais. Psicólogos da linha evolucionista afirmam que a adoração a celebridades é um fenômeno moldado pela seleção natural. A atração exercida por pessoas de prestígio seria um instinto para nos aproximarmos de alguém que tenha algo a ensinar. A seleção natural favoreceria os que sabem escolher os melhores professores da vida.
Segundo o antropólogo evolucionista Francisco Gil-White, da Universidade da Pensilvânia (EUA), a seleção natural nos deu cérebros que prestam atenção em quem é admirado. Essa seria a maneira que os humanos pré-históricos usavam para identificar o melhor caçador de uma tribo, por exemplo. Seguí-lo aumentaria as chances de uma pessoa jovem aprender a caçar bem. Como era trabalhoso seguir todos os caçadores de uma tribo para descobrir quem era o melhor, a coisa mais sensata que um jovem tinha a fazer era aceitar o julgamento da maioria.
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continuação
A idolatria só vira um problema quando se prolonga até a vida adulta e, de admiração, vira obsessão, causando prejuízos para a vida da pessoa. "Nesse caso, denota uma dificuldade de assumir-se como um ser único, independentemente do ídolo. É esquecer-se de si e ficar sempre na rabeira de alguém, de uma tribo. No fundo, é uma fuga de si mesmo, da angústia de ter que fazer suas próprias reflexões e escolhas", explica Miguel Perozza, professor de Psicologia da Adolescência da PUC-SP. (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
É o caso dessas pessoas que perdem a noção da realidade e fantasiam que têm realmente um relacionamento com seu ídolo. Um exemplo são as groupies, aquelas meninas que querem bem mais do que um autógrafo ou ver seus ídolos ao vivo. Não descansam enquanto não os levam para a cama. Só querem se relacionar com homens famosos, celebridades. "Esse é o tipo de pessoa que só se sente importante através do outro. Provavelmente não foi incentivada a fazer suas próprias escolhas, mas a obedecer", explica Perozza.
O termo "groupie" surgiu nos anos 60, criado pela revista Rolling Stone, a "bíblia" do rock. Aquela época - anos de ouro do rock´n´roll - foi o auge das groupies. Quem não se lembra de já ter assistido vídeos antigos de shows do Elvis Presley e Beatles, com aquelas meninas fazendo escândalo e aos prantos? Algumas dessas groupies ficaram famosas. Cynthia Plaster Caster, por exemplo, moldava os pênis dos astros que namorava. Colecionou 23 "obras" (entre elas o de Jimi Hendrix), hoje muito bem guardadas no cofre de um banco.Bebe Buell, mãe da atriz Liv Tyler, além do cantor Steve Tyler (Aerosmith), pai de Liv, tem uma lista extensa de conquistas, que inclui Mick Jagger, Iggy Pop, David Bowie, Jimmy Page, Patti Smith, Rod Stewart, Elvis Costello e Stiv Bators. Cherry Vanilla causou furor ao assumir o caso simultâneo com David e Angie Bowie. Pamela Des Barres era uma ingênua fã de Paul McCartney antes de cair na estrada atrás de bandas de rock.
Indo mais além, a obsessão pode virar uma doença pior, a esquizofrenia, como foi o caso de Mark David Chapman, que aos 25 anos assassinou John Lennon no dia 8 de dezembro de 1980, horas depois de o ex-Beatle autografar para ele uma cópia de seu recém lançado álbum "Double Fantasy". Chapman sentiu-se traído por Lennon ao "perceber" que o cantor não era na vida real o mesmo que parecia nos palcos e que proclamava por meio de suas músicas. O assassino alegou que vozes o mandavam, e citou o romance "O Apanhador no Campo de Centeio", de J.D. Salinger, como inspiração para o crime, já que se identificou com o personagem principal, um adolescente revoltado, que odiava a falsidade.

http://www.universia.com.br/preuniversitario/materia.jsp?materia=10003

LEITURA EM AULA; Guy Debord, a Sociedade do Espetáculo Por José Aloise Bahia

Guy Debord, a Sociedade do Espetáculo

Por José Aloise Bahia

“Clássicos são aqueles livros que quanto mais pensamos
conhecer por ouvir dizer, mais se revelam novos, inesperados
e inéditos, quando são lidos de fato.” (Italo Calvino)




Com destaque, grandioso como o rio Amazonas e seus afluentes, retomo um acontecimento, movimentos, alguns livros e um documentário, que valem luzes no fim do túnel. A gente participa de um curso aqui, outro ali, acaba (re)lembrando, destacando e reiterando os fatos. Navegar é preciso! Nunca é demais caminhar, contemplar o verde do Parque Municipal, sentar, levantar, sentar de novo, ler trechos de Marcovaldo ou as Estações na cidade (Italo Calvino, Cia. das Letras, São Paulo, SP, 1994), dar boas risadas, usar o tempo necessário e observar o céu azul. Retornar, virar à esquerda, passar pela avenida, dobrar a esquina, seguir o viaduto, atravessar a praça, subir o morro, chegar à Floresta, chave na fechadura e revisitar a temática. Evocar! Abrir a porta do apartamento, escancarar as janelas - realçar o espaço, deixar fluir as idéias e o conhecimento, suspirando neste vale de lágrimas. Faça sol ou chuva, até uma garoa, assombram na caverna urbana reminiscências antenadas e/ou sinais. Pistas caudalosas! Pavios Curtos na memória. Um buraco sem fim. Estamos todos dentro! Atolados até a garganta com olhos vidrados e cimento por todos os lados...



Pois bem, em março de 2004 aconteceu um ciclo de conferências no Palácio das Artes, Belo Horizonte, MG. Uma temática estimulante! Até virou, tempos depois, um excelente livro de ensaios organizado por Adauto Novaes: Muito Além do Espetáculo (Editora Senac, São Paulo, SP, 2005). Todavia, convém recordar que as reflexões sobre a imagem e o espetáculo na atualidade têm a sua origem noutro livro essencial - clássico - na estética, cultura de massa, comunicação social, economia política, filosofia e sociologia: A Sociedade do Espetáculo/Comentários sobre a Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord (Editora Contraponto, Rio de Janeiro, RJ, 2000). Refrescando a cuca, participaram do ciclo de conferências intelectuais brasileiros e estrangeiros: Adauto Novaes, Eugênio Bucci, Jorge Coli, Nelson Brissac Peixoto, Evgen Bavcar, Maria Rita Kehl, etc. Cada qual em seus campos específicos ampliou o debate sobre a cultura da imagem e a Sociedade do Espetáculo em suas novas configurações, estimulando inquietantes reflexões e desafios contemporâneos.



Alguns pensadores chamam esta(s) contemporaneidade(s) de pós-modernidade (o falecido Jean Baudrillard não compactuava com tal denominação), talvez daí tenha originado o título do ciclo de conferências (Muito Além = Pós). Aliás, parece que tudo hoje é pós. Pós-isto, pós-aquilo (neologismos com hífens!? Pode ser!? Estou na ortografia antiga.). Tem também outros prefixos, o Neo, o Hiper. E por aí vai... Contemporaneidade(s) que desperta(m) questionamento(s) sem freio(s), pois vivemos num tempo de pensamento complexo, dinâmico, acelerado, mesclado de espetáculos naturais e artificiais, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e CFCs no agravamento do efeito estufa, estiagens, enchentes, pandemias, segurança pública ineficaz, ensino/formação escolar deficitária, uma certa moralização nos/dos Poderes Públicos, emprego/desemprego, trabalho formal e informal variáveis, pré-sal, pós-sal, globalização, crise financeira mundial, multi/interdisciplinaridades, teorias da recepção, mistura de gêneros e escolas literárias, desmaterialização das artes, silêncios nas/das vanguardas, reflexões e revisões nos conceitos de qualidade, comportamentos éticos necessários, democracias institucionais e algumas interatividades reais e virtuais com respostas da sociedade civil (Conselho Federal de Comunicação Social, Lei de Imprensa atualizada, ombudsmans, ouvidores, café literário do Cronópios, Blogs, Twitter, Orkut, etc.) no campo da comunicação social; enfim bombardeios, granulações, influências, vocativos e co-participações de infinitas partes, num mundo de culturas híbridas - Pensamento Complexo e Culturas Híbridas são termos de Edgard Morin. De volta ao ciclo de conferências em Beagá, MG, eis um acontecimento que me deixou com a pulga atrás da orelha. E um mosquito rondando o cérebro.

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http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=3989

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O que acha do Vestibular?

O que você acha do vestibular?
Leia o Rubem Alves. Se gostar dos argumentos dele, pode usar alguns, não todos. Coloque os seus também.



Memórias Burras Nunca Esquecem



Rubem Alves


Eu confesso: se tentasse entrar na universidade via vestibular, não passaria. Meu consolo é saber que eu não estaria sozinho. Teria muitos companheiros. Os reitores de nossas grandes universidades seriam os primeiros. A seguir, respeitáveis professores e pesquisadores. Eles talvez não passassem nem mesmo em suas próprias disciplinas.

É duvidoso que um professor que há anos se dedica a pesquisas de biologia molecular ainda se lembre de como resolver problemas estatísticos de genética. Também os professores dos cursinhos: cada um passaria brilhantemente na disciplina de sua especialidade. Mas também é duvidoso que um professor de português consiga resolver problemas de química ou física. Com eles, os professores que elaboram as questões que os alunos terão de responder. Para eles, vale o que foi dito sobre os professores dos cursinhos. Por fim, os diretores das empresas que preparam os vestibulares…

Essa hipótese desaforada poderia ser testada facilmente: bastaria que os personagens acima mencionados se submetessem aos vestibulares. Claro: seria proibido que se preparassem. O objetivo seria testar o que foi realmente aprendido. O que foi realmente aprendido é aquilo que sobreviveu à ação purificadora do esquecimento. O aprendido é aquilo que fica depois que o esquecimento faz o seu trabalho…

Vestibular: porta de entrada para a universidade? Seria bom se sua função se limitasse a isso. O sinistro está não no que é dito, mas no que permanece não dito: os vestibulares são um dragão devorador de inteligências cuja sombra se alonga para trás, cobrindo adolescentes e crianças.

Desde cedo, pais e escolas sabem que a escola deve preparar para os vestibulares. Os vestibulares, assim, determinam os padrões de conhecimento e inteligência a serem cultivados. Mas não existe nada mais contrário à educação que os padrões de conhecimento e inteligência que os vestibulares estabelecem.

O escritor Mário Prata escreveu uma crônica sobre as meninas jogadoras de vôlei. Era uma crônica leve, bem-humorada, picante. Era impossível não sorrir ao lê-la. Lida, ficava para sempre na memória, pois a memória guarda o que deu prazer. Passados alguns meses, ele voltou ao assunto da primeira numa crônica dirigida, se não me engano, ao então senhor ministro da Educação. É que sua primeira crônica fora usada, na íntegra, num exame vestibular.

Para um escritor, ter uma crônica transcrita, na íntegra, num exame vestibular, equivale a uma consagração. Mário Prata estava felicíssimo. Exceto por um detalhe: os examinadores, para transformar sua crônica em objeto de exame, prepararam uma série de questões sobre ela, cada uma com várias alternativas de resposta. Mário Prata resolveu, então, brincar de vestibulando. Tentou responder às questões. Não acertou uma! (Eu me saí pior do que ele. Tentei responder às questões, mas houve algumas que nem mesmo entendi!)

Se o vestibular fosse para valer, ele teria zerado no texto que ele mesmo escrevera. Ele se dirigiu, então, ao senhor ministro da Educação comentando esse absurdo. E perguntou se não teria sido muito mais inteligente se os examinadores, gramáticos, tivessem pedido que os moços escrevessem um parágrafo sobre seu artigo. Aqueles saberes esotéricos que lhes eram pedidos nunca teriam qualquer uso em suas vidas. Compreende-se que, como resultado do seu preparo para os vestibulares, os jovens passem a detestar literatura.

Minha filha queria ser arquiteta. Como não havia outro caminho, matriculou-se num cursinho. Eu a via sofrer tendo de memorizar coisas que não lhe faziam sentido. Fiquei com dó e, por solidariedade, resolvi fazer um sacrifício: passei a estudar com ela. Estudei meiose e mitose, as causas da Guerra dos Cem Anos, cruzamento de coelhos brancos com coelhos pretos… Estudei também, contra a vontade e sem interesse, a necropsia da língua chamada análise sintática. Não sei para que serve. E dizia à minha filha, à guisa de consolo: “Você tem de aprender essas coisas que você não quer aprender porque a burocracia oficial assim determinou. Mas não se aflija. Passados dois meses, quase tudo terá sido esquecido. Só sobrarão os conhecimentos que fazem sentido…”. Pergunto a você, meu leitor: de tudo o que você teve de estudar para passar no vestibular, o que sobrou?

Por que nós, professores universitários, não passaríamos no vestibular? Por termos memória fraca? Não. Por termos memória inteligente. Burras não são as memórias que esquecem, mas as memórias que nada esquecem… A memória inteligente esquece o que não faz sentido. A memória viaja leve. Não leva bagagem desnecessária.

E aí eu pergunto: se nós, professores já dentro da universidade, não passaríamos nos exames vestibulares, por que é que os jovens, que ainda estão fora, têm de passar? É irracional. Especialmente em se considerando que irá acontecer com eles aquilo que aconteceu conosco: esquecerão… Haverá uma justificação pedagógica para esse absurdo? Ainda não a encontrei.



Rubem Alves, Folha de S. Paulo.

Proposta da Fuvest 1995 - Pedro

Proposta velha, mas acho que ainda vale porque é abrangente.
Escolha a de 95, mas , se quiser, pode fazer mais alguma.



http://vestibular.uol.com.br/redacao/ult2821u4.jhtm#FUVEST95

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Festival de Woodstock, do UOL

Festival de Woodstock
Marco da contracultura faz 40 anos
José Renato Salatiel*


Cartaz anuncia as atrações do festival
Conhecido com o mais importante evento de música pop da história, a Feira de Música & Arte Woodstock foi também o ápice do movimento de contracultura que se espalhou pelo mundo, e cujos ideais permanecem vivos na internet. (Direto ao ponto: Ficha-resumo)

Entre 15 e 18 de agosto de 1969, estimados meio milhão de pessoas se reuniram numa pequena fazenda no interior de Nova York para assistir a shows de alguns dos principais artistas da época.

Ninguém esperava tantas pessoas. Foram vendidos apenas 186 mil ingressos, mas o evento acabou sendo gratuito. As estradas ficaram congestionadas e não havia infraestrutura para acomodar as pessoas. Mesmo com todos esses problemas, foram registradas apenas duas mortes: uma por overdose e outra por atropelamento.

Embalados pela música folk, blues e rock, jovens tomavam banhos nus na chuva, brincavam na lama, meditavam, usavam drogas - LSD e maconha, principalmente - e faziam sexo em barracas. O clima libertário do evento virou símbolo da cultura hippie e da geração "Paz e Amor".

Guerra do Vietnã
Para entender a cabeça da juventude daquele tempo, é preciso examinar o contexto histórico, político e cultural da década de 1960, que começou com a chegada ao poder do democrata John F. Kennedy (1917-1963) nos Estados Unidos.

Era o auge da Guerra Fria e da corrida armamentista que opunham os dois maiores blocos militares e econômicos da época, os Estados Unidos e a antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).

Em solo americano, ganhavam força os movimentos pelos direitos civis dos negros, que não podiam frequentar os mesmos bares, clubes, escolas e ônibus que os brancos, tendo à frente líderes como Martin Luther King (1929-1968).

Na política externa, o envolvimento do país na guerra do Vietnã (1959-1975), a partir de 1965, foi o principal fator político que desencadeou o movimento hippie.

Contribuiu para isso o fato da guerra ter sido a primeira a ter cobertura na TV, então substituta do rádio como principal veículo de comunicação de massa nos lares americanos. As imagens de americanos feridos e de crianças queimadas com napalm (espécie de gel inflamável a base de gasolina) mobilizaram a opinião pública contra os conflitos na Ásia.

Contrários à guerra, os hippies usavam cabelos compridos, roupas coloridas e praticavam o protesto pacífico de Mahatma Gandhi (1869-1948). As manifestações, que caracterizaram o movimento como flower power (poder da flor), tomaram conta de diversas universidades e, pela primeira vez, jovens americanos se recusaram a se alistar no Exército.

O ponto alto da revolta estudantil ocorreu em maio de 1968 , quando uma greve geral na França inspirou protestos na Europa e nas Américas.

No Brasil, vivia-se a antevéspera do período mais truculento da ditadura militar (1964-1985) com o decreto do AI-5, mas isso não impediu a influência dos hippies, sobretudo no Tropicalismo, movimento cultural que teve como expoentes Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Os Mutantes, entre outros.

Esse ambiente político também produziu uma das imagens mais marcantes do Festival de Woodstock: o guitarrista Jimi Hendrix tocando o hino nacional norteamericano The Star-Spangled Banner ("A Bandeira Estrelada"), com notas distorcidas e pontuadas por sons que simulavam a queda de bombas.

Sexo, drogas & rock'n'roll
Mas a revolução que acontecia em meio à tradicional família americana não era menor do que a que tomava conta das ruas do país. Era inaceitável, para a sociedade puritana da época, o sexo antes do casamento, tampouco a ideia de "morar junto".

Nas universidades, o controle também era rígido, com "toques de recolher" e vigilância em prédios separados para estudantes do sexo feminino e masculino (situação bem retratada no último romance de Philip Rorty, Indignação, recém-lançado no Brasil).

O início da comercialização da pílula anticoncepcional e os movimentos feminista e homossexual nos anos de 1960 foram importantes elementos da revolução sexual promovida pela cultura hippie.

Outro componente da mudança nos costumes foi experimentação de drogas. Ken Goffman e Dan Joy, no livro Contracultura Através dos Tempos (indicado abaixo), consideram que o estopim aconteceu quando o guru do LSD Timothy Leary (1920 -1996) e um colega foram expulsos da Universidade de Harvard, onde lecionavam, por conta de pesquisas com drogas psicoativas, em 1962.

A partir de então, drogas psicodélicas passaram a ser associadas à rebeldia e libertação das "amarras mentais de uma sociedade decadente". Sabia-se, então, muito pouco sobre os efeitos nocivos das drogas. A própria CIA, o serviço secreto americano, chegou a fazer experimentos para possível utilização em interrogatórios de presos.

O uso de substâncias químicas com fins de "expansão da consciência" não era bem uma novidade. Desde o século 19, escritores como Thomas De Quincey (1785-1859) e Charles Baudelaire (1821-1867) já escreviam sobre o consumo de entorpecentes como o ópio. Antes dos hippies, escritores beatniks como William Burroughs (1914-1997) e Allen Ginsberg (1926-1997), além de músicos de jazz, também compunham e escreviam sob efeito de alucinógenos.

Mas nada se compara com a abertura de uma demanda nos Estados Unidos, a partir da década de 1960, que abriu a rota da maconha, e da cocaína depois, vindas da América Latina, via fronteira mexicana. Como resposta, o governo deu início a uma política repressiva, com poucos resultados efetivos até hoje para conter o tráfico.

No ano seguinte a Woodstock, duas das maiores estrelas do festival, Janis Joplin e Jimi Hendrix, além do líder da banda The Doors, Jim Morrison (que não participou do evento), morreram de overdose ou em decorrência de abuso de drogas ilícitas. Todos os três tinham apenas 27 anos de idade.

Legado na internet
Cultura pacifista, ideais comunitários e socialistas, amor livre e liberação pelas drogas faziam parte da cartilha da contracultura. O massacre cometido pela Família Manson, ocorrido uma semana antes de Woodstock, era sinal de que os tempos estavam mudando.

O fim da Guerra do Vietnã, a politização dos movimentos pelos direitos civis, o controle do tráfico de drogas pelo crime organizado, o surgimento da Aids e a desilusão com as utopias levaram juntos os referenciais da cultura hippie.

Nos anos de 1990, foram realizadas outras duas edições do Festival de Woodstock. Tumultos e brigas, que contrastaram com o original, revelaram que se tratava apenas de um espectro agourento dos shows de "Paz e Amor".

Mas isso não significa que a juventude atual perdeu o interesse pela política ou pelos protestos sociais. Na sociedade globalizada, assuntos como ecologia e distribuição de renda mobilizam estudantes em todo o mundo. E qual é o maior legado da cultura hippie de Woodstock?

Segundo o professor Fred Turner, no livro From Counterculture to Cyberculture ("Da Contracultura à Cibercultura"), o ideal continua vivo, muito mais próximo que imaginamos - na internet.

A rede mundial de computadores foi desenvolvida durante os anos 1960 com investimentos militares e esforços de acadêmicos que respiravam a atmosfera da contracultura. Por isso, comunidades virtuais, como o Orkut, e a cultura do compartilhamento livre de arquivos de sites como o Pirate Bay seriam heranças dos hippies.

De certa forma, os ideais que embalaram os jovens em três dias de música, amor e paz em Woodstock continuam fazendo parte da juventude. Mesmo que seja dentro de uma floresta de bits.

Direto ao ponto volta ao topo
O Festival de Woodstock comemorou neste mês de agosto 40 anos. Durante três dias – de 15 a 18 de agosto de 1969 – quase meio milhão de jovens assistiram a shows dos principais artistas da época numa pequena propriedade rural no estado de Nova York.

O festival era um evento comercial, mas o número de pessoas era tanto que os organizadores não tiveram outra saída a não ser liberar a entrada de todo mundo.

O clima pacífico de comemoração e a liberdade marcaram o ápice do movimento de contracultura dos anos de 1960. Entre as principais características que marcaram o movimento hippie da época, estavam:

• Os protestos pacíficos contra a Guerra do Vietnã
• A revolução sexual
• O uso de drogas psicodélicas

O desenvolvimento dos meios de comunicação também foi decisivo para espalhar os ideais por todo o mundo, culminando nos protestos do Maio de 68. No Brasil, em plena ditadura militar, eles foram encarnados pelo Tropicalismo.

O fim das utopias políticas, o surgimento da Aids e os crimes violentos associados às drogas levaram junto as referências da contracultura. Mas a cultura hippie continua viva nos ideais comunitários e nos hábitos de compartilhamento livre na internet.

Saiba mais

* Contracultura através dos tempos: do mito de Prometeu à cultura digital (Ediouro): livro de Ken Goffman e Dan Joy, um dos mais completos estudos sobre a origem dos movimentos culturais.
* Woodstock, 3 days of peace & music (1970): documentário sobre o festival, dirigido por Michael Wadleigh.
* Aconteceu em Woodstock (2009): novo filme do cineasta Ang Lee sobre os bastidores do cultuado festival na visão de um jovem que quer arrendar a fazenda dos pais para realização do evento. Ainda sem data para estreia no Brasil, mas o trailer pode ser conferido aqui: Taking Woodstock
* Anos incríveis (1988-1993): série de televisão que conta a história da família de Kevin Arnold em meio à ebulição dos anos 1960. Exibida no Brasil pela TV Cultura.

*José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.

Liberdade de imprensa ameaçada na América Latina

Liberdade de imprensa ameaçada na América Latina
José Renato Salatiel*

Numa ação raramente vista em regimes democráticos, cerca de 200 fiscais da Receita Federal argentina ocuparam, no dia 10 de setembro de 2009, a sede do Clarín, principal jornal do país. A operação foi interpretada como uma tentativa de intimidação contra opositores da presidente Cristina Kirchner. (Direto ao ponto: Ficha-resumo)

O incidente chamou a atenção da mídia internacional para os recentes ataques à liberdade de imprensa na América Latina. A relação entre governos e meios de comunicação nunca esteve tão tensa desde a queda das ditaduras militares na região, há mais de vinte anos.

Na Argentina, imprensa e Poder Executivo trocam acusações desde que Néstor e Cristina Kirchner chegaram ao poder em 2003. O casal reage às críticas acusando a mídia de "golpista", evita entrevistas coletivas a jornalistas e direciona a publicidade oficial do governo para veículos de comunicação aliados, em detrimento dos demais.

A briga com o Clarín, o mais poderoso conglomerado de comunicação do país, começou há um ano. O governo nega a tentativa de intimidação. A blitz teria como objetivo verificar denúncias de irregularidades fiscais e trabalhistas na empresa. Naquele mesmo dia, porém, o jornal havia publicado uma reportagem que acusava um órgão ligado à Receita de irregularidades.

Soma-se a isso o fato de a presidente tentar aprovar no Congresso argentino uma nova Lei dos Meios Audiovisuais que amplia os poderes do Estado sobre os meios de comunicação eletrônicos na Argentina, criando uma cota de 33% dos canais de TV para o setor privado. O restante seria dividido entre poder público, Organizações Não Governamentais (ONGs), sindicatos, universidades e igrejas.

Um dos pontos mais polêmicos do projeto permitia a entrada de empresas de telefonia no mercado de TV a cabo, que atualmente é liderado pelo Grupo Clarín. Cedendo às pressões da oposição, a presidente decidiu retirar o item. A manobra visa acelerar a aprovação antes de 10 de dezembro, quando assumem os novos parlamentares eleitos em junho e o governo perde a maioria no Congresso.

A Casa Rosada, sede do Executivo argentino, alega que a finalidade da nova lei é acabar com o monopólio dos veículos de comunicação. Nos bastidores, o casal Kirchner e o Grupo Clarín disputam o mercado bilionário das telecomunicações.

Chávez
A despeito dos interesses econômicos envolvidos, a liberdade de imprensa é uma peça essencial para o bom funcionamento das democracias. Somente uma imprensa independente, livre de interferências políticas ou econômicas, pode contribuir para fiscalizar os poderes. Por essa razão, regimes ditatoriais sempre controlam e censuram meios de comunicação, como ocorre em Cuba, Coréia do Norte, China e Irã.

Na América Latina, países como o Brasil viveram décadas sob ditaduras militares, período em que a censura era institucionalizada. O processo de redemocratização, porém, não impediu que uma corrente ideológica de esquerda, liderada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, investisse contra a imprensa.

Em 2007, Chávez não renovou a concessão da emissora de TV Rádio Caracas Televisão (RCTV), uma das mais tradicionais da Venezuela, pois a emissora fazia oposição ao governo e teria apoiado uma tentativa de golpe de Estado em abril de 2002. A decisão do presidente, que levou ao fim das transmissões abertas da rede de TV, foi criticada por organismos internacionais e parlamentos da região.

Mais recentemente, Chávez anunciou que fecharia outro canal de TV, a Globovisión, a quem acusa de promover "terrorismo midiático". O presidente venezuelano também pediu a abertura de processos administrativos contra 50 das 240 emissoras privadas de rádio do país.

Equador e Bolívia
Procedimentos semelhantes contra a imprensa foram recentemente empregados pelos aliados de Chávez: o presidente equatoriano Rafael Correa e o boliviano Evo Morales.

No Equador, o presidente reeleito abriu nova frente de controle do conteúdo da imprensa com o projeto que instaura um conselho de fiscalização. De acordo com esse projeto, elaborado pela base aliada do governo, jornais, rádios e TVs fariam um registro obrigatório para obter licença provisória de funcionamento, válida por um ano.

Na Bolívia, é cada vez maior a intervenção do Executivo nos veículos de comunicação e os investimentos em órgãos oficiais de imprensa. Morales também processou o jornal La Prensa, da capital, que publicou em dezembro do ano passado uma reportagem que ligava o presidente a um suposto caso de corrupção.

Há mais casos relatados de censura e coerção a órgãos de imprensa na América Central, em Honduras e na Nicarágua, incluindo fechamento de empresas de comunicação e ameaças a jornalistas.

Brasil
No Brasil, ao contrário das demais nações da América Latina, partiram do Poder Judiciário os últimos ataques à liberdade de imprensa. O caso mais emblemático envolve o jornal O Estado de S. Paulo, que há quase 50 dias está sob censura prévia por determinação judicial.

No dia 31 de julho de 2009, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal e o site de publicarem matérias sobre a "Operação Boi Barrica", da Polícia Federal, atendendo a recurso da defesa do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP). A justificação pelo ato de censura prévia era de que o jornal havia divulgado informações sobre a investigação que envolve o empresário, protegidas por sigilo judicial.

Ainda que o ato seja depois revogado por instâncias superiores de Justiça, pois contraria a própria Constituição brasileira, tem sido cada vez mais comum no Brasil a tentativa de silenciar jornalistas por meio do Poder Judiciário.

Outro caso recente de censura prévia envolveu o colunista José Simão, do jornal Folha de S. Paulo, proibido, em julho de 2009, pela Justiça do Rio de Janeiro de associar o nome da atriz Juliana Paes à personagem que interpretava na novela Caminho das Índias, da TV Globo. A decisão foi revogada no dia 11 de setembro do mesmo ano.

A mesma Folha foi alvo de 107 processos movidos pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) contra reportagem publicada em 15 de dezembro de 2007, que descrevia o funcionamento empresarial da igreja.

Em 2009, o deputado Edmar Moreira (PR-MG), que ficou conhecido depois de colocar à venda um castelo no interior de Minas Gerais, moveu 44 processos contra alguns dos principais jornais, revistas e TVs do país, pedindo indenizações por danos morais. Tais processos têm efeitos ainda mais coercitivos contra empresas menores, como jornais de pequeno e médio porte, que não possuem condições financeiras para sustentar ações dispendiosas.

Seja pela aquisição de veículos de comunicação, atos administrativos, distribuição controlada de publicidade oficial, projetos de leis, processos na Justiça ou violência, a tentativa de calar os opositores e impedir o exercício crítico e investigatório da imprensa na América Latina corre o risco de manchar a histórica luta pela democratização do continente.

Direto ao ponto volta ao topo
A liberdade de imprensa é um dos alicerces das sociedades democráticas. Somente a imprensa independente de poderes econômicos e políticos pode exercer seu papel fiscalizador. Por essa razão é que as ditaduras mantêm os meios de comunicação sob censura.

Têm sido recorrentes os casos de violação do direito de expressão de órgãos de imprensa em países da América Latina:

• Argentina: blitz de fiscais da receita à sede do Clarín, principal jornal do país, que faz oposição à presidente Cristina Kirchner.
• Venezuela: em 2007, Hugo Chávez não renovou a concessão da emissora de TV Rádio Caracas Televisão (RCTV), que foi obrigada a encerrar as transmissões abertas. O presidente também ameaça fechar outra rede de TV e emissoras de rádio.
• Equador: projeto de lei apoiado pelo presidente Rafael Correa obriga veículos de comunicação a fazerem um cadastro e obterem licença provisória de funcionamento, permitindo ao governo ter mais controle sobre o conteúdo.
• Bolívia: presidente Evo Morales processou jornal e reestruturou imprensa oficial para rebater críticas.
• Brasil: por determinação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), O Estado de S. Paulo está sob censura prévia. O jornal foi proibido de publicar matéria sobre investigação da PF que envolve Fernando Sarney, filho de José Sarney (PMDB-AP). Outro caso atingiu o colunista José Simão, do jornal Folha de S. Paulo.

Saiba mais

* Cale a Boca, Jornalista! (Editora Novo Século): livro do jornalista Fernando Jorge que relata arbitrariedades cometidas contra a imprensa pelo Estado brasileiro, desde a época do império até o regime militar.
* Mordaça no Estadão (Gráfica de O Estado de S. Paulo): livro-reportagem de José Maria Mayrink sobre a censura ao jornal após a edição do AI-5, que traz também a reprodução de páginas censuradas pela ditadura.
* Veja Sob Censura: 1968-1976 (Editora Jaboticaba): obra de Maria Fernanda Lopes Almeida que reúne oito anos de censura sofridos por uma das mais importantes revistas do país.
* Páginas da Revolução (1996): um dos últimos filmes estrelado pelo ator italiano Marcello Mastroianni, conta a história de um jornalista português durante a ascensão do nazifascismo na Europa.

*José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.


http://educacao.uol.com.br/atualidades/censura.jhtm

SOBRE O VESTIBULAR DA UNESP, DO UOL

Medicina da Unesp tem 129,2 candidatos por vaga; veja a concorrência para o vestibular 2010
Da Redação
Em São Paulo
A Unesp (Universidade Estadual Paulista) divulgou nesta terça-feira (13) a concorrência para o vestibular 2010: o curso de medicina em Botucatu é o mais procurado do processo seletivo, com 129,2 candidatos por vaga.

Em segundo lugar aparece direito, em Franca, com 55,5 c/v e em terceiro está arquitetura e urbanismo, em Bauru, com 36,7 c/v. Os três cursos somados totalizam 16.051 candidatos, o que representa 21% do total de inscritos.

# Veja a relação candidato/vaga do vestibular Unesp 2010


Os outros cursos que completam a lista dos dez mais disputados são engenharia de produção mecânica, em Guaratinguetá (31,6); direito noturno, em Franca (30,4); engenharia ambiental, em Rio Claro (28,5); engenharia civil, em Bauru (25,4); ciências biomédicas, em Botucatu (25,1); nutrição, em Botucatu (24,8); e engenharia mecânica, em Bauru (24,7).

Cursos e vagas
O vestibular 2010 da Unesp registra um total de 76.452 candidatos. No último processo seletivo, aplicado no fim do ano passado, o exame foi realizado para 75.003 candidatos.

Ao todo, serão oferecidas 6.394 vagas em 153 opções de graduação em 18 cidades. Os cursos oferecidos na área de ciências biológicas são agronomia, ciências biológicas, ciências biomédicas, ecologia, educação física, enfermagem, engenharia florestal, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, terapia ocupacional e zootecnia.

Na área de exatas, as opções são ciência da computação, estatística, física, física médica, geologia, matemática, química, química ambiental, sistemas de informação e as seguintes engenharias: ambiental, biotecnológica, cartográfica, civil, de alimentos, de materiais, de produção mecânica, elétrica, industrial madeireira e mecânica.

Para a área de humanidades, as escolhas são administração pública, arquitetura e urbanismo, arquivologia, arte-teatro, artes visuais, biblioteconomia, ciências econômicas, ciências sociais, jornalismo, radialismo, relações públicas, design, direito, educação artística, educação musical, filosofia, geografia, história, letras, música, pedagogia, psicologia, relações internacionais, serviço social e turismo.

Primeira fase
As provas serão divididas em duas etapas: a primeira, de conhecimentos gerais, será aplicada em 8 de novembro e terá 90 questões de múltipla escolha, sendo 30 de cada área especificada nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais):
# Linguagens, códigos e suas tecnologias (elementos de língua portuguesa e literatura, língua inglesa, educação física e arte);
# ciências da natureza, matemática e suas tecnologias (elementos de biologia, física, química e matemática);
# ciências humanas e suas tecnologias (elementos de história, geografia e filosofia).

No cômputo final da nota do exame, a nota no Enem 2009 poderá compor a nota da prova de conhecimentos gerais (primeira fase).

Segunda fase
A 2ª fase será aplicada nos dias 20 e 21 de dezembro. No primeiro dia, a avaliação será composta de 12 questões discursivas de ciências da natureza, matemática e suas tecnologias e 12, também discursivas, de ciências humanas e suas tecnologias.

No segundo dia, os candidatos farão a prova com 12 questões discursivas de linguagens e códigos e suas tecnologias e uma prova de redação. A duração de cada dia de prova (primeira e segunda fases) será de 4 horas e meia. Para essa etapa, serão convocados entre quatro e seis dos candidatos mais bem classificados na 1ª etapa.

Os exames serão aplicados nas cidades onde há oferta de vagas (Araçatuba, Araraquara, Assis, Bauru, Botucatu, Franca, Guaratinguetá, Ilha Solteira, Itapeva, Jaboticabal, Marília, Presidente Prudente, Rio Claro, Rosana, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo e São Vicente) e também em Americana, Campinas, Dracena, Guarulhos, Jundiaí, Ourinhos, Piracicaba, Registro, Ribeirão Preto, Santo André, Sorocaba e Tupã.

Outras informações podem ser obtidas no site do processo seletivo.
Quem é você? O que é você? Você é o que faz, conforme o nome do seu cargo? Você é o lugar de onde vem, conforme definido na nacionalidade? Se nascer em um estábulo, isso fará de você um cavalo? Você é o que as pessoas chamam, conforme definido por seu nome? Você é o que acredita, conforme o que chama de fé? Se você não é nenhuma dessas coisas - e não é mesmo -, o que é então? Quem é você? Não sobrou nada. Do que devemos chamá-lo então? De nada? Coisa alguma é melhor. Mas e depois? Percepção? Consciência? Alma? Espírito? Ou esses são apenas rótulos? Você consegue ir além de todos os rótulos e ser apenas você mesmo? Você. Individual. Ciente. Consciente. Livre. Um eu autoconsciente. É isso que você é. Difícil é convencer o funcionário da imigração!

A linguagem comum no mundo é a linguagem dos rótulos. E, apesar de os rótulos em uma caixa, ou as etiquetas costuradas em uma roupa, não serem o produto que descrevem, nós nos acostumamos a confundir os dois. Pensamos que somos o que diz o rótulo. E quando o rótulo é ameaçado ou muda de lugar ficamos perturbados. Achamos difícil ver a ilusão e perceber que a verdade é que não somos o que diz o rótulo. Alguns são capazes de morrer por aquele rótulo, alguns chegam a matar por ele. Não somos nossa nacionalidade, gênero, raça ou religião. Mas somos ensinados a achar que somos, e isso é extremamente pouco iluminado. Também faz da vida uma jornada extremamente dolorosa.

Não espanta que os que vivem ao nosso redor muitas vezes nos conheçam melhor do que nós mesmos. Ninguém nos ensina o valor de se conhecer bem. Como já disse o filósofo grego Sócrates, "a vida não examinada não vale a pena ser vivida" - o que significa que o eu interior raramente é plenamente conhecido. Conhecer-se a si mesmo é estar ciente da sua verdadeira identidade (espírito), real natureza (paz) e autêntico propósito (criar, dar e receber). Quando experimentar e conhecer isso, começará a entender de onde vêm emoções como raiva e depressão, dor e desconforto, vazio e ganância.Você tem de saber como e por que estes sentimentos surgem na sua personalidade, ou então a infelicidade o visitará com freqüência, prevalecerá uma ausência de significado e você sentirá que a vida não tem valor.

Pergunte-se quem e o que é, e por que está aqui. Depois se dê o presente da paciência, ouça novamente sua intuição e tudo ficará claro. Se necessário, elimine todas as coisas que você não é, que são os rótulos mencionados antes, e verifique o que sobrou. Algumas pessoas dizem que quando você faz isso, perde a identidade. Não perde. Você já perdeu a identidade nos vários rótulos e compartimentos que aprendeu erradamente a usar para descrever-se a si mesmo. Quando deixa para trás todas essas falsas identidades, começa a recuperar a consciência de seu verdadeiro eu. Esta consciência é muito mais uma experiência do que uma idéia, e por isso mesmo a meditação é a melhor forma de alcançá-la.

Se não o fizer, se não se dispuser conscientemente a experimentar quem você realmente é por trás de todos os rótulos e identidades falsas e transitórias (cargo, nacionalidade, crença etc.), poderá simplesmente repetir o mais freqüente padrão de vida humana hoje em dia, no qual quase todo ser humano nasce, vive e morre sem jamais se conhecer.

Lembre-se, a forma como você se vê influencia totalmente a forma como você vê o mundo, o que pensa sobre o mundo e, conseqüentemente, o que dá para o mundo. E o que você dá para o mundo é o que recebe de volta dele.Mas você já sabe disso, certo?

É por isso que identidade é destino.

Caça ao tesouro

Para muitas pessoas, conhecer-se a si mesmo é uma idéia esquisita. É algo tão alheio aos nossos sistemas de ensino que pode ser difícil distinguir sua relevância no dia-a-dia. Mas e se você descobrir, aos oitenta anos, que na verdade foi uma pessoa muito sábia e espirituosa, um ser dotado de percepção, iluminado? E quem disse que você não pode descobrir todas as suas latentes características interiores aos vinte anos? Auto-realização, autodescoberta, auto-entendimento e autocontrole são caminhos para a redescoberta da sua riqueza e sabedoria interiores. Não passe a vida toda fora de si mesmo. Passe algum tempo dentro de você e entenderá o verdadeiro sentido da "caça ao tesouro". Você já tem um mapa; é hora de começar a jornada.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u398465.shtml

Conhecimento e democratização O interesse público anda esquecido nos debates sobre a expansão universitária

Conhecimento e democratização
O interesse público anda esquecido nos debates sobre a expansão universitária

José Sérgio Fonseca de Carvalho

Os recentes e acalorados debates a respeito de mudanças nos exames vestibulares e a adoção de diversas modalidades de políticas de ação afirmativa, como as cotas em universidades públicas, trouxeram à ordem do dia uma questão que, há não muito tempo, se restringia ao debate acadêmico: qual a natureza dos compromissos da universidade com a democratização da sociedade?

O problema é, sem dúvida, bastante complexo, pois coloca em conflito dois princípios igualmente fundamentais da instituição universitária: o mérito acadêmico como critério e a luta pela justiça social como objetivo. Por essa razão ele não admite soluções muito simples, que ignorem a tradição universitária ou o clamor presente acerca de seu papel social. Mas há um aspecto nesse debate que me chama a atenção, não pela sua forma presente, mas por sua espantosa ausência.
As legítimas e candentes preocupações relativas aos esforços pela democratização do acesso à universidade pública têm obscurecido um problema igualmente fundamental: a discussão sobre o sentido público daquilo que a universidade produz.
Uma universidade comprometida com a justiça social não pode ignorar os efeitos daquilo que Bourdieu chamou, com precisão, de capital cultural (a transformação de um tipo específico de herança cultural não escolar em fator de distinção no desempenho escolar). Mas tampouco deve ignorar que os compromissos de uma universidade pública transcendem a mera preparação de profissionais que terão êxito em suas carreiras profissionais privadas.

Fui informado por um de meus alunos de que mais da metade da produção de inovações e patentes de uma unidade da USP destinava-se à indústria de cosméticos. Não verifiquei se a informação procede ou se é precisa. Mas é inegável que a ênfase no mercado e na competição dos profissionais que forma tem desviado a universidade do sentido que deveria guiar suas ações no campo da docência, da pesquisa e da extensão: o interesse público.

Pouco vale duplicar o número de vagas para as licenciaturas se as universidades públicas não forem capazes de sensibilizar seus alunos para os problemas e as lutas da educação pública. Não basta desenvolvermos tecnologia de ponta em cirurgias cardiovasculares, se deixarmos nossos laboratórios e pesquisas em doenças infecto-contagiosas à míngua. Aos esforços pela democratização do acesso à universidade devem corresponder esforços igualmente intensos no sentido de que sua produção - seu ensino e sua pesquisa - reflitam, também eles, um claro compromisso com os princípios públicos de democratização da sociedade e de promoção da justiça.

José Sérgio Fonseca de Carvalho
Doutor em filosofia da educação pela Feusp
jsfc@editorasegmento.com.br

DA REVISTA PIAUI: SOBRE O PAPA-DEFUNTO

ANALISE O RITUAL DE MORTE, INSERIDO NA SOCIEDADE DE CONSUMO. O QUE MUDOU? PODEMOS AFIRMAR QUE HOJE DESDENHA-SE O CULTO AOS MORTOS EM NOME DE UM BOM FATURAMENTO? OU O QUE HÁ É APENAS A MODERNIZAÇÃO DE UM CULTO?

Comece vendo isto:


http://www.youtube.com/watch?v=CPuPP9xqQIU


O bom e velho papa-defunto está com os dias contados. Depois dos casamentos, das formaturas, dos bailes de debutantes e dos aniversários infantis, os enterros também estão virando festa. E com ela acaba o tempo em que um simples coveiro podia encarar as incertezas da vida com macacão de zuarte, pá de pedreiro e a expressão imperturbável do profissional que tem o emprego regulado por convênios seculares entre as Santas Casas de Misericórdia e os cemitérios municipais.

O último sinal da novidade foi a Funexpo 2009, "a maior feira de produtos, serviços e equipamentos para o setor funerário". Ela assinalou de uma vez por todas o ingresso do Brasil na era da tanatopraxia, do rejuvenescimento póstumo e da reconstituição facial, cujo destino final o professor Vital Walter de Oliveira Filho traduziu para empresários e funcionários do ramo funerário na palestra "Cerimonial: celebração da vida".

Eles atuam num setor que cresceu mais de 15% nesta década. Sua freguesia se renova regularmente, ao ritmo de 1 milhão de óbitos por ano. Em torno da indústria de sepultamentos "diferenciados" gravitam 5 500 empresas. A Funexpo 2009, que ocorreu em Santos entre os dias 4 e 6 do mês passado, limitou-se a assinar o atestado de que há vida, sim, depois da morte. E muita.

Foi a oitava edição da feira. Ela começou modestamente em 1996, promovida pelo Sindicato das Empresas Funerárias do Estado de São Paulo. Contentou-se, na estreia, com poucos estandes perfilados "em apenas uma rua" do Expo Center Norte, na cidade de São Paulo. Os expositores não estavam prontos para a ideia de saírem por aí exibindo seus serviços e produtos, sem que a fatalidade trouxesse os clientes até suas portas.

No ano seguinte, ela passou às mãos do Ctaf - quer dizer, Centro de Tecnologia em Administração Funerária. E virou outra coisa. Trocou o ambiente paulistano por locais mais turísticos, como Águas de Lindoia ou o Guarujá, onde "os Diretores Funerários e seus familiares" pudessem aliar os negócios ao lazer. Fisgou as famílias dos expositores. E virou bienal.

CONTINUANDO!!!!!




O bom e velho papa-defunto está com os dias contados. Depois dos casamentos, das formaturas, dos bailes de debutantes e dos aniversários infantis, os enterros também estão virando festa. E com ela acaba o tempo em que um simples coveiro podia encarar as incertezas da vida com macacão de zuarte, pá de pedreiro e a expressão imperturbável do profissional que tem o emprego regulado por convênios seculares entre as Santas Casas de Misericórdia e os cemitérios municipais.

O último sinal da novidade foi a Funexpo 2009, "a maior feira de produtos, serviços e equipamentos para o setor funerário". Ela assinalou de uma vez por todas o ingresso do Brasil na era da tanatopraxia, do rejuvenescimento póstumo e da reconstituição facial, cujo destino final o professor Vital Walter de Oliveira Filho traduziu para empresários e funcionários do ramo funerário na palestra "Cerimonial: celebração da vida".

Eles atuam num setor que cresceu mais de 15% nesta década. Sua freguesia se renova regularmente, ao ritmo de 1 milhão de óbitos por ano. Em torno da indústria de sepultamentos "diferenciados" gravitam 5 500 empresas. A Funexpo 2009, que ocorreu em Santos entre os dias 4 e 6 do mês passado, limitou-se a assinar o atestado de que há vida, sim, depois da morte. E muita.

Foi a oitava edição da feira. Ela começou modestamente em 1996, promovida pelo Sindicato das Empresas Funerárias do Estado de São Paulo. Contentou-se, na estreia, com poucos estandes perfilados "em apenas uma rua" do Expo Center Norte, na cidade de São Paulo. Os expositores não estavam prontos para a ideia de saírem por aí exibindo seus serviços e produtos, sem que a fatalidade trouxesse os clientes até suas portas.

No ano seguinte, ela passou às mãos do Ctaf - quer dizer, Centro de Tecnologia em Administração Funerária. E virou outra coisa. Trocou o ambiente paulistano por locais mais turísticos, como Águas de Lindoia ou o Guarujá, onde "os Diretores Funerários e seus familiares" pudessem aliar os negócios ao lazer. Fisgou as famílias dos expositores. E virou bienal.

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EM TEMPO, LEIA ESTE TEXTO QUE É UMA ANÁLISE DO FILME "A PARTIDA"


O que faz com que o filme "A partida" seja visto e admirado por
várias pessoas, e seja considerado um dos melhores dos últimos
tempos? Ele ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009.
Fui conduzida a ve-lo por minha cliente "cinéfila", que afirmou que eu
iria adorar o assunto. E lá fui confiante, sabendo que era um filme
japonês e que o tema principal era sobre morte. Não sou fúnebre,
pelo contrário. Porém, lido com a morte e o morrer em minha prática
profissional. Já acompanhei muitos clientes queridos até o seus
últimos suspiros. E sou muito grata por essa permissão. Acolher
essas pessoas e seus familiares nesse momento de passagem é
enriquecedor. E além disso, em relação aos rituais japoneses, sou
praticante da Mahikari, que é uma arte espiritual japonesa.
O filme relata sobre a luta de um jovem músico que toca violoncelo
numa orquestra de Tóquio, que acaba falindo. Sem saber o que
fazer, ele retorna com sua esposa para sua cidade interiorana , em
busca de um emprego. Vai morar na casa que foi de seus pais e
contacta com todas as lembranças dolorosas de sua infância. Seu
pai "abandonou" sua mãe quando ele era criança. Neste retorno, a
marca do abandono emerge como figura para ele.
Em suas buscas atrás de emprego, ele é atraído a um anúncio no
jornal. Sem entender muito sobre o que faria aceita a proposta do
dono do estabelecimento, tentadora financeiramente. Quando se dá
conta do "serviço" - quer desistir, mas o chefe não deixa. O filme traz
algumas cenas comicas (trágico-comicas). O riso toma conta do
cinema. O constrangimento é quebrado por uns instantes... O
trabalho consiste no acondicionamento do cadáver, ou seja, na
preparação do corpo para o velório. E aí está toda a beleza e
delicadeza de seu trabalho. É um ritual altamente respeitoso com a
pessoa falecida e seus familiares. Nas palavras do autor do enredo
do filme, Yoshiro Takita, esse ritual chama-se Nokanshi: "É uma
tradição antiga que independe da religião. Não importa qual a religião
dos familiares. O ritual de despedida dos mortos é o mesmo e
permanence sendo um momento em que o presente e o passado se
encontram, para além das crenças religiosas. O ritual é o mesmo
para os mortos que são cremados ou para aqueles que são
enterrados. Depois do ritual do Nokanshi, que é uma cerimônia que
reúne toda a família e os amigos, pode acontecer uma cerimônia
religiosa ou não."
A família assiste esta preparação. O corpo é coberto e todo
procedimento é realizado delicadamente. O rosto, as mãos,os pés, o
corpo é tocado e limpo com gestos suaves. Após a limpeza, colocase
uma vestimenta e maqueia-se conforme a fotografia da pessoa
posta no altar. Todo ato é reverenciado pelos profissionais, através
do gesto das mãos em prece e da inclinação do tronco para frente -
"sasete itadakimassu". É um pedido de permissão e agradecimento
pelo ato a ser realizado. Quem não é conhecedor dos rituais
japoneses, pode ter uma ideia na novela da globo - Caminho das
Índias, do "namastê" dos indianos (Deus em mim sauda Deus em
você). Há um respeito dos profissionais com a dor dos familiares,com
os conflitos vividos no passado. O silêncio é acolhedor. É um
trabalho belo de se ver. E com certeza, apaga para os que assistem,
todo o incomodo da presença da morte. A morte é fundo. O que
realça como figura é o cuidado com a pessoa que ainda está ali
presente, mesmo estando inerte, morta...
Ao ouvir os comentários sobre o filme dessa minha cliente e suas
amigas, percebi que o cuidado com o corpo do falecido foi o que
mais as sensibilizou. E por que? Todos nós tememos a morte. Ela é
a única certeza que temos na vida. A sociedade ocidental não tem
uma compreensão real da morte ou do que acontece durante ou
depois dela. Como assinala Sogyal Rinpoche em seu livro - O Livro
Tibetano do Viver e do Morrer, "...a maior parte do mundo vive
negando a morte ou aterrorizado por ela. Até falar da morte é
considerado mórbido, e muitos acham que fazer uma simples
menção a ela pode atraí-la sobre si". O filme traz de forma poética e
suave a morte reverenciada, com dor, com lembranças, com
saudades...mas, presente, real, inteira. É uma passagem. O ritual
ajuda-nos a encará-la e até, nos sensibilizarmos com o conforto do
cuidado. O que mais teme as pessoas idosas, principalmente as que
vivem sozinhas? Sim, é de passar mal, sem socorro e morrer só. O
ato de morrer é solitário. Ninguém pode fazê-lo por nós...mas o
cuidado e a presença do "outro" são sempre benvindos. Aqui no
ocidente, geralmente já contactamos com a pessoa pronta em seu
caixão. Tudo é feito longe dos nossos olhos.
Quando o personagem encarna sua missão, tudo fica mais fácil para
ele. Surge sua vontade de voltar a tocar o seu violoncelo da infância
e as lembranças de seu pai afloram. Ele que incentivou-o a tocar. O
rosto do pai surge indefinido em sua mente.
Porém, seu trabalho ainda é segredo. Nem sua esposa sabe. E ao
descobrir, o pede que largue imediatamente essa função horrível.
Seu primo também se afasta dele. A esposa o abandona. Ele
continua sua missão. Em seus questionamentos se pergunta para
onde está sendo levado... Após um tempo, sua esposa grávida,
retorna para ele. Sua tia falece e ele é designado a realizar a
preparação do seu corpo. Sua esposa e seu primo se emocionam ao
vê-lo e passam a entender a dignidade de seu trabalho.
Há também um outro personagem interessante que frequentava a
Casa de Banho de sua tia. Era um cliente mais velho, amigo dela. No
velório de sua tia, seu trabalho é revelado a todos. Ele é reponsável
pelo controle da chave que dá início a incineração. O ritual é
presenciado pelo personagem principal, seu primo e o velho amigo.
Momento de muita emoção no filme.
Como se não bastasse todo ensinamento e profundidade do belo
filme, somos envolvidos por mais um impasse do personagem. Ele
descobre, através de um telegrama, que seu pai falecera. Era
necessário a presença de um familiar. Após um tempo de indecisão,
ele resolve ir. Ao chegar contempla o corpo inerte de seu pai,
estranho até então para ele. Lutando com suas emoções de mágoa,
raiva, ele se vê paralisado. Mas, ao ver seu pai sendo colocado de
qualquer jeito dentro do caixão, ele desperta. Sua esposa que o
acompanha, fala com orgulho aos funcionários: "Podem deixar, meu
marido é um profissional". Durante o procedimento, as lembranças e
emoções vão surgindo... E, ao tocar delicadamente as mãos de seu
pai para abri-las e repousar em seu peito, descobre que ele segura
uma pedra. A mesma pedra que no passado eles tinham trocado
entre si. A lenda sobre este ato é que a pedra representa uma carta.
O formato,o tamanho e o estado da pedra demonstra como cada um
está naquele momento. A pedra pode ser áspera ou lisa, grande ou
pequena. A que ele deu ao pai era pequena, lisa e branca. E a que
ele recebeu era maior, escura e áspera. Emocionado, ele oferece a
sua esposa que está grávida e ela a coloca em seu ventre. O rosto
de seu pai finalmente é descoberto pela névoa de suas defesas
emocionais. Cada detalhe é reconhecido e o amor aflorado.
E aí se dá o desfecho do filme. A vida parecia que estava levando-o
à um lugar totalmente desconhecido. Mas, era na realidade ao
encontro de sua própria história. Fechou-se uma gestalt. Lembro-me
daquela música do cantor Vagner, "...e quando a gente pensa, de
toda maneira, dele se livrar, sentimento ilhado, morto e amordaçado,
volta a incomodar..." Situações inacabadas que se amontoam em
nosso ser. E muitas vezes, desperdiçamos as oportunidades que a
vida nos oferece, para nos libertar e viver mais plenamente.
Serenamente. O personagem se deixou fluir como um rio..."não
apresse o rio, ele corre sozinho..."
"A Partida" é um filme riquíssimo. Com certeza, devo não ter
esgotado sua análise. Gostaria apenas de finalizar este artigo, com
mais uma citação do escritor Rinpoche.
"De acordo com a sabedoria do Buda, podemos realmente usar nossas vidas para
nos prepararmos para a morte. Não precisamos esperar pela dolorosa morte de
alguém próximo a nós, ou pelo choque da doença terminal, para forçar-nos a olhar
para a nossa vida. Também não estamos condenados a ir para a morte de mãos
vazias para encontrar o desconhecido. Podemos começar, aqui e agora, a encontrar
significado na vida. Podemos fazer de cada momento uma oportunidade para mudar
e nos preparar - delicadamente, de modo preciso e com paz de espírito - para a
morte e a eternidade".
Jorgete Botelho

http://www.envelhecerativo.psc.br/arquivos/a_partida.pdf

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A Flora pediu. Resuminhos gravados de Lit e Filosofia


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PARA MEUS ALUNOS OUVIREM, URGENTE!


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conflito entre pais e filhos

Organize argumentos e escreva uma dissertação cujo título seja "Harmonizando a relação pais e filhos"


TEXTO 1


No início dos anos 70, um psicólogo (Philip Zimbardo) idealizou uma experiência, para a qual convidou jovens universitários “comuns”. Dividiu-os em dois grupos, uns seriam os guardas e outros os prisioneiros, mantidos em celas. E incentivou os “guardas” a terem um comportamento autoritário. O estudo deveria durar duas semanas. Teve que ser interrompido no sexto dia: os “guardas” haviam tornado-se sádicos, abusando fisicamente e psicologicamente daqueles “prisioneiros” que, alguns dias antes, eram colegas com os quais cruzavam diariamente pelo câmpus. Jovens antes pacíficos, com um pouco de liberdade e estímulo tornam-se perversos. De onde vem o Mal?

O caso, recentemente descoberto, da garota de 12 anos supostamente acorrentada e torturada pela própria mãe (pela própria mãe!) adotiva abre um leque de discussões, como a da política de adoções. Mas reflitamos sobre o Mal, independentemente da culpa ou não desta mãe acusada.

O ser humano é um bicho estranho. Inventou as roupas, o papel higiênico com cheiro de pêssego e o pudor, todas estas coisas que nos elevam sobre os animais. Mas a tortura, ah, essa também só um humano é capaz de planejar, de engrendar, de se satisfazer com ela.

Nada parece ser capaz de deter o Mal. Justiça rápida e eficaz, punições severas? Se isso bastasse, os Estados Unidos não seriam o país com mais serial killers no mundo. Religião? Os padres pedófilos, em contato diário com a palavra de Deus, não foram contidos por ela. O Mal está no meio de nós. Que atire a primeira pedra aquele que nunca teve vontade de torturar um torturador desses. Opa, não atire a pedra, ou você também será um de nós!

Sádicos (estupradores, assassinos) freqüentemente relatam que o prazer que sentem ao ver a dor de alguém é comparável a “sentir-se como Deus”. Uma visão bem distorcida do conceito tradicional de Deus, por certo! “A realidade humana é puro empenho para fazer-se Deus”, disse o filósofo francês Jean-Paul Sartre.

Esta necessidade de poder pode ser canalizada de diversas formas. Umas mais aceitas culturalmente, como a do homem que não sossegou até ser eleito e re-eleito presidente do país. Outras mais trágicas, como o velho tirano que só consegue “possuir” uma jovem garota se a acorrentar.

Crimes passionais. Pais que agridem filhos que fogem de suas rédeas. Podemos, com algum esforço, ver certo tipo de violência como necessidade de amor, de reconhecimento. Carência gerando violência. Mas a violência não gerará amor no agredido, só raiva, desprezo pelo agressor. Que se sentirá ainda mais sol

http://psipensar.blogspot.com/2008/03/garota-torturada-mae-goiania.html

......................................................................
TEXTO 2
Pais E Filhos
Legião Urbana

Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá

Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe
O que aconteceu...

Ela se jogou da janela
Do quinto andar
Nada é fácil de entender...

Dorme agora
Uuummhum!
É só o vento
Lá fora...

Quero colo!
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com vocês
Estou com medo
Tive um pesadelo
Só vou voltar
Depois das três...

Meu filho vai ter
Nome de santo
Uummhum!
Quero o nome
Mais bonito...

É preciso amar haahaa as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar
Prá pensar
Na verdade não há...

Me diz, por que que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim...

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua
Não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar...

Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais
Huhuhuhu!...ouh! ouh!...

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar
Prá pensar
Na verdade não há...

Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais
Não entendem
Mas você não entende seus pais...

Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?
...........................................................................
TEXTO 4


Essa relação, estabelecida entre os pais e a criança desde muito cedo, é determinante no de- senvolvimento futuro do adulto. Pesquisas realiza- das sobre os cuidados dispensados pelos pais a seus filhos mostram que tanto a permissividade quanto o autoritarismo são perniciosos nesse contexto. Em artigo que ainda aguarda publicação no periódico Journal of Adolescence, estudiosos australianos exa- minaram os efeitos de tais cuidados sobre a saúde mental de adolescentes e concluíram que há uma associação significativa entre saúde mental pobre e cuidado parental inadequado, nos casos em que a criança relata pouco cuidado por parte dos pais e/ou um excessivo controle a partir deles.

De acordo com Rigby, Slee e Martin, autores do estudo, pesquisas anteriores já haviam iden- tificado duas dimensões de particular relevância nesse contexto, relacionadas aos vínculos estabe- lecidos entre pais e filho. “Tem-se, em primeiro lugar, o cuidado parental refletido na afetividade, empatia e intimidade emocionais, em oposição à frieza, indiferença e negligência. E, em segundo lugar, o controle parental, demonstrado quando os pais são super-intrusivos, controladores e fa- zem contatos excessivos, conseqüentemente infantilizando a criança e impedindo o desenvolvi- mento da independência e da autonomia.”

Após avaliarem 1.216 crianças, entre 12 e 16 anos de idade, os pesquisadores concluíram, ainda, que crianças que não vivenciaram rela- ções mais íntimas, sem que haja confiança entre pais e filhos, têm maior probabilidade de apre- sentar baixos níveis de segurança e auto-estima, o que pode levar a estados difusos de ansiedade e depressão futuramente. E o autoritarismo, por sua vez, pode exacerbar estas condições.

eU ACHO QUE VOCÊ DEVERIA LER O ARTIGO TODO.

http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/27/artigo77872-1.asp

domingo, 11 de outubro de 2009

Textro da Folha de SPaulo. Sobre a zona rural

Leia o texto. Pegue a ideia nucleo.

Escreva uma paráfrase. E aproveite para analisar o seguinte: os argumentos do redator são sentimentais, quero dizer, ele argumenta para falar bem do governo?


O CENSO Agropecuário 2006, realizado pelo IBGE, jogou luz sobre o campo brasileiro, mostrando qual é o setor mais produtivo, que gera mais empregos e que coloca alimentos mais saudáveis na mesa da população brasileira. Esse setor é o da agricultura familiar.
Apesar de ocupar só um quarto da área cultivada, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção (ou R$ 54,4 bilhões). Mesmo cultivando uma área menor, a agricultura familiar é responsável por garantir a segurança alimentar do país, gerando os principais produtos da cesta básica consumida pelos brasileiros.
A agricultura familiar emprega quase 75% da mão de obra no campo e é responsável pela segurança alimentar dos brasileiros, produzindo 70% do feijão, 87% da mandioca, 58% do leite e 46% do milho, entre produtos consumidos pela população.
O censo mostra ainda que existem 4.367.902 estabelecimentos de agricultura familiar no Brasil, que representam 84,4% do total (5.175.489), mas ocupam apenas 24,3% (80,25 milhões de hectares) da área dos estabelecimentos agropecuários brasileiros.
No período entre 1985 e 1995, o número de estabelecimentos até dez hectares caiu significativamente, bem como a área cultivada por eles.
Já de 1995 a 2006, a área da agricultura familiar continuou praticamente a mesma, mas o número de estabelecimentos aumentou, o que indica que esse processo não se deu à custa da migração do campo para a cidade, como ocorria no passado.
Os números mostram que está em curso uma mudança no campo brasileiro e que não estamos condenados a um único modelo de produção.
Desde os anos 70, as políticas públicas voltadas para a agricultura obedeceram a uma concepção específica de modernização tecnológica. Por meio dela, procurou-se aumentar a produtividade da força do trabalho empregada no cultivo e na criação de animais mediante o uso de tecnologias que substituíram o trabalho humano pelo emprego intensivo de máquinas e insumos químicos.
De modo geral, tal concepção favoreceu o monocultivo em grandes extensões de terra, a maioria em poder de estabelecimentos de grande porte.
A combinação de estrutura agrária concentrada com políticas agrícolas e padrão tecnológico excludentes produziu o empobrecimento de milhares de famílias de pequenos e médios agricultores, processo que, em muitos casos, levou à perda de propriedades e de biodiversidade e contaminação de rios, alimentos e pessoas pelo uso intensivo de agrotóxicos.
O movimento dominante nesse período foi a progressiva expulsão de homens e mulheres do campo, que foram engrossar os bolsões de pobreza nas periferias urbanas.
Nos últimos anos, porém, um conjunto de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da reforma agrária e da agricultura familiar começou a alterar significativamente esse cenário de empobrecimento do meio rural.
O Censo Agropecuário 2006 mostra que está em curso uma nova dinâmica social e produtiva no campo brasileiro. Uma dinâmica em que pequenos e médios produtores viraram sinônimo de qualidade de vida.
É importante destacar que esses resultados são fruto de uma longa jornada de lutas sociais e de reconhecimento pelo Estado brasileiro da importância econômica e social e da legitimidade das demandas da agricultura familiar, um conjunto plural formado pela pequena e média propriedade, por assentamentos de reforma agrária e comunidades rurais tradicionais extrativistas, pescadores, ribeirinhos, quilombolas.
Essa jornada foi impulsionada por lutas sociais que integraram a agenda da redemocratização brasileira e que aos poucos foram inscrevendo no marco institucional as novas políticas públicas de desenvolvimento rural.
Há uma agenda pós-crise colocada neste início de século 21. Estamos assistindo a uma confluência de crises econômica, energética e ambiental e ao fracasso de um modelo baseado nas teorias do Estado mínimo e da desregulamentação desenfreada.
Esse cenário coloca a questão ambiental e a segurança alimentar dos povos na ordem do dia. A vitalidade da agricultura familiar brasileira mostra que outro modelo de desenvolvimento rural é possível. Mais do que isso, é necessário.
A realidade apontada pelo censo refuta as teses de quem insiste em dizer que o único traço de modernidade no setor rural é aquele expresso pelas grandes plantações mecanizadas voltadas para a exportação.
Ela mostra uma alternativa concreta que combina crescimento econômico, luta contra a fome, a pobreza e a desigualdade social, produção de alimentos saudáveis, geração de conhecimento, proteção ao meio ambiente e a incorporação de milhões de brasileiros e brasileiras ao universo dos direitos, que é o universo da cidadania.
GUILHERME CASSEL , 53, engenheiro civil, é ministro de Estado do Desenvolvimento Agrário.

VIVAS A ELIO GASPARI. ESCREVEU O QUE EU PENSO SOBRE O ENEM. SÓ ELE, QUE BOM.

ELIO GASPARI

Protejam o Enem-2010 do educateca inepto

O exame de 2009 fez água, mas se o MEC começar a trabalhar, o do ano que vem poderá ser um sucesso


EDUCATECA é o sujeito que toma decisões relacionadas com a vida dos estudantes, manda alguém cuidar do assunto e vai para casa jantar. Por exemplo: um educateca achou que devia mudar o nome da velha e boa prova de português e inventou que ela se chamaria "teste de linguagens, códigos e suas tecnologias". Assim se chamava a prova mostrada à repórter Renata Cafardo. Em geral, o educateca acumula o justo orgulho por seus títulos e um sacrossanto horror a dar aula.
Os delinquentes prestaram um serviço ao MEC. A prova vazou a tempo de permitir o cancelamento do exame. Se tivesse vazado depois, o desastre seria maior. Estudado com atenção, o processo de remessa das provas aos locais dos exames tinha outras vulnerabilidades. Os educatecas tiveram uma ideia grandiosa, terceirizaram o serviço e foram jantar.
O primeiro sinal de que se caminhava para uma armadilha acendeu-se quando a burocracia do Inep sustentou que, por falta de tempo, não poderia oferecer dois exames aos estudantes. Esse mimo ficaria para 2010. Quando se tratou de apressar o projeto desprezando o interesse da garotada, exerceram seus superpoderes. Quando se tratou de rolar na lama para garantir a segurança da prova, prevaleceu o ócio. Para a garotada, sobrou a redução das opções de curso de 5 para 3.
Se os educatecas não atrapalharem, o exame do próximo ano poderá ser feito on-line, como as melhores provas do gênero pelo mundo afora.
O Enem poderá ser aplicado em vários dias, com questões estocadas num banco de perguntas, transmitidas aos candidatos de acordo com um processo de seleção aleatória. A prova do sábado será uma, a do domingo, outra.
Esse sistema permite que o MEC ofereça dois ou três exames por ano, dando ao estudante a oportunidade de mandar a melhor nota às universidades.
Fica uma pergunta: haverá terminais para todos os candidatos? Como o exame pode se estender por dez dias esse problema é menor do que parece. Sua solução exige um tipo de trabalho que não pode ser passado adiante.

QUEBRA-QUEBRAS
Diante de três dias de protestos, do incêndio de um vagão de trem de subúrbio e da depredação em quatro estações da SuperVia, a palavra vai para o leitor Paulo Saturnino, do Rio de Janeiro: "É lamentável que ocorra um tumulto deste porte para que o lado bem vivido do Rio perceba que a Cidade Maravilhosa precisa de reparos enormes do lado pobre. Enfim, em vez de metrô para a Barra vindo de Ipanema, precisamos criar um sistema de transporte decente para o subúrbio carioca. Moro em Copacabana e vejo a pressão dos moradores da zona sul por metrô para a Barra próxima do imoral".
Desde 2004, os moradores de São Paulo têm o bilhete único, criado pela prefeita Marta Suplicy para os ônibus. A rede paulista expandiu-se, chegando ao metrô e aos trens e hoje é a segunda maior do mundo, perdendo só para Hong Kong. Todas as outras capitais brasileiras têm essa modalidade de tarifa, menos o Rio.
Em janeiro de 2007, o governador Sérgio Cabral prometeu implantar o bilhete único até o final de 2008. Nada. Quando ia ao subúrbio pedir votos, o prefeito Eduardo Paes defendia essa ideia. Em matéria de transporte, o governo do Rio é uma fábrica de fantasias. Há poucas semanas, no Dia Mundial Sem Carro, Paes pedalou dez quilômetros da Gávea Pequena (285 metros de altitude) a Botafogo (nível do mar). Não há registro de que, na volta para casa, tenha encarado a subida.

SERRA 2010
O governo encharcou o Enem, quer ressuscitar a CPMF e decidiu reter a devolução do Imposto de Renda para fazer caixa. Deve ser coisa de um comitê secreto da campanha Serra 2010.

OABANZÉ
A Ordem dos Advogados do Brasil gosta de dar palpite sobre tudo. Há pouco tempo, propôs a renúncia coletiva do Senado. (O Conselho de Ética de sua filial paulista absolveu sete advogados acusados de dupla militância com a bandidagem do PCC.) Na semana passada os doutores tomaram um tiro na linha d'água, vindo do Supremo Tribunal Federal. A Segunda Turma do STF devolveu a lista sêxtupla enviada pela Ordem para o preenchimento de uma vaga no Superior Tribunal de Justiça. Na votação, um episódio burlesco: a cada escrutínio aumentava o número de votos em branco. De duas uma: a Ordem não sabe fazer listas ou não sabe litigar.

REAL COBIÇA
Depois de amanhã, o Conselho da Fundação Real Grandeza escolherá o presidente e o diretor financeiro do fundo. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, revelou que está neutro, esclarecendo que o PMDB quer as cadeira$. O PMDB do Rio, é bom lembrar.

IDH DO B
Um curioso reprocessou os números dos países listados pelo Índice de Desenvolvimento Humano da ONU e achou duas situações interessantes. 1) Entre as 12 nações com população superior a 100 milhões de habitantes, o Brasil está na sexta posição. Dos quatro Brics, só a Rússia está em posição melhor. 2) Das 74 nações que estão acima do Brasil, 21 têm menos de 2,5 milhões de habitantes. Se 12 delas fossem empacotadas sob uma só bandeira, formariam um país com população inferior à de Brasília. Liechtenstein (36 mil habitantes) e as ilhas de Saint Kitts e Nevis (52 mil) cabem na Rocinha.

O SAPO DA PRIVATARIA VIROU PRÍNCIPE

Ao tempo da privataria tucana, duas distribuidoras de energia encarnaram o choque do progresso com o atraso.
De um lado, em nome da modernidade, estava a Light do Rio de Janeiro. O tucanato leiloou-a em 1996. Como faltavam interessados, bombaram o edital, aceitaram papéis podres e conseguiram R$ 2,2 bilhões de um consórcio liderado pela estatal francesa EDF. Em apenas três anos, a Light da EDF pagou R$ 722,5 milhões aos seus acionistas.
Do outro lado, pelo atraso, estava a Centrais Elétricas de Minas Gerais, a Cemig. Como faltou clima para privatizá-la, o governo mineiro vendeu 33% da empresa a um consórcio liderado pela companhia americana AES, por R$ 1,1 bilhão. Aos novos sócios foi concedido um poder de veto leonino nas operações da companhia.
Em 1999, o ex-presidente Itamar Franco assumiu o governo de Minas, disse que só privatizaria a Cemig diante da força militar de uma intervenção federal e denunciou os poderes concedidos aos novos sócios. Dinossauro atrasado, foi acusado de abalar a credibilidade externa do Brasil. Ele dizia assim: "Sou nacionalista, burro e mais o que quiserem, mas não vendo quilowatt existente". Itamar prevaleceu e a AES, metida num calote em São Paulo, saiu da Cemig, vendendo sua participação a um consórcio brasileiro.
Enquanto isso, no Rio, a EDF perdeu dinheiro com o câmbio, meteu os pés pelas mãos na gerência e, depois de receber boa ajuda do BNDES, caiu fora da Light em 2006.
A suprema vingança está em curso. O sapo atrasado do tempo da privataria (a Cemig) está na reta final das negociações para se tornar principal acionista da Light, a princesinha da modernidade.

sábado, 10 de outubro de 2009

CAFE FILOSOFICO. UTOPIA DO AMOR PERFEITO

VEJA, PENSE, ESCREVA.


http://www.cpflcultura.com.br/video/integra-utopia-do-amor-perfeito-caterina-koltai

ARTE. CAFÉ FILOSÓFICO. LOBÃO

Na sociedade de celebridades, o artista é colocado em um papel dúbio, em que sua arte é menor do que sua eventual capacidade de criar escândalo ou sensação. Será o escândalo a obra do artista, como as vanguardas do século XX supunham? A auto-imolação é a última e única prova da sinceridade do artista? Ou há uma possibilidade de real conhecimento no jogo do embuste?


vEJA O VÍDEO E ESCREVA.


http://www.cpflcultura.com.br/video/integra-volta-dos-deuses-embusteiros-lobao

CAFE FILOSOFICO. HUMANO DESCARTÁVEL.

POR QUE NÃO VÊ AGORA? ANOTE AS IDEIAS E DESENVOLVA UMA REDAÇÃO.



http://www.cpflcultura.com.br/video/integra-humano-descartavel-eugenio-bucci

Revista Cult:Os dilemas do trabalho no limiar do século 21

Os dilemas do trabalho no limiar do século 21

Do subemprego à exploração infantil, a situação contemporânea do trabalho exige uma reflexão à altura daquela relacionada ao meio ambiente

24/09/2009

Ricardo Antunes

Se há um tema que está sempre presente nos debates atuais, junto com a destruição ambiental, esse tema é o do trabalho e seu corolário, o desemprego. Isso porque também não há nenhum país que, em alguma medida, não esteja vivenciando o desmoronamento do trabalho.

Em plena eclosão da mais recente crise financeira, estamos constatando a corrosão do trabalho contratado, a erosão do emprego regulamentado, que foi dominante no século 20 e que está sendo substituído pelas diversas formas alternativas de trabalho e subtrabalho, de que são exemplo o "empreendedorismo", o "trabalho voluntário", o "cooperativismo", modalidades que frequentemente "substituem" o trabalho formal, gerando novos e velhos mecanismos de intensificação e mesmo autoexploração do trabalho.

Os modos de precarização do trabalho, o avanço tendencial da informalidade, o desemprego dos imigrantes, tudo isso acentua o tamanho da tragédia social em que estamos envolvidos. O emprego assalariado formal, modalidade de trabalho dominante no capitalismo da era taylorista e fordista, que magistralmente Chaplin satirizou em Tempos modernos, está se exaurindo e sendo substituído por formas de trabalho que em alguns casos se assemelham às da fase que marcou o início da Revolução Industrial. Senão, como explicar, em pleno século 21, as jornadas de trabalho que, em São Paulo, chegam a 17 horas por dia? Tudo isso nos obriga a refletir: que trabalho queremos, de que trabalho necessitamos?


Trabalho como atividade vital

Aqui, devemos fazer uma pequena digressão. Sabemos que o trabalho, concebido como atividade vital, nasceu sob o signo da contradição. Desde o primeiro momento, foi capaz de plasmar a própria sociabilidade humana, por meio da criação de bens materiais e simbólicos socialmente vitais e necessários. Mas também trouxe dentro dele, desde seus primeiros passos, a marca do sofrimento, da servidão e da sujeição. Ao mesmo tempo em que expressa o momento da potência e da criação, o trabalho também se originou nos meandros do " tripalium", instrumento de punição e tortura.

Se era, para muitos, dotado de uma ética positiva (ver as análises de Weber), própria do mundo dos negócios (cujo significado etimológico é negar o ócio), para outros, ao contrário, tornou-se um não valor, estampado na magistral síntese de Marx: "Se pudessem, os trabalhadores fugiriam do trabalho como se foge de uma peste!".

Mas o século 20 moldou-se pela estruturação da chamada sociedade do trabalho, em que desde muito cedo fomos educados para o princípio fundante do trabalho. Esse cenário começou a ruir, no entanto, a partir dos últimos 20 anos. Tragicamente, quanto mais a população vem aumentando, menor é a capacidade de incorporar os jovens ao mercado de trabalho. Esta é a situação que vivenciamos hoje: não encontramos empregos para aqueles que dele necessitam para sobreviver e os que ainda estão empregados em geral trabalham muito e não ficam um dia sem pensar no risco do desemprego. Esse medo ocorre não só na base dos assalariados, pois essa tendência cada vez mais avança na ponta da pirâmide social, chegando até os gestores.



Foto: Creative Commons

Outro lado: relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
projeta mais de 50 milhões de desempregados em 2009


Desemprego

Uma rápida consulta aos dados acerca do desemprego mundial é esclarecedora. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), em recente relatório, projetou mais de 50 milhões de desempregados ao longo deste ano de 2009, em consequência da intensificação da crise que atingiu especialmente os países do Norte. A mesma OIT acrescentou ainda que aproximadamente 1,5 bilhão de trabalhadores sofrerão redução em seus salários ( Relatório mundial sobre salários 2008 - 2009).

Na China, país que mais intensamente cresceu na última década, com quase 1 bilhão de trabalhadores, cerca de 26 milhões de trabalhadores que migraram do campo para as cidades perderam seus empregos, gerando a onda de revoltas a que assistimos atualmente.

A América Latina também não ficou de fora desse cenário: a mesma OIT antecipou que, dada a ampliação da crise, "até 2,4 milhões de pessoas poderão entrar nas filas do desemprego regional em 2009", somando-se aos quase 16 milhões hoje desempregados, sem falar do "desemprego oculto" e outros mecanismos que mascaram as taxas reais de desemprego ( Panorama laboral para América Latina e Caribe, janeiro de 2009 ).


No limite da degradação

Dentro de um contexto marcado por uma profunda crise estrutural, ampliam-se, portanto, as formas de aviltamento do trabalho.

Foto: Creative Commons

Degradação: trabalhadores imigrantes em
jornadas que atingem até 17 horas diárias
Os exemplos são abundantes e o espaço aqui seria por demais limitado. Mas podemos emblematicamente apresentar alguns casos mais expressivos.

A cada dia vemos mais e mais exemplos de trabalho escravo no campo; nos agronegócios do açúcar, no etanol de Lula, cortar mais de 10 toneladas de cana por dia é a média por baixo, low profile. No norte do país esse número pode chegar a até 18 toneladas diárias.

Em São Paulo, não é difícil localizar a degradação dos trabalhadores imigrantes, como os bolivianos, subempregados nas empresas de confecção, com jornadas que atingem até 17 horas diárias, configurando uma modalidade de trabalho no limite da condição degradante. E os exemplos se esparramam por todas as partes do mundo: chicanos (EUA), dekasseguis (Japão), gastarbeiters (Alemanha), lavoro nero (Itália) etc.

No Japão, jovens operários migram em busca de trabalho nas cidades e dormem em cápsulas de vidro do tamanho de um caixão. Configuram o que já chamei de operários encapsulados. Na América Latina, trabalhadoras domésticas chegam a trabalhar 90 horas por semana, tendo não mais que um dia de folga ao mês, conforme lembrou Mike Davis em seu Planeta favela (Boitempo, 2006).

Se, no século passado, os povos do Norte migraram em massa para o Sul do mundo (como os italianos, alemães, portugueses, espanhóis, tão bem acolhidos no Brasil), estamos presenciando o exato inverso. Nesse sentido, exemplos recentes na Espanha, nos EUA e na Inglaterra, contra os brasileiros, são por demais expressivos.

Outra manifestação, ainda que diferenciada, é também esclarecedora: trabalhadores britânicos em greve, no início de 2009, empunhavam um cartaz que dizia: "Empreguem primeiro os trabalhadores britânicos", em manifestação contrária à contratação de italianos e portugueses. Se é justíssima a reivindicação de salário igual para trabalho igual, para se contrapor à tendência destrutiva dos capitais de explorar o imigrante carente de trabalho, é repulsiva a manifestação que estampe qualquer traço xenófobo contra trabalhadores imigrantes.

O fenômeno é curioso: em plena apologética da assim chamada "globalização", os capitais transnacionais podem fluir e viajar livremente, enquanto o trabalho imigrante encontra-se cada vez mais cerceado e tolhido. Talvez pudéssemos dizer que, enquanto os capitais transnacionais são livres em seus voos e saques, os trabalhadores imigrantes devem se manter cativos.

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http://revistacult.uol.com.br/novo/dossie.asp?edtCode=405A8403-AD34-47FE-9051-22017E8B23A9&nwsCode=4040883E-14AA-4F59-ADE4-EB635DFCBF19

TEXTO SOBRE O ENEM

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Em torno do Enem

SÃO PAULO - Ainda que nada grave aconteça até a data da nova prova, o vazamento do Enem já deixou um saldo negativo pesado para o país -a começar pelo transtorno na vida de milhões de jovens, brutalmente frustrados na véspera de um momento para o qual devem ter dedicado boa parte de suas energias e expectativas nos últimos meses.
O fato de instituições de ensino superior da relevância da USP e da Unicamp, entre outras, desistirem de usar o exame como parte de seu processo seletivo já neste ano obviamente esvazia seu alcance, à luz do que dele todos esperavam.
Também está claro que o ministro Fernando Haddad, embora conduza bem a crise, pagará um preço político pela imprudência do MEC.
Seria muito pior, porém, se a gatunagem tivesse como consequência o descrédito do exame a médio prazo. Não parece ainda ser o caso.
O Enem representa um avanço. É recente no país o consenso de que o ensino deve ser submetido a critérios de avaliação universais e mensuráveis. Há mais ou menos dez anos, o PT, que hoje está no poder, investigando os ladrões da prova, queria eliminar do processo pedagógico exames como o Provão.
Mudamos. Criado por FHC e ampliado por Lula, o Enem nos deu uma noção mais precisa do abismo entre as redes pública e privada de ensino. Para tentar sair do buraco, é preciso conhecer seu tamanho.
É verdade que o ranking das escolas tem estimulado um certo darwinismo pedagógico entre instituições de ponta na esfera particular, mais voltadas para o exame do que para o próprio ensino. Mas, se este é um subproduto nocivo do Enem, ele não compromete os méritos maiores de um instrumento que responsabiliza as escolas pelo desempenho dos alunos e deve democratizar o acesso à universidade.
A educação brasileira ainda está próxima da tragédia. Basta dizer, entre tantas vergonhas, que mais de 1 milhão de professores, da educação infantil ao ensino médio, não têm diploma universitário. O retrato permanece muito feio; o filme, no entanto, já foi bem pior.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1010200903.htm

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

conversando com amigos pelo MSN

Leia os textos que eu coloquei. Depois, baixe o texto do Acrobat. A proposta está no primeiro exercício da Cásper Líbero.


http://www.facasper.com.br/vestibular/provas_gabaritos/caderno_prova_2009.pdf

TEXTO 1

Lembra das aulas de história em que o professor apresentava para os alunos a evolução dos seres humanos - Neanderthal, Cro-Magnon, Pitecantropus... E depois ainda trabalhava as diferentes eras pré-históricas, como a idade da pedra [lascada e polida], dos metais, o advento da agricultura e da pecuária... Tudo terminava [me refiro aqui a Pré-História] com o surgimento da escrita e o advento da História propriamente dita, com os Homo Sapiens...

Os tempos atuais também estão promovendo uma modificação de caráter evolucionário - estamos passando de Homo Sapiens para Homo Zappiens... Não sou o criador desse conceito e ele se relaciona diretamente a uma outra idéia importante quanto a humanidade no século XXI, a dos Multitaskers... Estou lendo um livro cujo títuo é justamente esse, ou seja "Homo Zappiens - Educando na Era Digital", de Win Veen e Ben Vrakking, publicado no Brasil pela Artmed.

Os autores defendem a idéia de que a partir do advento de todas estas tecnologias e, principalmente da internet, ocorrendo ainda a convergência das mesmas, iremos zappear constantemente pela web, de um lado para o outro, lendo com o canto dos olhos, ao mesmo tempo ouvindo músicas, assistindo vídeos no YouTube [ou similares], conversando com amigos pelo MSN, freqüentando comunidades virtuais...

O problema, como nos diz outro autor, Nicholas Carr, é que, com tudo isso, estamos perdendo a capacidade de refletir com profundidade, estamos nos tornando superficiais... Aonde iremos parar?


Por João Luís de Almeida Machado

http://www.escolhendoapilulavermelha.com.br/2008_11_01_archive.html


TEXTO 2


Escrever, pensar, falar: em comum, as palavras.

* * *

O ar cortado de ligações telefonicas, transmissões de rádio, de tv. Ocupamos o invisivel. “Coisas” são transmitidas pelo ar e “materializadas” em aparelhos como rádios e tvs, micros, telefones e celulares.

O que me surpreende ainda mais: que a informação não se disperse. É com se ela, a “informação”, seguisse no ar envelopada, encapsulada, fechada em si mesma, como um grão, uma semente, um quantum e como que “se abrisse” nos aparelhos a que destinam.
(...)

Antonio Caetano

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http://www.cafeimpresso.com.br/?p=1594'


Texto 3


“A ferramenta de blog nada mais é do que isso: um conjunto de maneiras de organizar e expor um texto previamente indexado segundo critérios determinados"

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http://www.cafeimpresso.com.br/?p=1652

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Como o futebol explica o mundo

O Curso Etapa fez uma coletânea em que constava este texto ( que eu achei bom). É uma resenha de livro. Vale a pena ler. Se quiser, arrisque a fazer uma dissertação. Não é fácil responder à questão, talvez, uma paráfrase fique mais apropriada.


Resenhas
Como o futebol explica o mundo
Jornalista usa o futebol como metáfora para tentar explicar o fracasso da globalização na redução das desigualdades sociais
Patrícia Mariuzzo
No começo dos anos 90 a globalização era celebrada como a grande promessa para diminuir as desigualdades sociais e levar a prosperidade econômica a todos os recantos do planeta. Apenas dez anos bastaram para mostrar que a integração de indivíduos, instituições e Estados Nacionais através das tecnologias da informação e a eliminação de barreiras comerciais não seriam o bastante para solucionar ou, ao menos, amenizar questões como o anti-semitismo, a corrupção, o fanatismo religioso ou as guerras étnicas. Em Como o futebol explica o mundo. Um olhar inesperado sobre a globalização, o jornalista norte-americano Franklin Foer tenta encontrar as razões desse fracasso usando o futebol como metáfora.

O autor viajou pelo mundo para conhecer clubes, entrevistar jogadores, dirigentes e, é claro, assistir jogos. O resultado deste trabalho, não tão difícil para um autor que se declara fã incondicional de futebol, é um livro sobre a interação entre cultura, política e futebol, capaz de atrair tanto os aficionados quanto os leitores menos entusiasmados com o esporte. Ao longo dos dez capítulos, quase crônicas, Foer conclui que a globalização não reduziu as culturas futebolísticas regionais como temiam os críticos do fenômeno, mas, ao contrário, as pessoas se apegaram ainda mais às rivalidades, às identidades e às crenças locais. Evidentemente houve mudanças. Parte delas está na alquimia cultural resultante da escalação de técnicos que tem sob seu comando, num mesmo time, jogadores de todas as partes do mundo. E, se na visão da arquibancada pode-se ver, vez por outra, um espetáculo, vendo mais de perto como fez o jornalista, temos o contraste cultural e a dificuldade de adaptação vivida pelo jogador nigeriano Edward Anyamkyegh contratado pelo Karpaty Lviv, time da Ucrânia.

O caso do time inglês Chelsea também confirma em parte as críticas dos opositores da globalização de que o capitalismo das multinacionais priva as instituições de seu caráter local e destitui as classes mais baixas do que eles mais gostam. Se nos anos 80 o time era sinônimo de hooliganismo, na década de 90, ele passou a ser identificado com o cosmopolitismo. Foi o primeiro time inglês a montar um time sem nenhum jogador inglês. As medidas tomadas para conter os hooligans atraíram um novo tipo de torcedor, mais abastado, além do público feminino. Segundo o autor, esta clientela acabou com a atmosfera de classe operária turbulenta durante os jogos do time. Como um dos primeiros chefes de torcidas organizadas de hooligans ingleses, surgidas em meados da década de 60, Alan Garrison sente falta justamente dessa atmosfera. Em seus depoimentos para Foer ele demonstra claramente a nostalgia pelos tempos em que podia exprimir livremente seu talento para a violência em dias de jogos do Chelsea.

O foco do livro, entretanto, não são as mudanças, mas as permanências, isto é, questões incômodas que a globalização não conseguiu alterar. Por exemplo, por que algumas nações permaneceram pobres embora tenham sido alvo de tanto investimento estrangeiro? A metáfora aqui assume a forma dos cartolas do futebol e, sobre este assunto, é de terras brasileiras que o autor fala. Para Foer o futebol no Brasil é um exemplo de como as facetas negativas da globalização podem encobrir as boas. É um relato de como a corrupção supera a liberalização. Por causa da cartolagem, o capital externo não conseguiu transformar o futebol brasileiro numa NBA do esporte global. Citando como exemplo a administração de Eurico Miranda à frente do Vasco da Gama, do Rio de Janeiro e o fracasso da Lei Pelé, o jornalista atribui a sobrevivência dos cartolas ao fato dos clubes brasileiros permanecerem como entidades amadoras e sem fins lucrativos, cujas contas não estão sujeitas à fiscalização pública. Isso possibilitou a dirigentes de grandes clubes como Flamengo, Cruzeiro e Palmeiras o mau uso de maciços investimentos estrangeiros que eles receberam nos anos 90, mantendo os times em precária situação financeira.

Boa parte do texto é dedicada às ligações entre política e futebol. Uma questão mais recente abordada no livro é a manipulação de resultados no campeonato italiano, uma das maiores crises do futebol internacional que resultou até agora no rebaixamento para a segunda divisão de quatro grandes times italianos: Lazio, Fiorentina, Juventus e Milan. Foer acredita que um dos motivos da corrupção envolvendo os árbitros na Itália liga-se, em primeiro lugar, ao estilo de futebol daquele país que amplia o papel do juiz no resultado do jogo. Argumento frágil, pelo menos para o leitor brasileiro que acompanhou o escândalo que acabou com a expulsão dos ex-juízes da Federação Paulista de Futebol, Edilson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon. Eles confessaram ter tentado fraudar jogos em troca de dinheiro em 2005. Por causa desse papel de destaque, políticos e empresários, chamados de novos oligarcas, se esforçam para influenciar desde a escolha dos juízes para os campeonatos até a sua atuação em campo. É o caso da família Agnelli, proprietária da Fiat, cuja influência beneficia o Juventus e do ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi, proprietário do Milan.

Ainda explorando a interação de futebol e política, a relação entre a violência étnica e as agressões praticadas pelas torcidas organizadas na Sérvia é um exemplo. A partir das fileiras de torcedores do Estrela Vermelha de Belgrado, time de maior sucesso na Sérvia, um aliado de Slobodan Milosevic, chamado Arkan criou e armou uma organização paramilitar. Eles comporiam as tropas de choque do ditador à frente da limpeza étnica comandada pelo então presidente sérvio durante a Guerra dos Bálcãs, em 1990. Na verdade a violência da torcida sérvia é mais uma forma de expressão do ódio racial presente naquela sociedade e levado às últimas conseqüências na guerra. Neste sentido é a questão étnica que explica a violência no futebol, e não o contrário. O esporte é um fenômeno mundial, mas é também um espelho, ora das virtudes, ora dos problemas, da sociedade de onde emerge. Ao ler o livro deve-se ter o cuidado de estabelecer um limite de alcance desse fenômeno. Ele pode ilustrar a questão étnica, a judaica, as guerras culturais, o racismo, mas certamente não pode esgotar esses temas.

Como o futebol explica o mundo - Um olhar inesperado sobre a globalização
Franklin Foer
Jorge Zahar Editor, 2005
220 p.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Lições kafkianas
Os seres humanos são farejadores natos da verdade. Mas nem sempre encontram ambiente propício para as buscas decisivas

Gabriel Perissé



Os escritores, sem a pretensão de nos ensinar coisa alguma, transformam suas obras em aulas de humanização. Uma leitura educadora parte desse pressuposto: ler é aprender numa escola feita de palavras com um mestre da linguagem.

As aulas kafkianas são das mais estranhas. Os escritos de Franz Kafka (1883-1924) nos fazem encarar o mundo, a sociedade e a nós mesmos como realidades que ainda não conhecemos o bastante. Levam-nos a pôr em xeque pensamentos prontos e ações rotineiras. Num de seus aforismos, retirado do livro póstumo Considerações sobre o pecado, a dor, a esperança e o caminho verdadeiro (1931), o autor tcheco avisa a si mesmo e a cada um de nós: "És a tua própria lição de casa".

Sou a minha própria lição de casa na medida em que considero o problema da existência a primeira, a mais radical de todas as questões. O autêntico estudante, portanto, estuda a si mesmo e estuda o seu entorno com a disposição de encontrar respostas que lhe satisfaçam mais do que as já estabelecidas. As tarefas escolares são importantes, contanto que não atrapalhem o cumprimento do dever fundamental: perseguir verdades pessoais, por mais inglórios que sejam os esforços para atingi-las.

Essa pesquisa pessoal tem um preço, e por isso não é tão fácil encontrar quem a ela se dedique. O conto Investigações de um cão (1922) retrata a solidão de quem abandona as facilidades de uma vida sem questionamentos. O protagonista (um cão) observa, pergunta, analisa, reflete, tem um comportamento mental que o afasta do convívio dos outros cães.

Mas esse afastamento não se deve a uma falha do animal cientista e filósofo. Ao contrário. Ele sabe que esse é o seu destino, e deveria ser o de todos os seus companheiros:

Não é de se supor que as coisas estejam tão mal para mim. Não estou um fio de cabelo fora da essência canina. Todo cão tem, como eu, o ímpeto de perguntar e, como todo cão, tenho o de silenciar. Todos têm a tendência a perguntar.

Os seres humanos são farejadores natos da verdade. Mas nem sempre encontram ambiente propício para as buscas decisivas. Paradoxalmente, a instituição escolar, que deveria ser o lugar da livre reflexão sobre problemas vitais, sobre os problemas que realmente interessam ao ser humano, pode tornar-se o maior dos obstáculos.

Nos esboços de Investigações de um cão há um trecho, excluído na versão final do conto, no qual o autor, que passara maus bocados na escola, fazia uma avaliação contundente sobre o ato de educar:

Toda educação, provavelmente, possui dois objetivos. Em primeiro lugar, conter o impetuoso assalto das crianças ignorantes para a verdade. Em seguida, iniciar as crianças humilhadas, de modo imperceptível, suave e progressivo, na mentira.

Uma educação que teme a inventividade do estudante, que incentiva a homogeneização, que inibe a capacidade de perguntar, que está mais preocupada em definir limites do que em apresentar horizontes é uma educação humilhante e desumanizante. Por outro lado, fomenta a mentira, o engano. A crítica kafkiana ultrapassa tempo e espaço e vale também para o Brasil dos dias de hoje.

São enganosas, por exemplo, as fichas de leitura que acompanham certos livros. Desde a década de 1970 generalizou-se a prática editorial (com referendo pedagógico...) de incluir entre as páginas de livros infanto-juvenis essas fichas, ou suplementos, ou guias, ou orientações, com o intuito de "facilitar" o trabalho do professor e a interpretação dos alunos.

Tornou tudo tão fácil e "seguro" que a leitura perdeu qualquer atrativo. Para que ler e pensar, criar hipóteses e levantar dúvidas novas, se a ficha, camisa de força do texto, tem como função tolher o vigor imprevisível da mente, anular as ainda mais imprevisíveis forças da imaginação, a "louca da casa", que o texto queria era mesmo despertar?

É equivocada também a forma como se avalia o mérito intelectual de um jovem candidato ao ensino superior público. Afinal, podemos considerar "superior" um ensino a que o adolescente só terá acesso (com uma ajudinha do destino...), se estudar centenas de questões que o distraem do essencial? Por que deve o vestibulando empregar suas melhores energias na tarefa de decorar, por exemplo, as características geológicas e químicas do granito e do mármore? Por que dedicar seu tempo à lei de Lenz (outro tema típíco de questão do vestibular), segundo a qual o sentido da corrente é o oposto da variação do campo magnético que lhe deu origem?

Se esses e outros conhecimentos (válidos em si mesmos e de fato relevantes quando contextualizados na prática do geólogo ou do físico) passam a ser apenas questões de um exame, elaboradas com o objetivo de restringir o acesso ao ensino gratuito, pois este não oferece o número de vagas suficiente em comparação com a quantidade de pessoas que conclui o ensino médio, para que estudar? Para que estudar, enfim, se há mais vagas e oportunidades em instituições particulares, cujos testes de seleção, infinitamente menos seletivos, não estão nem um pouco preocupados com o mármore e o campo magnético?

Em 1917, após os primeiros sintomas de tuberculose, Kafka interrompeu sua atividade profissional em Praga e foi passar alguns meses numa cidade mais tranquila, Zürau, período que lhe permitiu escrever com maior regularidade. Utilizando cadernos escolares, produziu vários textos, publicados somente em 1953, por Max Brod (1884-1968), grande amigo do autor e responsável pela conservação e difusão de sua obra.

Em certo momento desses cadernos, Kafka escreve sobre uma escola noturna destinada a jovens comerciários. O professor pediu-lhes que fizessem um exercício de matemática, acreditando conseguir alguns minutos de sossego para estudar ele próprio. A classe, porém, está no maior alvoroço, e o supervisor de ensino entra na sala para averiguar o motivo da confusão. Segue um diálogo tenso entre supervisor e professor:

Supervisor: [...] Em que tipo de escola nos encontramos?
Professor: Na Escola Noturna para Aprendizes da Área Comercial.
Supervisor: É uma escola superior ou inferior?
Professor: Inferior.
Supervisor: Talvez uma das mais modestas?
Professor: Sim, uma das mais modestas.
Supervisor: Exatamente, uma das mais modestas. É inferior às próprias escolas primárias, já que, afora as matérias que são apenas a mera repetição das que se ministram na escola primária (e, portanto, dignas de respeito), aqui se ensinam apenas os mais básicos rudimentos de ciências. De modo que todos nós (os alunos, o professor e eu, o supervisor) trabalhamos, ou seria melhor dizer... deveríamos trabalhar, como é nosso dever, numa das escolas mais modestas que existem. Isso é porventura algo desonroso?
Professor: Não, aprender jamais é desonroso. Além do mais, a escola é tão-somente um lugar de passagem para esses jovens.
Supervisor: E é também para o senhor um lugar de passagem?
Professor: Na realidade, para mim também.

A escola cumprirá sua função se a entendermos como um passadouro, uma ponte. As atividades e exigências da escola só fazem sentido à luz de algo que esteja para além dela. Seria absurdo pensar na escola como o destino final de nossos esforços. Toda escola é um estágio. Um caminho (entre outros) para a nossa realização como seres humanos. (Para a revista Educação)


Gabriel Perissé é doutor em Filosofia da Educação/USP e professor do Programa de Mestrado/Doutorado da Universidade Nove de Julho/SP(www.perisse.com.br)

http://www.perisse.com.br/textos-online.html

domingo, 4 de outubro de 2009

"Crianças precisam de liberdade para errar"
O filósofo escocês diz que a sociedade competitiva transformou a infância em uma fase de stress comparável à da vida adulta

Por Suzane G. Frutuoso


No dia em que o filósofo escocês Carl Honoré, 41 anos, foi chamado na escola do filho Benjamin, hoje com 10 anos, e ouviu da professora de artes que o menino desenhava muito bem, ele se encheu de orgulho e sonhou alto. Saiu de lá e foi fazer uma pesquisa na internet sobre escolas de educação artística. Já imaginava: "Estarei criando o próximo Picasso?" Mas, ao indagar o menino sobre o curso, levou um balde de água fria. "Não quero ir para uma aula na qual o professor vai me dizer o que fazer. Só quero desenhar", disse Benjamin, com firmeza. "Por que os adultos têm que tomar conta de tudo?" Honoré percebeu quanto estava sendo um pai ansioso querendo dominar a felicidade simples do filho e transformá-la em realização. Ele entendeu também que não estava sozinho. Foi quando deu início às pesquisas do livro "Sob Pressão" (Ed. Record), recém- lançado no Brasil. "A ideia era retomar minha autoconfiança como pai e ajudar outros da mesma maneira", diz Honoré, que também é pai de Susannah, 7 anos. Uma das principais vozes do movimento slow (por uma vida mais tranquila), o filósofo foi criado no Canadá e hoje mora em Londres. Ele domina o português porque morou no Brasil em 1988 e 1990 para trabalhar com meninos em situação de risco.

ISTOÉ - Qual o problema de pais que, como o sr., tentam desde cedo lapidar a vocação infantil? Carl Honoré - Não há nada errado em encorajar o talento de um filho. Pelo contrário. É uma das principais responsabilidades dos pais identificar suas paixões e ajudá-los a desenvolvê-las. Mas existe uma grande diferença entre incentivar um talento e colocar a criança sob pressão, numa corrida obsessiva mirando o topo. A infância serve para descobrirmos quem somos e no que somos bons gradualmente, sem ninguém decidindo por nós. Deveria ser um tempo de experimentação em uma série de atividades diferentes. Focar logo cedo em algo leva ao perigo de se fechar para outras opções. Você limita os horizontes da criança no momento em que ela deveria estar aberta para um mundo de possibilidades. Uma criança não é um projeto que você pode modular. Ela é uma pessoa que precisa de permissão para ser protagonista de sua própria vida.

ISTOÉ - Mas a sociedade acredita que talento bom é talento precoce, certo?
Honoré - Talento precoce não é garantia de futuro brilhante. Crianças mudam conforme crescem, especialmente na adolescência. O menino que dribla espetacularmente os amigos, como o jogador Robinho fazia aos 6 anos, pode ser um atleta medíocre aos 13. Crianças precisam de espaço e liberdade para cometer erros, fazer más escolhas, ficar em segundo lugar no pódio. É assim que elas aprendem a trabalhar seus pontos fortes e descobrirão no que são boas. Claro que há casos de crianças prodígio que treinam com afinco seus talentos naturais e alcançam benefícios - na música, por exemplo. Mas é importante lembrar que é uma minoria. Nossa cultura exige perfeccionismo. Isso torna difícil para nós, pais, segurar expectativas e ajudar nossos filhos a desenvolver todo potencial que têm sem cair na fantasia de que eles podem ser os próximos Pelé, Paulo Coelho ou Caetano Veloso.
Fotos: Randy quan/divulgação; shutterstock
"Crianças mudam. O menino que dribla espetacularmente, como Robinho fazia aos 6 anos, pode ser um atleta medíocre aos 13"

ISTOÉ - Como a pressão, com atividades que em tese melhorariam o desempenho no futuro, pode ser prejudicial?
Honoré - É possível acabar para sempre com o desejo dela por algo de que goste. Acelerando o processo de aprendizado, frequentemente não se aprende tão bem. Uma professora de música de Londres me contou sobre uma menina que começou a estudar violino aos 3 anos. Ela saltou à frente de seus pares. Mas aos 6 a técnica dela era tão distorcida que precisou passar meses reaprendendo o básico. As outras crianças que ela tinha ultrapassado acabaram deixando-a para trás.

ISTOÉ - Quais são os problemas do mundo contemporâneo que já afligem as crianças?
Honoré - Estamos em um momento único da história da infância na qual somos pressionados a oferecer uma infância "perfeita" aos nossos filhos.

Uma série de tendências convergiu ao mesmo tempo para produzir uma cultura da perfeição. A globalização trouxe mais competição e incertezas sobre o mercado de trabalho, o que nos deixa mais ansiosos em preparar os filhos para a vida adulta. A cultura do consumo alcançou a apoteose nos últimos anos. O próximo passo é criar uma cultura de expectativas elevadas: dentes, cabelos, corpo, férias, casa, tudo deve ter perfeição. E crianças perfeitas fazem parte desse retrato. É uma cultura do tudo ou nada.

Ou você é uma celebridade ou você é um ninguém. É rico ou pobre. É feliz ou depressivo. Parece que perdemos todas as nuances entre os extremos. Não toleramos coisas medianas ou boas o suficiente.
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CONTINUAÇÃO


http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2082/criancas-precisam-de-liberdade-para-errar-o-filosofo-escoces-diz-153093-1.htm

Que tal um pouco de Aristóteles?

Aristóteles
O mundo da experiência, as quatro causas, ética e política
Antonio Carlos Olivieri*
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
Reprodução

Estátua de Aristóteles diante da Universidade de Freiburg, na Alemanha
Em 1996, descobriu-se em Atenas, Grécia, o sítio arqueológico onde funcionou o Liceu - a escola fundada por Aristóteles (384-322 a.C.), para concorrer com a Academia, a escola anterior, fundada por seu antigo professor, Platão (427-347 a.C.). A fundação do Liceu não reflete nenhuma ingratidão do discípulo com seu mestre, que por sinal já havia morrido cerca de dez anos quando a escola aristotélica surgiu (336 a.C.).

Aluno de Platão, a quem reconhecia o gênio, Aristóteles passou a discordar de uma idéia fundamental de sua filosofia e, então, o pensamento dos dois se distanciou. Talvez seja esse o ponto de partida para se falar da obra filosófica aristotélica.

Platão concebia a existência de dois mundos: aquele que é apreendido por nossos sentidos - por assim dizer, o mundo concreto -, que está em constante mutação; e um outro mundo - abstrato -, o mundo das idéias, imutável, independente do tempo e do espaço, que nos é acessível somente pelo intelecto.

O mundo da experiência
Para Aristóteles, existe um único mundo: este em que vivemos. Só nele encontramos bases sólidas para empreender investigações filosóficas. Aliás, é o nosso deslumbramento com este mundo que nos leva a filosofar, para conhecê-lo e entendê-lo.

Aristóteles sustenta que o que está além de nossa experiência não pode ser nada para nós. Nesse sentido, ele não acreditava e não via razões para acreditar no mundo das idéias ou das formas ideais platônicas.

Porém, conhecer o mundo da experiência, "concreto", foi um desejo ao qual Aristóteles se entregou apaixonadamente. Assim, ele descreveu os campos básicos da investigação da realidade e deu-lhes os nomes com que são conhecidos até os nossos dias: lógica, física, política, economia, psicologia, metafísica, meteorologia, retórica e ética.

Aliás, ele inventou também os termos técnicos dessas disciplinas e eles também se mantêm em uso desde então. Exemplos? Energia, dinâmica, indução, demonstração, substância, essência, propriedade, categoria, proposição, tópico, etc.

O que é ser?
Filósofo que sistematizou a lógica, Aristóteles definiu as formas de inferência que são válidas e as que não são, além de nomeá-las. Durante dois milênios, estudar lógica significou estudar a lógica aristotélica.

Aristóteles aplicou a lógica, antes de mais nada, para responder a uma questão que lhe parecia a mais importante de todas: o que é ser?, ou, em outras palavras, o que significa existir? Primeiramente, o filósofo constatou que as coisas não são a matéria de que se constituem.

Por exemplo, uma pilha de telhas, outra de tijolos, vigas e colunas de madeira não são uma casa. Para se tornarem casa, é necessário que estejam reunidas de um modo determinado, numa estrutura muito específica e detalhada. Essa estrutura é a casa; e os materiais, embora necessários, podem variar.

Com o tempo, nosso corpo está em constante mutação - transforma-se da infância para adolescência, desta para a idade adulta e, finalmente, para a velhice. Nem por isso deixamos de ser nós mesmos. Da mesma maneira, um cão é um cão em virtude de uma organização e estrutura que ele compartilha com outros cães e que o diferencia de outros animais que também são feitos de carne, pelos, ossos, sangue...

As quatro causas
Para Aristóteles uma coisa é o que é devido a sua forma. Como, porém, o filósofo entende essa expressão? Ele compreende a forma como a explicação da coisa, a causa de algo ser aquilo que é. Na verdade, Aristóteles distingue a existência de quatro causas diferentes e complementares:

# Causa material: de que a coisa é feita? No exemplo da casa, de tijolos.
# Causa eficiente: o que fez a coisa? A construção.
# Causa formal: o que lhe dá a forma? A própria casa.
# Causa final: o que lhe deu a forma? A intenção do construtor.

Embora Aristóteles não seja materialista (vimos que a forma não é a matéria), sua explicação do mundo é mundana, está no próprio mundo. Finalmente, para o filósofo, a essência de qualquer objeto é a sua função. Diz ele que, se o olho tivesse uma alma, esta seria o olhar; se um machado tivesse uma alma, esta seria o cortar. Entendendo isso, entendemos as coisas.

Mas o pensamento aristotélico não se limitou a essa área da filosofia que podemos chamar de teoria do conhecimento ou epistemologia. Deixando de lado os domínios que deram origem a outras ciências e nos limitando à filosofia propriamente dita, Aristóteles ainda refletiu sobre a ética, a política e a poética (que, no caso, compreende não apenas a poesia, mas a obra literária e teatral).

Ética e política
No campo da ética, segundo Aristóteles, todos nós queremos ser felizes no sentido mais pleno dessa palavra. Para obter a felicidade, devemos desenvolver e exercer nossas capacidades no interior do convívio social.

Aristóteles acredita que a auto-indulgência e a autoconfiança exageradas criam conflitos com os outros e prejudicam nosso caráter. Contudo, inibir esses sentimentos também seria prejudicial. Vem daí sua célebre doutrina do justo meio, pela qual a virtude é um ponto intermediário entre dois extremos, os quais, por sua vez, constituem vícios ou defeitos de caráter.

Por exemplo, a generosidade é uma virtude que se situa entre o esbanjamento e a mesquinharia. A coragem fica entre a imprudência e a covardia; o amor-próprio, entre a vaidade e a falta de auto-estima, o desprezo por si mesmo. Nesse sentido, a ética aristotélica é uma ética do comedimento, da moderação, do afastamento de todo e qualquer excesso.

Para Aristóteles, é a ética que conduz à política. Segundo o filósofo, governar é permitir aos cidadãos viver a vida plena e feliz eticamente alcançada. O Estado, portanto, deve tornar possível o desenvolvimento e a felicidade do indivíduo. Por fim, o indivíduo só pode ser feliz em sociedade, pois o homem é, mais do que um ser social, um animal político - ou seja, que precisa estabelecer relações com outros homens.

O papel da arte
A poética tem, para Aristóteles, um papel importantíssimo nisso, na medida em que é a arte - em especial a tragédia - que nos proporciona as grandes noções sobre a vida, por meio de uma experiência emocional. Identificamo-nos com os personagens da tragédia e isso nos proporciona a catarse, uma descarga de desordens emocionais que nos purifica, seja pela piedade ou pelo terror que o conflito vivido pelas personagens desperta em nós.

Tudo isso é, evidentemente, um resumo ultra-sintético do pensamento aristotélico. Sua obra é gigantesca, apesar de a maior parte dela ter se perdido ao longo dos tempos. O que chegou até nós corresponde a 1/5 de sua produção. São notas suas e de seus discípulos que passaram nas mãos de estudiosos da Antigüidade, da Idade Média (parte dos quais em países islâmicos), e que foram reorganizadas pela posteridade.

Principalmente em função disso, a leitura de Aristóteles é difícil e seus textos não possuem a qualidade artística que encontramos nas obras de Platão. Para conhecer os aspectos relacionados às ciências na obra aristotélica clique aqui.

Bibliografia


* "História da Filosofia", Julián Marías, Martins Fontes, 2004.
* "História da Filosofia", Bryan Magee, Edições Loyola, 2001.
* "Dicionário de Filosofia", Nicola Abbagnano, Martins Fontes, 2000.

*Antonio Carlos Olivieri é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação.


http://educacao.uol.com.br/filosofia/ult3323u40.jhtm

Proposta do UOL. Selinho tem significado sexual?

"Selinho" é inocente ou tem significado sexual?

No mês de setembro de 2009, foi preso em Fortaleza um turista italiano, por ter dado um beijo nos lábios da filha de 8 anos. Esse "caso de polícia" fez com que se discutisse a atitude cultural do "selinho" que, para muitas pessoas, tem forte conotação sexual, principalmente entre pais e filhos. Segundo a esposa brasileira, indignada com a prisão do marido, essa é apenas uma forma inocente que se usa na família deles para demonstrar afeto. De fato, até amigos trocam um "selinho", de vez em quando. A questão é: a moda do selinho é inocente? Ou ele sempre deve ser evitado, pois tem apelo sexual? O que você acha?



http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/

Neurociência

Vamos delimitar bem o texto, depois escolher uma tese possível e ...já sabe!

Leia no link que está mais bonito

http://educacao.uol.com.br/atualidades/neurociencia.jhtm


Neurociência
Desvendando os segredos do cérebro
José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Reprodução

Vista de um crânio (cerca de 1489) por Leonardo da Vinci
Dentre as ciências contemporâneas, talvez somente a biologia genética se compare à neurociência em termos de revolução no cotidiano do homem. Com pouco mais de 100 anos de pesquisas, a neurociência, que estuda o sistema nervoso e o cérebro, derrubou vários mitos sobre a mente humana. Mas ainda não tem respostas para mistérios como a consciência. (Direto ao ponto: Ficha-resumo)

Para levar ao grande público um pouco destas recentes descobertas, São Paulo recebe até dia 25 de outubro de 2009 a mostra Cérebro: O mundo dentro da sua cabeça, no Pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera.

Nada mais justo para aquele que, pesando em média um quilo e meio, é o mais complexo e nobre dos órgãos humanos. Graças ao cérebro, percebemos o mundo, nos movimentamos, lembramos das coisas, sentimos emoções e lemos este artigo.

Tudo isso é possível porque essa massa gelatinosa opera numa rede com mais de 100 bilhões de células, chamadas neurônios. Os neurônios, por sua vez, se comunicam entre si por meio das sinapses e de substâncias químicas - os neurotransmissores.

Ganhando neurônios
Até o final do século 20, acreditava-se que o cérebro adulto era um computador que não podia ser atualizado. Diferente de outros órgãos humanos - como a pele, que se renova constantemente -, supunha-se que o cérebro manteria as mesmas células desde o nascimento.

Hoje sabemos que não é bem assim. Ganhamos e perdemos neurônios ao longo de nossas vidas. E porque o cérebro possui a capacidade de gerar novos neurônios, ele pode autorreparar danos provocados por acidentes ou doenças.

Isso é importante para os cientistas desenvolverem tratamentos mais eficazes contra doenças degenerativas. Boa parte da medicina hoje atua como no filme Tempo de Despertar, em que pacientes com mal de Parkinson são tratamos com uma droga experimental, a L-Dopa.

O mal de Parkinson ataca os neurônios que produzem um tipo de neurotransmissor chamado dopamina, deixando os doentes com dificuldades para andar e falar. A L-Dopa alivia temporariamente os sintomas, mas não cura.

Pesquisas recentes caminham em duas direções: estimular a produção de neurônios na região afetada ou cultivar células-tronco in vitro, para serem reimplantadas no cérebro e substituírem neurônios danificados. O uso de implantes, chamados neuropóteses, também poderá, no futuro, beneficiar deficientes físicos.

Explicando a violência
Outro importante avanço da neurociência foi o mapeamento do cérebro em áreas específicas, responsáveis por diferentes funções. Já foram identificadas 47 áreas corticais onde se processam a memória, as emoções, os movimentos, a linguagem, a fome, o sono e o prazer, entre outras atividades.

O conhecimento destas regiões específicas contribui para explicar os hábitos consumistas, os vícios, o gosto por tipos diversos de músicas, a diferenças entre homens e mulheres, dificuldades de aprendizagem, a fé religiosa, o porquê esquecemos coisas no dia a dia etc.

Vejamos, por exemplo, o comportamento agressivo. Estudos recentes identificaram que homens que cometem assassinatos por impulso apresentam alterações fisiológicas no sistema límbico, onde nascem as emoções, e no córtex pré-frontal, a parte racional que controla essas emoções.

O comportamento violento seria, portanto, fruto da incapacidade neuronal de controlar impulsos, provocada por uma doença ou acidente na infância? Não, é apenas um fator de risco. Família e meio social são outros componentes que suscitam a violência.

O cérebro de Einstein
Quando Albert Einstein morreu em 1955, seu cérebro foi preservado para estudos. Os cientistas queriam saber se a mente de um dos maiores gênios da humanidade era diferente das pessoas comuns. Os resultados das análises revelaram pequenas diferenças na anatomia, em especial em áreas que respondem pelo raciocínio matemático.

A inteligência seria, deste modo, um fator genético? Em parte sim, herdamos certas habilidades do patrimônio genético de nossos antepassados. Mas os estímulos que recebemos na escola e em família contam bastante para desenvolver a inteligência.

Mesmo assim, ainda é cedo para dizer que as novas gerações, superestimuladas por informações nos meios de comunicação, internet e games, serão adultos mais espertos que nossos pais. Será preciso observar o tempo entre uma geração e outra, em média 20 anos, para se chegar a alguma conclusão.

O mito dos 10%É comum ouvirmos a história de usamos apenas 10% de nossas capacidades mentais. Muitos livros de autoajuda foram escritos com o objetivo de "despertar" os poderes ocultos da mente naquela parcela do córtex cerebral inativa.

Este mito tem origem, ao que parece, numa leitura equivocada do filósofo e psicólogo norteamericano William James (1842-1910), que afirmou que o raciocínio lógico tem emprego limitado em boa parte de situações da vida humana. O que ele queria dizer, na verdade, é que agimos muito por instinto.

As técnicas mais modernas de mapeamento cerebral comprovam que os instintos e as emoções desempenham papéis fundamentais, tanto quanto a razão, nas decisões que adotamos no cotidiano.

Inteligência é a capacidade que temos de usar informações para solucionar problemas práticos, que envolvem tanto a razão quanto os instintos e os sentimentos. Por isso o famoso teste de Q.I., baseado em decisões lógicas, é insuficiente para dizer se uma pessoa é mais ou menos inteligente.

Dois cérebros?
O córtex cerebral é dividido em dois hemisférios que desempenham funções distintas. O lado esquerdo é racional, concentra a linguagem e o pensamento lógico, enquanto o direito, especializado em reconhecimento espacial e visual, é intuitivo.

Daí surgiram técnicas que prometem ativar o lado mais criativo, relegado a segundo plano pelos ocidentais.

Ocorre que os hemisférios são unidos por um feixe de fibras chamado corpo caloso, que os mantém em constante interação. Por essa razão, em atividades diárias, ambos os lados estão em mútua atividade, como quando ouvimos uma música ao mesmo tempo em que lemos a letra.

Máquinas pensantes
Talvez o fato mais curioso é o de sermos o único animal que usa o cérebro para compreender o próprio cérebro, isto é, somos conscientes de nossa própria consciência. Não obstante todo conhecimento acumulado sobre a anatomia cerebral, ainda não se sabe como a mente consciente surge de processos neurológicos.

Uma metáfora recorrente compara o cérebro humano com o computador: a mente seria o programa (software) e o cérebro, a parte física (hardware). Mas é uma visão simplista, que não explica muita coisa e despreza o fato da consciência envolver muito mais que lidar com símbolos e linguagem.

A hipótese que evita esse dualismo diz que a consciência é uma propriedade emergente do cérebro. Quer dizer, é uma característica que surge da interação de todas as funções neuronais, mas que não se reduz a nenhuma delas especificamente.

Isso abre o debate para questões como a da inteligência artificial: máquinas mais complexas poderão, um dia, tornarem-se conscientes?

Direto ao ponto volta ao topo
Neurociência é o estudo do sistema nervoso e do cérebro. Em pouco mais de 100 anos, acumulou conhecimentos que vem auxiliando no tratamento de doenças e no entendimento de comportamentos humanos, como hábitos de consumo e violência.

Mitos derrubados pela neurociência
• O cérebro adulto é incapaz de produzir novos neurônios.
• Inteligência é somente questão de genética ou cultura.
• O teste de Q.I. mede a inteligência.
• Usamos apenas 10% de nosso cérebro.
• O lado esquerdo do cérebro domina o homem.
• A consciência é o software do cérebro.

Pesquisas sobre o cérebro também têm reflexos na medicina. No futuro, o reimplante de células-troco e o uso de neuropróteses poderão beneficiar pessoas que sofrem de doenças degenerativas e deficientes físicos.

Saiba mais

* Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor (Sextante): livro recém-lançado da neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel, que apresentou a série "NeuroLÓGICA", exibida no Fantástico.
* Tempo de Despertar (1990): filme baseado na história do neurologista britânico Oliver Sacks, interpretado por Robin Williams, que fez tratamento experimental em pacientes com mal de Parkinson - um deles interpretado pelo ator Robert De Niro.
* Cérebro: O Mundo Dentro da sua Cabeça: mostra no Porão das Artes (Pavilhão da Bienal, Parque do Ibirapuera) de segunda a domingo, das 9h às 21h, até 25 de outubro de 2009. Os ingressos custam R$ 40.

* José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.

Woodstock. Para a Flora

Festival de Woodstock

olha aqui que é mais bonito

http://educacao.uol.com.br/atualidades/festival-woodstock.jhtm

Conhecido com o mais importante evento de música pop da história, a Feira de Música & Arte Woodstock foi também o ápice do movimento de contracultura que se espalhou pelo mundo, e cujos ideais permanecem vivos na internet. (Direto ao ponto: Ficha-resumo)

Entre 15 e 18 de agosto de 1969, estimados meio milhão de pessoas se reuniram numa pequena fazenda no interior de Nova York para assistir a shows de alguns dos principais artistas da época.

Ninguém esperava tantas pessoas. Foram vendidos apenas 186 mil ingressos, mas o evento acabou sendo gratuito. As estradas ficaram congestionadas e não havia infraestrutura para acomodar as pessoas. Mesmo com todos esses problemas, foram registradas apenas duas mortes: uma por overdose e outra por atropelamento.

Embalados pela música folk, blues e rock, jovens tomavam banhos nus na chuva, brincavam na lama, meditavam, usavam drogas - LSD e maconha, principalmente - e faziam sexo em barracas. O clima libertário do evento virou símbolo da cultura hippie e da geração "Paz e Amor".

Guerra do Vietnã
Para entender a cabeça da juventude daquele tempo, é preciso examinar o contexto histórico, político e cultural da década de 1960, que começou com a chegada ao poder do democrata John F. Kennedy (1917-1963) nos Estados Unidos.

Era o auge da Guerra Fria e da corrida armamentista que opunham os dois maiores blocos militares e econômicos da época, os Estados Unidos e a antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).

Em solo americano, ganhavam força os movimentos pelos direitos civis dos negros, que não podiam frequentar os mesmos bares, clubes, escolas e ônibus que os brancos, tendo à frente líderes como Martin Luther King (1929-1968).

Na política externa, o envolvimento do país na guerra do Vietnã (1959-1975), a partir de 1965, foi o principal fator político que desencadeou o movimento hippie.

Contribuiu para isso o fato da guerra ter sido a primeira a ter cobertura na TV, então substituta do rádio como principal veículo de comunicação de massa nos lares americanos. As imagens de americanos feridos e de crianças queimadas com napalm (espécie de gel inflamável a base de gasolina) mobilizaram a opinião pública contra os conflitos na Ásia.

Contrários à guerra, os hippies usavam cabelos compridos, roupas coloridas e praticavam o protesto pacífico de Mahatma Gandhi (1869-1948). As manifestações, que caracterizaram o movimento como flower power (poder da flor), tomaram conta de diversas universidades e, pela primeira vez, jovens americanos se recusaram a se alistar no Exército.

O ponto alto da revolta estudantil ocorreu em maio de 1968 , quando uma greve geral na França inspirou protestos na Europa e nas Américas.

No Brasil, vivia-se a antevéspera do período mais truculento da ditadura militar (1964-1985) com o decreto do AI-5, mas isso não impediu a influência dos hippies, sobretudo no Tropicalismo, movimento cultural que teve como expoentes Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Os Mutantes, entre outros.

Esse ambiente político também produziu uma das imagens mais marcantes do Festival de Woodstock: o guitarrista Jimi Hendrix tocando o hino nacional norteamericano The Star-Spangled Banner ("A Bandeira Estrelada"), com notas distorcidas e pontuadas por sons que simulavam a queda de bombas.

Sexo, drogas & rock'n'roll
Mas a revolução que acontecia em meio à tradicional família americana não era menor do que a que tomava conta das ruas do país. Era inaceitável, para a sociedade puritana da época, o sexo antes do casamento, tampouco a ideia de "morar junto".

Nas universidades, o controle também era rígido, com "toques de recolher" e vigilância em prédios separados para estudantes do sexo feminino e masculino (situação bem retratada no último romance de Philip Rorty, Indignação, recém-lançado no Brasil).

O início da comercialização da pílula anticoncepcional e os movimentos feminista e homossexual nos anos de 1960 foram importantes elementos da revolução sexual promovida pela cultura hippie.

Outro componente da mudança nos costumes foi experimentação de drogas. Ken Goffman e Dan Joy, no livro Contracultura Através dos Tempos (indicado abaixo), consideram que o estopim aconteceu quando o guru do LSD Timothy Leary (1920 -1996) e um colega foram expulsos da Universidade de Harvard, onde lecionavam, por conta de pesquisas com drogas psicoativas, em 1962.

A partir de então, drogas psicodélicas passaram a ser associadas à rebeldia e libertação das "amarras mentais de uma sociedade decadente". Sabia-se, então, muito pouco sobre os efeitos nocivos das drogas. A própria CIA, o serviço secreto americano, chegou a fazer experimentos para possível utilização em interrogatórios de presos.

O uso de substâncias químicas com fins de "expansão da consciência" não era bem uma novidade. Desde o século 19, escritores como Thomas De Quincey (1785-1859) e Charles Baudelaire (1821-1867) já escreviam sobre o consumo de entorpecentes como o ópio. Antes dos hippies, escritores beatniks como William Burroughs (1914-1997) e Allen Ginsberg (1926-1997), além de músicos de jazz, também compunham e escreviam sob efeito de alucinógenos.

Mas nada se compara com a abertura de uma demanda nos Estados Unidos, a partir da década de 1960, que abriu a rota da maconha, e da cocaína depois, vindas da América Latina, via fronteira mexicana. Como resposta, o governo deu início a uma política repressiva, com poucos resultados efetivos até hoje para conter o tráfico.

No ano seguinte a Woodstock, duas das maiores estrelas do festival, Janis Joplin e Jimi Hendrix, além do líder da banda The Doors, Jim Morrison (que não participou do evento), morreram de overdose ou em decorrência de abuso de drogas ilícitas. Todos os três tinham apenas 27 anos de idade.

Legado na internet
Cultura pacifista, ideais comunitários e socialistas, amor livre e liberação pelas drogas faziam parte da cartilha da contracultura. O massacre cometido pela Família Manson, ocorrido uma semana antes de Woodstock, era sinal de que os tempos estavam mudando.

O fim da Guerra do Vietnã, a politização dos movimentos pelos direitos civis, o controle do tráfico de drogas pelo crime organizado, o surgimento da Aids e a desilusão com as utopias levaram juntos os referenciais da cultura hippie.

Nos anos de 1990, foram realizadas outras duas edições do Festival de Woodstock. Tumultos e brigas, que contrastaram com o original, revelaram que se tratava apenas de um espectro agourento dos shows de "Paz e Amor".

Mas isso não significa que a juventude atual perdeu o interesse pela política ou pelos protestos sociais. Na sociedade globalizada, assuntos como ecologia e distribuição de renda mobilizam estudantes em todo o mundo. E qual é o maior legado da cultura hippie de Woodstock?

Segundo o professor Fred Turner, no livro From Counterculture to Cyberculture ("Da Contracultura à Cibercultura"), o ideal continua vivo, muito mais próximo que imaginamos - na internet.

A rede mundial de computadores foi desenvolvida durante os anos 1960 com investimentos militares e esforços de acadêmicos que respiravam a atmosfera da contracultura. Por isso, comunidades virtuais, como o Orkut, e a cultura do compartilhamento livre de arquivos de sites como o Pirate Bay seriam heranças dos hippies.

De certa forma, os ideais que embalaram os jovens em três dias de música, amor e paz em Woodstock continuam fazendo parte da juventude. Mesmo que seja dentro de uma floresta de bits.

Direto ao ponto volta ao topo
O Festival de Woodstock comemorou neste mês de agosto 40 anos. Durante três dias – de 15 a 18 de agosto de 1969 – quase meio milhão de jovens assistiram a shows dos principais artistas da época numa pequena propriedade rural no estado de Nova York.

O festival era um evento comercial, mas o número de pessoas era tanto que os organizadores não tiveram outra saída a não ser liberar a entrada de todo mundo.

O clima pacífico de comemoração e a liberdade marcaram o ápice do movimento de contracultura dos anos de 1960. Entre as principais características que marcaram o movimento hippie da época, estavam:

• Os protestos pacíficos contra a Guerra do Vietnã
• A revolução sexual
• O uso de drogas psicodélicas

O desenvolvimento dos meios de comunicação também foi decisivo para espalhar os ideais por todo o mundo, culminando nos protestos do Maio de 68. No Brasil, em plena ditadura militar, eles foram encarnados pelo Tropicalismo.

O fim das utopias políticas, o surgimento da Aids e os crimes violentos associados às drogas levaram junto as referências da contracultura. Mas a cultura hippie continua viva nos ideais comunitários e nos hábitos de compartilhamento livre na internet.

Saiba mais

* Contracultura através dos tempos: do mito de Prometeu à cultura digital (Ediouro): livro de Ken Goffman e Dan Joy, um dos mais completos estudos sobre a origem dos movimentos culturais.
* Woodstock, 3 days of peace & music (1970): documentário sobre o festival, dirigido por Michael Wadleigh.
* Aconteceu em Woodstock (2009): novo filme do cineasta Ang Lee sobre os bastidores do cultuado festival na visão de um jovem que quer arrendar a fazenda dos pais para realização do evento. Ainda sem data para estreia no Brasil, mas o trailer pode ser conferido aqui: Taking Woodstock
* Anos incríveis (1988-1993): série de televisão que conta a história da família de Kevin Arnold em meio à ebulição dos anos 1960. Exibida no Brasil pela TV Cultura.

O que fazer com o lixo eletrônico. Proposta.

Leia os textos, anote os dados mais significativos e escreva.


Junto com a legislação ambiental — mais rigorosa e fiscalização mais atuante —, cabe ao cidadão fazer a parte que lhe cabe, muito mais por questões de consciência, que propriamente repressivas.

Saiba o que fazer na hora de descartar seu eletrônico usado. Consumidor pode doar, vender ou devolver o produto para fabricantes.
Lixão de eletrônicos Buenos Aires-Foto Reuters

Lixão de eletrônicos Buenos Aires-Foto Reuters

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Por Juliana Carpanez - Do G1, em São Paulo

O filme “Wall.E“, que estréia nesta sexta-feira (27), dá um alerta para a quantidade de lixo produzida por uma sociedade extremamente consumista— a função do simpático robô é compactar esses itens descartados e organizá-los em pilhas. Um dos fatores que pode contribuir para o aumento da quantidade de lixo é o consumo de equipamentos eletrônicos, que são substituídos de forma rápida por modelos mais atuais: agora o iPhone tem de ser 3G, o PC precisa de tela sensível ao toque, o aparelho de DVD deve rodar Blu-Ray, e por aí vai.

Para evitar que o agravamento do problema do lixo, os consumidores de eletrônicos devem dar um destino adequado a seus aparelhos obsoletos. Basicamente, quando ainda estão funcionando eles podem ser doados ou vendidos (saiba como fazer). E, no caso de não funcionarem mais, também é possível devolvê-los a alguns fabricantes para que eles façam a reciclagem adequada (saiba quais empresas de tecnologia fazem esse tipo de coleta).

Retorno
No Brasil, o produto mais fácil de ser devolvido é o telefone celular: além das fabricantes, muitas operadoras recolhem os aparelhos. De acordo com a Nokia, 80% dos itens de um aparelho celular podem ser reciclados. Em seu site, a empresa explica para onde vão esses produtos reaproveitados: baterias, aço inoxidável, auto-falantes (os produtos das baterias), jóias, eletrônicos, aplicações médicas (os componentes), cones de plástico, cercas plásticas e pára-choques (as capas dos aparelhos).


Ao contrário do que acontece com os telefones, não é tão fácil devolver tocadores digitais ou computadores. A Apple, responsável pelo popular iPod, não tem qualquer iniciativa nesse sentido no país. E, entre os três fabricantes de computadores que mais vendem por aqui, apenas a Dell apóia um programa de coleta.

Para Gleverton De Munno, gerente sênior de assuntos corporativos da Dell Brasil, a prática de reciclagem de celulares é mais comum por conta da grande quantidade de telefones vendidos no país. E, apesar de a prática ainda não ser popular entre as fabricantes de PC, o executivo diz que a preocupação ambiental pode ser decisiva no processo de venda. “O consumidor doméstico ainda prioriza o preço. Mas se houver empate entre valor e qualidade de uma máquina, a vitória fica com a empresa verde”, acredita.

A ONG Greenpeace criou em 2006 um ranking dos fabricantes de eletrônicos que considera, entre outros itens, a atuação das empresas quando os consumidores não querem mais seus produtos. Para ter uma boa nota nessa classificação, que teve sua última edição divulgada nesta quarta-feira (25), a companhia precisa recolher e reciclar seus próprios eletrônicos, quando eles se tornam obsoletos. Veja quais são as empresas de tecnologia mais verdes, segundo o Greenpeace.

DOE OU VENDA
Mesmo que as funções de seu telefone celular sejam limitadas, é possível que ele atenda perfeitamente às necessidades de algum amigo, parente, colega de trabalho ou até mesmo desconhecido (no caso da venda). Segundo especialistas envolvidos com questões ambientais, uma saída para reduzir o problema do lixo eletrônico é prolongar ao máximo a vida útil dos aparelhos, passando-os para frente. Se eles estiverem funcionando, certamente alguém poderá usá-los.

No caso das doações, você pode ter de fazer uma pesquisa para descobrir quem gostaria de receber o produto que você não quer mais. Vale boca a boca (no caso de repassar um tocador digital, por exemplo) e também buscas na internet (se você quiser doar itens mais robustos, como um computador ou impressora).

Se a idéia for vender, uma boa opção é anunciar em sites de comércio eletrônico como o Mercado Livre. Ao negociar, tome os devidos cuidados, seguindo sempre as dicas de segurança anunciadas nessas páginas.

DEVOLVA
Muitos fabricantes de eletrônicos ou operadoras de telefonia móvel recolhem os eletrônicos já usados, quando os consumidores não os querem mais— o fato de a empresa pensar nisso pode ser, inclusive, um diferencial na hora de escolher as marcas.

Claro
A empresa recolhe em 140 lojas telefones celulares, baterias e acessórios de qualquer fabricante. Até o segundo semestre, diz a companhia, todos os pontos de venda no país terão uma urna coletora, incluindo mais de 3,3 mil de seus agentes autorizados. Segundo a Claro, todo o fluxo de reciclagem realizado pela GM&C é monitorado, desde o recolhimento dos eletrônicos até a destinação final.

Dell
Entre os três principais fabricantes de computador no país, essa é a única que apóia uma política de coleta de computadores usados. “Temos a estratégia global de nos tornarmos a empresa de tecnologia mais verde do mundo, e o programa de reciclagem faz parte dessa meta”, explica Gleverton De Munno, gerente sênior de assuntos corporativos. Economia no consumo de eletricidade e diminuição na emissão de carbono também estão entre as iniciativas.

Por enquanto, os clientes da Dell que querem doar computadores (dessa ou de qualquer outra marca) são direcionados à Fundação Pensamento Digital, que tem a fabricante como parceira. A partir do segundo semestre, afirmou De Munno ao G1, a empresa disponibilizará um sistema de coleta que vai até a casa do consumidor para retirar a máquina usada.

HP
Disponibiliza campanhas sazonais chamadas Trade-in (veja disponibilidade aqui), realizadas em grandes lojas de varejo. Com ela, equipamentos usados de qualquer marca ou modelo podem ser revertidos em descontos na compra de impressoras, multifuncionais e scanners da HP. O abatimento no preço chega a R$ 300.

A empresa também tem uma política de recolhimento de cartuchos para clientes corporativos. Quando reciclados, diz a HP, eles podem ser utilizados na produção de peças automotivas, bandejas para microprocessadores e telhas de cobertura.

Motorola
Os clientes dessa empresa podem devolver seus aparelhos e baterias em assistências técnicas autorizadas. Entre os motivos para a reciclagem divulgados pela empresa estão: evita a extração de metais e elementos químicos, somente nos Estados Unidos cerca de 100 milhões de celulares entram em desuso anualmente e a cada segundo cerca de 23 celulares são fabricados ao redor do mundo.

Nokia
Os usuários de telefones dessa fabricante podem entregar seus telefones, baterias e acessórios para as assistências técnicas listadas aqui. Na seção de reciclagem de seu site, a empresa afirma que 80% de um telefone celular pode ser reciclado.

Sony Ericsson
Empresa de tecnologia mais verde, segundo o ranking do Greenpeace, a Sony Ericsson recolhe telefones celulares em grandes magazines ou assistências técnicas autorizadas. Para saber quais os endereços, o consumidor pode solicitar essa informação on-line ou ligar para (011) 4001-0444.

TIM
Em todo o país, as lojas e revendas exclusivas da operadora recolhem aparelhos celulares, baterias e acessórios, que recebem destinação “de acordo com as normas ambientais”. Alguns Estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná) têm também o programa Papa-Pilhas, que deve ser expandido para o resto do Brasil até o final do ano. Desenvolvido em parceria com o Banco Real, ele é mais abrangente: aceita também pilhas, telefones sem fio e laptops, além dos outros itens já citados.

Vivo

A operadora tem 3,4 mil pontos de venda e revenda que aceitam celulares, acessórios e baterias. Os itens recolhidos são encaminhados para um descarte apropriado e, segundo a empresa, o recurso obtido com esses eletrônicos vai para o Instituto Vivo. A Belmont Trading, empresa responsável pela coleta, triagem e descarte, afirma que 80% dos aparelhos são reciclados e 20% são revendidos em outros países.

http://www.leieordem.com.br/meio-ambiente-o-que-fazer-com-o-lixo-eletronico.html

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E-lixo
Coleta e descarte da sucata eletrônica
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
Flávio Florido/UOL

Componentes eletrônicos rapidamente se transformam em sucata, indo parar em lixões e ferros-velhos
Entre os problemas ambientais enfrentados pelo Brasil na atualidade, o lixo certamente merece destaque. Segundo o IBGE, os brasileiros produzem diariamente cerca de 228 mil toneladas de lixo, das quais a maior parte não vai passar por um processo adequado de recolhimento e destinação. Para fazer uma idéia, basta saber que somente 2% desse total são submetidos à coleta seletiva que possibilita a reciclagem e, eventualmente, o descarte correto.

Dada as necessidades de processamento adequado, que não resulte em poluição, já existem classificações do lixo de acordo com a sua origem (domiciliar, industrial, hospitalar, etc.) e sua composição (orgânico e inorgânico). Abordagens mais recentes do problema têm apontado outra categoria especial de lixo, devido a sua especificidade: o lixo eletrônico ou e-lixo. Trata-se essencialmente da sucata que resulta de aparelhos eletrônicos como microcomputadores, televisões, CDs, DVDs, telefones celulares, pilhas e baterias, materiais com alta concentração de metais pesados.

São máquinas que, com seu custo barateado pela Terceira Revolução Industrial, tornam-se cada vez mais descartáveis, provocando danos ao meio ambiente e à saúde de animais e seres humanos. Segundo o Greenpeace, são produzidos anualmente no mundo mais de 50 milhões de toneladas desse tipo de lixo, que já correspondem a 5% do total de detritos produzido pela humanidade.

Celulares e computadores
No Brasil, por exemplo, há atualmente em uso mais de 130,5 milhões de telefones celulares. Estima-se que os aparelhos sejam usados, em média, durante dois anos, para em seguida serem trocados por outros e sucateados. Da mesma maneira, os computadores em residências, empresas e instituições já são 50 milhões, cifra que provavelmente vai dobrar em quatro anos. Os PCs têm uma vida útil média de cinco anos. Posteriormente se transformam em lixo.

Uma vez inutilizados ou quase, computadores, televisores, rádios, CDs, DVDs, lâmpadas fluorescentes, celulares, pilhas, baterias e outros produtos que compõem o lixo eletrônico vão parar nos lixões ou aterros sanitários comuns, onde não recebem tratamento apropriado.

Desse modo, liberam substâncias como arsênio, cádmio, chumbo e mercúrio, que se infiltram no solo, atingem mananciais e acabam entrando na cadeia alimentar. Tornam-se, assim, responsáveis por vários tipos de câncer e outros graves problemas de saúde.

Pilhas e baterias
Ainda não existe no Brasil uma legislação específica que regulamente de modo eficaz o descarte dos produtos eletrônicos. Uma exceção é o caso das pilhas e baterias, sobre os quais existe a Resolução no 257 do Conama - Conselho Nacional do Meio Ambiente que estabelece regras sobre o uso de substâncias tóxicas na fabricação desses materiais.

No entanto, do 1,2 bilhão de pilhas consumidas anualmente no país, cerca de 40% são provenientes de falsificação e pirataria, às quais as regras não se aplicam. Além disso, apesar de a Resolução no 257 também obrigar os fabricantes desses produtos a se responsabilizarem por sua coleta e destino, seja reciclagem ou destruição, não existe fiscalização suficiente, nem grande quantidade de locais de coleta adequada, nem ampla divulgação de sua existência.

É preciso lembrar, também, que os próprios consumidores não estão suficientemente esclarecidos sobre o problema, a ponto de tomarem as providências necessárias para lidar corretamente com ele.

Mutirões e ações individuais
No final de outubro de 2008, a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo promoveu um Mutirão do Lixo Eletrônico, realizando a coleta de celulares, pilhas e baterias em todo o Estado e divulgando o problema, de modo a conscientizar a população paulista. O esforço de divulgação e esclarecimento é muito importante, uma vez que o combate à destinação incorreta do e-lixo depende também da ação individual de todo consumidor.

Nesse sentido, a Secretaria apresenta algumas dicas e sugestões de procedimento que merecem ser conhecidas:

# antes de descartar um celular, computador ou algum outro equipamento eletrônico, considere a possibilidade de doá-lo a alguém que precise ou a alguma instituição que possa reaproveitá-lo;
# no momento da aquisição, prefira máquinas com várias funções, pois um aparelho pode substituir dois ou três;
# Não compre produtos de origem duvidosa, sem garantia e responsabilidade sócio-ambiental;
# procure saber se o fabricante do eletrônico possui certificação da série ISO 14.000;
# não misture pilhas novas com pilhas velhas;
# não guarde as pilhas usadas dentro de casa, leve-as para um posto de coleta;
# quando não souber o que fazer do seu "e-lixo", ligue na assistência técnica autorizada do fabricante e peça para indicarem o destino adequado.

Naturalmente, tratam-se de pequenos passos. A solução do problema exige muito mais, como a criação de leis, de parcerias entre governos e comércio varejista, de contratos com as empresas de coleta de lixo que incluam a necessidade de separar e descartar adequadamente o lixo eletrônico.
http://educacao.uol.com.br/atualidades/e-lixo-eletronico.jhtm

sábado, 3 de outubro de 2009

Clarice Lispector. Dissertação .

Tema de Vestibular recente


“Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim
de minha própria força — eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa e uma coisa.”
Clarice Lispector. A descoberta do mundo. Rio de janeiro: Rocco, 1999.
Desenvolva uma dissertação em prosa sobre o tema:
“Pertencer: sinal de força ou de fraqueza?”.
Conforme indicado nas folhas de rascunho e de redação, utilize “Pertencer” como título de sua dissertação.
Clarice Lispector

Redação Desafio.

Leia o fato. Extraia dele uma tese e faça sua redação. Aliás, comece com o fato, o resto é com você.


A história verdadeira de um adolescente autodidata do Malauí que transformou a vida de sua família e de sua comunidade ao construir, com lixo, um moinho de vento para gerar eletricidade é tema de um livro que acaba de chegar às lojas nos Estados Unidos.

O menino William Kamkwamba, que ganhou uma bolsa de estudos e hoje frequenta a faculdade em Johanesburgo, na África do Sul, tornou-se um símbolo para ambientalistas como Al Gore e líderes empresariais em todo o mundo.

Uma foto sorridente do jovem, hoje com 22 anos de idade, foi capa da publicação americana Wall Street Journal.

E para muitos, não será surpresa se o livro The Boy Who Harnessed the Wind (O Menino Que Arreou o Vento, em tradução livre), do jornalista novaiorquino Bryan Mealer, acabar transposto para as telas de cinema.

Talento e Raça

As conquistas de Kamkwamba são ainda mais impressionantes se considerarmos que ele foi obrigado a abandonar a escola aos 14 anos porque sua família não podia pagar as anuidades de US$ 80.

Quando retornou à modesta propriedade da família no vilarejo de Masitala, no interior do Malauí, seu futuro parecia limitado.



Vá lendo


http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/2009/10/091001_meninoprodigio_malaui_mv.shtml

Mercedes Sosa OUça

http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowAudios.action?produto=Estad%C3%A3o

Filosofia Clínica Surdos de si mesmo Lúcio Packter

Leia e depois de extrair uma tese possível faça seu texto.


Após uma palestra em Boa Vista, enquanto autografava alguns livros, uma senhora se aproximou e disse que compreendia agora porque achou que era uma boa ouvinte de si mesma e se assustava quando o que surgia em sua vida mostrava que ela era, na verdade, surda de si mesma nas questões essenciais.

Durante a palestra, eu havia exposto que algumas pessoas acham que se ouvem porque pensam em suas questões e prestam atenção ao que pensam, enquanto, às vezes, as emoções permanecem na orla sem que a pessoa as considere. Com o tempo, o que era apenas uma tristeza torna-se, em diversos casos, uma tristeza intensa que se espraia em direção a campos como relacionamentos, trabalho, religiosidade. Um dia, a pessoa levanta, a primavera toda lá fora, e ela se pergunta por que se sente triste, sem vontade de trabalhar, de namorar, de sair com os amigos. Logo ela, uma pessoa que tanto se ouve, não sabe como algo assim pode estar acontecendo.

Mas, o que ouvir exatamente em si mesmo? Entre tantos pensamentos, fatos, sentimentos, buscas, entendimentos, entre tantos elementos, quais são importantes o suficiente a ponto de merecer uma atenção em especial? Além disso, qual o mérito de determinadas audições existenciais? Devemos ouvir o que grita em nós, o que nos pede, o que nos procura, o que nos adverte? Édipo, como uma ilustração, adolescente, deu atenção à profecia do oráculo e deu fé àquilo. Tanto é que acreditou ser filho de Políbio e escapou de Corinto para provocar um desencontro com o destino.

Vá aqui

http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/39/artigo152601-1.asp

Especial Euclides da Cunha. Estadão. Não deixe de ver.

http://www.estadao.com.br/pages/especiais/euclides/

O falso necessário por Umberto Eco

Leia a ache a ideia núcleo. Desenvolva-a, não ultrapassando um parágrafo.


O falso necessário
por Umberto Eco

Templo de Paestum, construído em homenagem a Netuno
Leio nos jornais e na internet que em Albanella, a 20 km do templo de Paestum e a 60 km do templo de Velia, vai ser construído, com despesa de 1 bilhão e 500 mil euros, um parque arqueológico chamado Megale Hellas (que afinal significa Magna Grécia) com um templo falso, mas íntegro, todo em concreto revestido de travertino. Quem polemiza com a iniciativa diz que a poucos quilômetros dali há um templo verdadeiro do século IV-V a.C. dedicado a Demétria, e que ninguém pensa em trazê-lo à luz. Quem apóia a iniciativa pensa, ao contrário, em um fluxo turístico maior do que aquele que os templos verdadeiros – para dizer a verdade todos um tanto desbeiçados – permitem, e há de ter em mente a Veneza reconstruída em Las Vegas e talvez até as diversas Disneylândias: todas iniciativas das quais podemos dizer o que quisermos, menos que não atraiam pessoas (e dinheiro).

Continue ( são duas páginas)

http://www2.uol.com.br/entrelivros/artigos/o_falso_necessario.html

Aristóteles no planalto

Leia e escreva redação que busque responder à questão do título.


O que pensaria o célebre filósofo grego da Antigüidade diante do sistema político do Brasil contemporâneo? Reconheceria nele as idéias igualitárias da democracia ateniense?





Não sei se foi por antiga magia ou tecnologia secreta que Aristóteles veio a dar em Brasília. Queria conhecer nossa Constituição, dizendo ser hábito seu empedernido. Encontrei-o por azar; expliquei lhe o básico, alguma bibliografia. E recolhi alguns de seus comentários.

Para ele o nosso sistema político não poderia ser chamado de “democracia” e, de fato, não o é, tecnicamente falando. A palavra designa somente regimes nos quais o povo detém o poder soberano; exercendo-o diretamente em assembléia, sem que tal poder conheça qualquer limite ou contrapeso institucional. Significa literalmente o “poder popular” e sua realização pressupõe a maior igualdade possível de todos perante a lei (isonomia) e quanto ao direito de participar da decisões públicas mediante a fala (isegoria). Tal igualdade fundamental torna impossível a representação política já que esta pressupõe a separação prática e formal entre representantes e representados, entre dirigentes e dirigidos. Assim, qualquer processo de escolha de magistrados, como votação ou concurso de provas e títulos, não é democrática pois toma os indivíduos pelas suas diferenças, ranqueando-os em melhores e piores. Por isso mesmo, a eleição popular de um presidente ou deputado; a de um juiz concursado, configurar-se-iam aristocráticas (de aristói – os melhores). O único método realmente democrático de seleção, quando não se pode decidir diretamente em assembléia, é o sorteio. Só aí não há discriminação de mérito, preservando-se a igualdade.

Continue e vire a página( são duas)


http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/aristoteles_no_planalto.html

O tráfico de seres humanos, hoje. Faça paráfrase.

Migrar e trabalhar. Quando esses verbos se conjugam da pior forma possível, acontece, ainda hoje, o chamado tráfico de seres humanos. Um relatório da Organização Internacional do Trabalho, publicado em 2005, estima em cerca de 2,5 milhões o número de pessoas traficadas em todo o mundo, 43% para exploração sexual, 32% para exploração econômica e 25% para os dois ao mesmo tempo. No caso do tráfico para exploração econômica, a negociação de trabalhadores rende por ano cerca de US$ 32 bilhões no mundo.

O tráfico de pessoas para exploração econômica e sexual está relacionado ao modelo de desenvolvimento que o mundo adota. Esse modelo é baseado em um entendimento de competitividade que pressiona por uma redução constante nos custos do trabalho. Empregadores “flexibilizam” as leis e relações trabalhistas para lucrar e, ao mesmo tempo, atender aos consumidores, que exigem produtos mais e mais baratos. No passado, os escravos eram capturados por grupos inimigos e vendidos como mercadoria. Hoje, a pobreza que torna populações socialmente vulneráveis garante oferta de mão-de-obra para o tráfico – ao passo que a demanda por essa força de trabalho sustenta o comércio de pessoas. Esse ciclo atrai intermediários, como os “gatos” (contratadores que aliciam pessoas para ser exploradas em fazendas e carvoarias); os “coyotes” (especializados em transportar pessoas pela fronteira entre o México e os Estados Unidos) e outros “animais”, que lucram sobre os que buscam uma vida mais digna.



Leia mais


http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/o_trafico_de_seres_humanos_hoje.html

Renato Janine Ribeiro, a Verdade em Hobbes

Anote as ideias centrais e faça uma paráfrase de Janine.


Ética
O que é a verdade?
A ideia tradicional de verdade, combatida por Hobbes, passava pela adequação entre o conhecimento e o ser. Para o filósofo inglês, tal visão era inconsistente. E vai além: só Geometria e Política podiam ter a pretensão de verdade, por serem criações do homem

Por Renato Janine Ribeiro



http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/39/etica-a-grande-questao-discutida-pela-filosofia-o-conceito-152459-1.asp

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Precioso. Pensamentos, palestras.

Este link é maravilhoso.


http://video.google.com/videoplay?docid=4754530610793896406#

Brecht. Ideia para ser desenvolvida.

Desenvolva um texto


"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.".

Bertold Becht

Que é do sofrimento. Exercício de Interpretação. Faça!

Leia , retire a ideia central.


Um parágrafo só.

Porque esquecemos os mortos? Porque já não têm préstimo.
Esquecemos, repudiamos uma pessoa triste ou doente, em virtude da sua inutilidade psíquica ou física.
Ninguém se abandonará a ti, se não vir nisso algum proveito.
E tu? Creio ter-me abandonado uma vez, desinteressadamente. Não devo, portanto, chorar por ter perdido o objecto daquele abandono. Já não seria desinteressado, nesse caso.
No entanto, vendo quanto se sofre, o sacrifício é antinatural. Ou superior às minhas forças. E chorar é ceder ao mundo, é reconhecer que se procurava algum proveito.
Há alguém que renuncie, podendo ter? A caridade não é outra coisa que o ideal da impotência.
Basta de virtuosa indignação! Se tivesse tido dentes e habilidade, teria apanhado a presa.

Mas isto não impede que a cruz do desiludido, do falido, do sacrificado - eu - seja atroz de suportar. Afinal de contas, o mais famoso dos crucificados era Deus: nem desiludido, nem falido, nem vencido. No entanto, apesar de todo o seu poder, gritou "Eli!", mas depois dominou-se e triunfou, e já o sabia de antemão. A esse preço, quem não queria ser crucificado?
Há tantos que morreram desesperados. E esses sofreram mais do que Cristo.
Mas a grande, a tremenda verdade é esta: sofrer, para nada serve.

Cesare Pavese, in "O Ofício de Viver"

O medo. Coletânea


( esta é rosali, que anda na rua com medo!)


Quando se tem medo, ninguém pede por mais liberdade e independência, mas por mais segurança e protecção.
Autor: Lomba , Pedro
Fonte Diário de Notícias
Enviada em: 20081211
O medo é uma emoção altamente manipulável pelo poder, como bem sabem todos os déspotas. Oprime, desencoraja, ilude e cega. É adversário da liberdade, da consciência, da confiança e da paz. Quem sente medo, está cercado de inimigos. Não vê beleza numa árvore, porque acha que ela lhe pode cair em cima da cabeça. Não se entrega a uma paixão, porque percebe o amor como sofrimento. Refugia-se na sua fortaleza individual e prepara-se para responder aos ataques. Porque o medo apela ao conflito. Chama-o. Deseja-o. Só assim pode obter a confirmação de que é real e necessário.
Autor: Marques , Fernando


Agora, aqui,

http://www.citador.pt/cact.php?op=8&theme=148&firstrec=0

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Enem , a imoralidade deste País . Ainda há tempo de mudar o conteúdo do exame, ó, MEC!



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Observação

De acordo com o que disse a vocês, meus alunos, o conteúdo , eu tinha certeza de que ia me fazer lembrar do tempo do Milagre Brasileiro,aqueles temas ufanistas, preocupados com problemas brasileiros. Eu sabia...
Do Jornal do Estado de São Paulo:

"Na folha seguinte, o exame reproduzia uma bandeira do Brasil com a área verde parcialmente suprimida, simbolizando o desmatamento. A imagem lembra uma campanha publicitária famosa da organização não governamental SOS Mata Atlântica. Embaixo dela, a prova tinha a seguinte frase: "Estão tirando o verde de nossa terra." Em outro trecho do exame, também no alto, à esquerda, os examinadores usaram no enunciado o poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, aquele que começa com os versos "Minha terra tem palmeiras/onde canta o sabiá". As questões da bandeira e do poema foram confirmadas pelo MEC como originais."

...

Eu espero que o MEC aproveite o "destempero" dos fatos e altere o conteúdo do Enem. Chega de Mafalta, Garfield, misturados à pedra do poema do Drummond ( nada contra o poeta e o poema, adoro), já tão surrado, nos livros do por aí. Eo "MInha terra tem palmeiras" , hein? Quem liga a pedra , as palmeiras e a 'atualidade ' do Msn? Quanta modernidade, ó, Zeus!
Vocês sabem mesmo do que os jovens necessitam? Vou escrever depois.
Para acabar com o analfabetismo funcional precisamos de textos ligados à realidade de hoje, às necessidades dos alunos, logos, mythos, pathos e não, à decifração de histórias em quadrinhos. Essa modalidade de exercícios, os quadrinhos e a linguagem publicitária já "deu o que tinha de dar".
Estou sem tempo, mas depois escrevo o resto do que tenho a dizer. Eu, que lido com Português, a lingua materna; com leitura da lingua materna e com Literatura, afirmo que a mudança promovida pelo MEC vai corroborar a decadência total da educação neste País. Rose Marinho PRado, professora há 23 anos.,

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Para o Guilherme

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos
abaixo.
Texto I
Natural é ter um trabalho, um salário, um emprego
Nome confiável, respeito na praça
Mas, afinal, o que é felicidade?
É sossego
Nesse mundo pequeno de tempo e espaço
Nando Reis e Samuel Rosa
Texto II
Se a felicidade fosse convertida em projeto, ela seria igualmente
convertida em insatisfação interminável: jamais estaremos onde queremos
estar; jamais seremos o que queremos ser; jamais teremos o que queremos
ter. A felicidade moderna converteu-se numa vigília permanente: a vigília
de Homens insatisfeitos; de Homens esmagados pelos seus próprios
ideais de felicidade e perfeição.
Adaptado de João Pereira Coutinho
Texto III
Eu lamento te informar mas este modelo de felicidade que lhe
ensinaram desde criança e que costuma aparecer em filmes e novelas
não existe. Mas é importante que você seja educado acreditando que
este modelo é real e existe e que vale a pena perseguir ele. Por isto este
modelo de felicidade se faz tão presente nos comerciais da TV, no cinema
e nas novelas.
www.rebelado.com
Texto IV
A felicidade não é apenas um conceito vago, mas algo tangível e
resultante de atividade cerebral que pode ser vista, medida e até induzida,
de acordo com neurologistas. Assim, é possível que pesquisadores
possam, um dia, encontrar formas de ajudar a induzir o estado de
felicidade, que deixará de ser uma busca filosófica, para se converter
em uma busca farmacológica.
Adaptado da BBC

domingo, 27 de setembro de 2009

Texto sobre arte. Jorge Coli. Caderno Mais. Folha de SP

Quanto vale?

O mercado deixaria de existir, e com ele as artes, se tanta gente não se dispusesse a pagar tanto; para o mal ou para o bem, essas pessoas indicam o interesse crucial pela arte


JORGE COLI
COLUNISTA DA FOLHA

Ao ser interrogado sobre o futuro da arte, um crítico importante respondeu: "Não sei. Se soubesse, estaria comprando". Entre a provocação e o cinismo, a tirada assinala o quanto as artes estão ligadas ao mercado.
Artes, aqui, têm o sentido de artes plásticas, cujos produtos são investidos por um alto reconhecimento simbólico. Ele vem reforçado por julgamentos, comentários, debates, que provocam desejos de propriedade e determinam valores financeiros tão flutuantes quanto a intensidade dessas cobiças.
Nos fatos, nenhum artista, de nenhum tipo, seja ele poeta ou cineasta, inventor de instalações ou navegador no ciberespaço, consegue sobreviver de suas criações sem vendê-las.
A mistura, na qual as artes (com suas características de invenção iluminadora, carregada por intuições que acendem centelhas insuspeitadas no comum dos mortais) se fundem com os interesses vis do dinheiro, exala quase sempre um odor meio nauseante.
Procura-se ignorar a junção, busca-se separar as duas coisas para evitar o sentimento de repugnância. No entanto, a existência das artes em nosso tempo depende desses processos de compra e venda, no qual se infiltram os mais diversos tipos de oportunismos publicitários que transformam a obra em produto.
É possível uma visada otimista. O mercado pode ser tomado como sintoma: ele deixaria de existir, e com ele as artes, se tanta gente não se dispusesse a pagar tanto.
Tais pessoas, para o mal ou para o bem, indicam o interesse (na variada gama de sentidos que essa palavra possui) crucial consagrado à arte.
Há especulações e vaidades, que esvaziam a obra de seu sentido mais profundo. Mas os falsos semblantes dependem, mesmo se indiretamente, de algum cerne mais verdadeiro. Nele permanece, ainda que bruxuleante, uma chama, por pequena que seja.

Genuflexório
A arte não produz objetos, produz sujeitos. Sujeitos pensantes, sem palavras, contudo. Obras são significações silenciosas.
A arte, no Ocidente de hoje, fora casos raros, desligou-se de quaisquer funções religiosas. Sacralizou-se em si mesma, graças a seus poderes emotivos. Nossas comunhões, nossos transes, nossas elevações espirituais ocorrem nos cinemas, nas galerias, nos museus, nas páginas de um livro e, por vezes, frente à tela de um computador.

Viseira
É melhor evitar a distinção infeliz entre cultura elevada e "cultura de massa". Ela tapa os olhos com vendas que se querem teóricas e são apenas preconceituosas. Impede a percepção de intrincadas complexidades em obras condenadas por antecedência.
Alguém pode, por força, tentar fazer arte, sem conseguir: isso ocorre tanto. Outro, pensando apenas produzir um produto "de consumo", é levado a desvendar profundidades espantosas.
Ninguém pode dizer qual o bom adubo para a arte. Muitas vezes, os critérios convencionais, ou da moda, cobrem os terrenos, impedindo que floresçam invenções artísticas. Outras, as convenções, as modas, segundo configurações imprevisíveis, terminam por favorecer intuições criadoras. Artes são feitas de contaminações.

Torcida
Nossos receios acenam para um futuro apocalíptico, no qual a estabilidade se perde. Estabilidade mais sonhada que real.
Ganha-se, em troca, uma rede em que as comunicações são imediatas, em que as facilidades de deslocamento para todo o planeta são prodigiosas. Isso tudo deveria provocar fecundações extraordinárias nos processos de criação. Tomara.
jorgecoli@uol.com.br

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs2709200902.htm

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

LEITURA E UMA RESPOSTA.RUBEM FONSECA & ENEM Autores, livros, leitores e... revisores

RUBEM FONSECA & ENEM
Autores, livros, leitores e... revisores

Por Deonísio da Silva em 22/9/2009

Saio de um dos campi da Universidade Estácio de Sá, no Rio, na Avenida Presidente Vargas, 642, um número inesquecível. Foi ali que conheci o escritor Rubem Fonseca, no longínquo 1973, quando ele era o poderoso diretor da Light, o que só vim a saber já dentro de sua sala, pois, então estudante, somente o conhecia do romance O Caso Morel e do livro de contos O homem de fevereiro ou março, de bolso, lançados pela Editora Artenova, todos com preço ao alcance de um aluno do curso de Letras da Universidade de Ijuí (RS), que dava aulas para pagar os estudos e que indicara a seu professor os livros do autor, perguntando se podia fazer o trabalho sobre o autor que mais tarde conciliaria sucesso de crítica e de público, em vez de fazer a monografia sobre livros indicados pelo mestre. Foi assim que Rubem Fonseca se tornou conhecido de meu professor, que, como muitos outros, o ignorava, vez que o autor era um cult avant la lettre, já que conhecido e apreciado por poucos.

Trinta anos depois, quando, já morando no Rio, fui àquele campus para dar uma oficina literária, em companhia de Reinaldo Pimenta, liguei para Rubem Fonseca: "Estou na mesma sala onde um dia te conheci". E então deu-se algo curioso. De sua casa, no Leblon, o escritor passou a me dizer tudo o que eu via pela janela, descrevendo a paisagem, os pontos importantes, os outros que eu não percebia ao primeiro olhar etc. Foi ali que Rubem Fonseca deve ter escrito os contos de estréia que um dia chegaram às mãos de seu primeiro editor, Gumercindo Rocha Dórea, das Edições GRD.

Foi daquela janela que ele deve ter visto os malandros, os trombadinhas, os pequenos ladrões de rua e os maiorais, que em vez de roubarem no varejo, roubavam no atacado, aqueles que ele encontrava no elevador ao subir para o trabalho na Light e ao descer para tomar o caminho da casa e imaginar o executivo assassino que atropela e mata mulheres por prazer, em Passeio Noturno-I, mas que muda completamente em Passeio Noturno-II, duas das narrativas que levaram Feliz Ano Novo, seu livro seguinte, a ser proibido e causar o mais rumoroso caso de censura que já houve no Brasil.

Um soneto clássico

Na frente do prédio da Presidente Vargas, há uma banca de jornais. Entrei para atender ao celular porque naquele mesmo local, numa certa noite de 2005, Reinaldo Pimenta e eu, depois de ministrarmos uma oficina de língua portuguesa, fomos roubados. O autor de A casa da mãe Joana (livro de humor delicioso, aliás, como agradável é também a companhia do autor) perdeu o celular. Ele falava ao telefone, passou um desses bandidos amistosos, passou a mão na orelha do Pimenta e lá se foi o telefone. Pimenta gritou, vários transeuntes correram atrás do ladrãozinho, um policial liderava o grupo, mas ele refugiou-se num dos prédios, lá para os lados da célebre igreja da Candelária, em cuja entrada, como se sabe, na madrugada de 23 de julho de 1993, seis menores e dois maiores sem-teto foram assassinados por policiais militares, episódio que se tornou nacional e internacionalmente conhecido como "o massacre da Candelária".

Uma senhora me disse na ocasião: "O senhor só não foi roubado porque no exato momento em que o ladrão ia passar a mão na sua bolsa com o notebook, o senhor entrou na banca". Desde então, agradecido, entro ali naquela banca e compro alguma coisa. Nem que seja um cigarro. Um cigarro, e não uma carteira, ou maço. Um cigarro, que é vendido por R$ 0,50.

Desta vez comprei uma publicação intitulada Prepare-se para o ENEM (São Paulo, Escala Educacional, 210 páginas, mas as últimas vinte não estão numeradas). Na pág. 21 encontrei o poema de Gregório de Matos As Coisas do Mundo. É um soneto clássico, com dois quartetos e dois tercetos, isto é, as duas primeiras estrofes têm quatro versos cada uma; as duas últimas, três. Mas a publicação traz todos os catorze versos juntos, sem espaço nenhum que os caracterize como pertencentes a um soneto. Ainda mais: nas obras do poeta, o título é outro: "Por consoantes que me deram forçados".

Um jogo das diferenças

Mas os problemas tinham apenas começado. No primeiro quarteto falta o indispensável "o" no verso inicial: "Neste mundo é mais rico o que mais rapa". O poeta não usou dois-pontos em nenhum dos versos. A publicação usa três vezes os dois-pontos.

Nos três últimos versos lemos: "Para a tropa do trapa vazo a tripa/ E mais não ligo, porque a Musa topa/ Em apa, epa, ipa, opa, upa". Aqui, no site Releituras, lemos versão bem diferente (estou em viagem e consulto apenas a internet, mas Releituras é um portal confiável): "Para a tropa do trapo vão a tripa,/ e mais não digo; porque a Musa topa/ em apa, em epa, em ipa, em opa, em upa".

Como vêem os leitores, parece um jogo das diferenças, pois na versão que está nas bancas não encontramos a vírgula no final do primeiro verso, lemos "e mais não ligo," quando Releituras traz "e mais não digo".

Precisão e emoção

Prepare-se para o ENEM muda muito também o último verso, omitindo quatro vezes a preposição "em", pois assim o transcreve: "Em apa, epa, ipa, opa, upa", quando Releituras traz "em apa, em epa, em ipa, em opa, em upa".

Deixei a banca e um táxi me deixou no restaurante. Um senhor que eu conheço apenas dali, tendo tomado alguns goles de vinho, começou a recitar vários sonetos de Raimundo Correia. Estava sozinho na mesa, só o vinho o acompanhava. Impressionou-me que soubesse tantos versos de cor e ele se impressionou com o fato de, alguns sonetos depois, eu recitar uns versos com ele. Por fim disse: "Raimundo Correia é meu tio-avô". Quase chorou com a revelação. Declamando As Pombas, havia pouco nós dois disséramos: "Também dos corações onde abotoam,/ Os sonhos, um por um, céleres voam,/ Como voam as pombas dos pombais;/ No azul da adolescência as asas soltam,/ Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,/ E eles aos corações não voltam mais...".

A jovem dona do restaurante, que fazia contas e tratativas com o advogado da empresa, pareceu surpreender-se. Todos os clientes podem ser ignorados num restaurante, não um que declame um poeta parnasiano com tanta precisão e emoção. Precisão é o que falta na publicação que citei nesse artigo, mas não falta nas obras citadas. E sabem por quê? Porque elas tiveram revisores!


http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=556AZL001

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Redação do ITA




Não consegui colar aqui.

Acesse -a no link. No final da prova. Não deixe de fazê-la.


http://www.ita.br/vestibular/provas/portugues_2003.pdf

Proposta de redação. Leia e escreva



Ninguém avança pela vida em linha recta. Muitas vezes, não paramos nas estações indicadas no horário. Por vezes, saímos dos trilhos. Por vezes, perdemo-nos, ou levantamos voo e desaparecemos como pó. As viagens mais incríveis fazem-se às vezes sem se sair do mesmo lugar. No espaço de alguns minutos, certos indivíduos vivem aquilo que um mortal comum levaria toda a sua vida a viver. Alguns gastam um sem número de vidas no decurso da sua estadia cá em baixo. Alguns crescem como cogumelos, enquanto outros ficam inelutávelmente para trás, atolados no caminho. Aquilo que, momento a momento, se passa na vida de um homem é para sempre insondável. É absolutamente impossível que alguém conte a história toda, por muito limitado que seja o fragmento da nossa vida que decidamos tratar.

Henry Miller, in "O Mundo do Sexo"

http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200707230005

Para se informar. Guerra Mack e Usp

http://leiturasdahistoria.uol.com.br/ESLH/Edicoes/22/guerra-da-maria-antonia-a-rua-do-centro-de-sao-15

Paráfrase sobre a indústria cultural

Leia o texto. Faça URGENTE uma paráfrase.


Consumo
A massificação dos tempos modernos
A indústria cultural levou à padronização de bens culturais em todo o mundo. No entanto, é cada vez maior o número de consumidores que tem uma postura crítica e busca alternativas à cultura de massa
por ERISVALDO SOUZA e JEAN ISÍDIO DOS SANTOS

Conceito e sociedade
SHUTTERSTOCK / MONTAGEM: YVES BRIQUET

Embora desenvolvido, no final dos anos 1940 pelos principais pensadores da chamada Escola de Frankfurt, Theodor Adorno e Max Horkheimer, o conceito de indústria cultural foi apontado, primeiramente, na Dialética do Esclarecimento – uma das principais obras destes autores, publicada em 1947. Passados 62 anos desde então, a teoria se mantém atual, assim como os textos de Adorno sobre música, principalmente O fetichismo na música e a regressão da audição.

A teoria crítica da sociedade de Adorno